![]() | Hoje em dia crianças de 3 anos sabem mexer muito bem em tablets e celulares. Eu comia terra!, diz o meme. E comia mesmo, andava descalço, sem camisa e nunca ficava doente. O hábito de crianças comerem terra (geofagia) é uma forma instintiva de exploração do mundo e, segundo estudos, pode ter benefícios inesperados para a saúde devido à exposição a microorganismos, incluindo a bactéria inofensiva Mycobacterium vaccae. Esse contato ajuda a fortalecer o sistema imunológico, reduzir alergias e até mesmo melhorar o humor e a capacidade de aprendizado. |

Às vezes, o desejo de comer terra (alotriofagia) indica falta de ferro ou zinco (anemia), comum em crianças pequenas. Cientistas sugerem que crianças buscam inconscientemente o contato com microorganismos que ajudam a amadurecer o sistema imunológico.
Como a Mycobacterium vaccae na terra é benéfica? Ela é uma bactéria do solo que interage com o corpo humano de forma positiva. A exposição a essa bactéria estimula a produção de serotonina, um neurotransmissor que aumenta a sensação de bem-estar, reduzindo a ansiedade e melhorando a capacidade de aprendizado.
A Mycobacterium vaccae possui propriedades anti-inflamatórias que podem reduzir a inflamação no cérebro, agindo como um "treinamento" para o sistema imunológico.
O contato com essa bactéria ajuda a treinar o sistema imunitário, diminuindo riscos de asma, alergias e inflamações intestinais.
Embora a exposição a uma "sujeirinha" seja benéfica, médicos alertam que a ingestão de terra em grande quantidade ou contaminada pode causar riscos, como parasitoses (vermes) e contaminação por chumbo. O comportamento frequente deve ser acompanhado por um pediatra.
Nesse mesmo sentido, na década de 1930, o arquiteto paisagista dinamarquês Carl Theodor Sørensen percebeu que as crianças de seu bairro adoravam brincar em antigos canteiros de obras.
Observar as crianças balançando em vigas expostas, catando sucata e construindo pontes o inspirou a transformar um conjunto habitacional abandonado em um parque infantil feito de materiais reciclados.
O projeto de Carl tornou-se um enorme sucesso e, logo, países por toda a Europa estavam criando parques infantis em terrenos abandonados e até mesmo em antigos locais bombardeados da Primeira Guerra Mundial.
Esses ambientes podem parecer perigosos, especialmente para os pais do século XXI, que tendem a ser muito mais preocupados com a segurança de seus filhos do que as gerações anteriores.
Mas pesquisas descobriram que essas estruturas aparentemente assustadoras ensinam às crianças lições importantes que os parques infantis tradicionais não ensinam.
Brincar é fundamental para o desenvolvimento infantil. Criar jogos e seguir regras ajuda a ensinar a resolver problemas. Mover o corpo em terrenos variados ajuda a aprimorar o controle motor. E brincar com outras crianças nos permite praticar a linguagem e refinar nossas habilidades sociais.
Como brincar é algo natural para todos nós, as crianças provavelmente desenvolverão essas habilidades na maioria dos ambientes. Mas pesquisadores identificaram alguns fatores que podem maximizar esses benefícios. O principal deles é a liberdade.
Brincar é experimentar, e as crianças precisam de autonomia para explorar e moldar o ambiente ao seu redor sem a interferência de adultos.
O próximo fator é a novidade — as crianças estão sempre ávidas por elementos de brincadeira novos e imprevisíveis. Por fim, elas precisam de tempo para concretizar seus planos.
Embora todos nós pudéssemos usar mais tempo para brincar, os melhores ambientes de brincadeira oferecem liberdade e novidade para que as crianças possam explorar o quanto quiserem. Mas os parquinhos tradicionais não oferecem muita flexibilidade nesse sentido.
Balanços, escorregadores e estruturas de escalada dificilmente são novidades.
Eles também têm uma pregnância -a qualidade de um objeto que permite ao indivíduo identificar sua funcionalidade sem a necessidade de prévia explicação- relativamente baixa.
Itens com alta pregnância, como uma caixa de areia, podem ser usados de diversas maneiras: cavar, rolar,amontoar,comer... Enquanto isso, objetos com baixa pregnância, como um escorregador, foram projetados com um único uso em mente: escorregar.
Mesmo quando as crianças são criativas o suficiente para encontrar novos usos para objetos de baixa aplicação, eles ainda são brinquedos mais limitados.
Para resolver esses problemas, alguns designers estão revisitando os playgrounds de sucata da Europa para criar playgrounds de aventura modernos, que são grandes espaços abertos repletos de estruturas de alta aplicação e possibilidades de brincadeira livre.
Enquanto alguns pais se preocupam com o fato desses espaços imprevisíveis serem muito perigosos, pesquisadores da área de brincadeiras diriam que esse tipo de brincadeira, dita arriscada, é essencial.
Dar às crianças espaço para experimentarem altas velocidades, grandes alturas e se perderem as ajuda a desenvolver melhor discernimento e confiança.
Na verdade, é através da brincadeira arriscada que as crianças aprendem a gerenciar riscos e a se manterem seguras.
Um estudo chegou a constatar que as crianças tinham maior probabilidade de se machucarem gravemente em parques infantis tradicionais, talvez porque os parques de aventura as incentivem a estar mais atentas ao que acontece ao seu redor.
A brincadeira arriscada também ajuda a desenvolver habilidades para lidar com a saúde mental. Experimentar pequenas doses de incerteza acostuma as crianças à imprevisibilidade da vida, ajudando-as a lidar melhor com a ansiedade nos anos seguintes.
Parques de aventura não são os únicos lugares para brincadeiras arriscadas. Parques infantis na natureza que incentivam as crianças a explorar riachos, cavernas e escalar árvores combinam as vantagens de correr riscos com os benefícios para a saúde de se conectar com a natureza.
Portanto, a verdadeira chave é projetar uma variedade de parques infantis, que ofereçam uma ampla gama de atividades que promovam diversão, autonomia e uma pitada de incerteza, convidando as crianças a explorar as possibilidades.
Ah sim, parques que tenham muita terra, grama e azedinha (Hibiscus sabdariffa) que faz a alegria de quase qualquer criança que goste de pisar e comer na terra.
Deixar as crianças se sujarem brincando na lama ou na terra pode oferecer mais do que apenas diversão, pode ser essencial para fortalecer o sistema imunológico.
Em um mundo cada vez mais higienizado, em que as crianças adoecem por causa de um vento "encanado", abraçar a natureza, com toda a sua sujeira, pode ser exatamente o que o sistema imunológico de nossas crianças precisa para prosperar.
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