![]() | Um burro parcialmente cego chamado Waylon aprendeu, de forma inteligente, a abrir o portão da casa onde vive seu melhor amigo, um bode chamado Willie Nelson. O santuário da fazenda Burro Travesso, no condado de Stanly, Carolina do Norte, adotou Waylon depois de descobrir que ele estava sendo maltratado por outros burros por ser muito menor do que eles. Desde então, ele decidiu que as porteiras dos estábulos são meras sugestões e que seus amigos caprinos merecem ir direto para o pasto. |

- "Waylon fazia parte de um grupo de burros em um curral local. Nessas situações, eles costumam ser enviados para serem abatidos para consumo", disse o santuário. - "Ele estava sendo muito maltratado pelos outros burros. Ele era bem menor e estava sendo privado de comida e água. Então, nos oferecemos para dar um lar a Waylon."
Quando o levaram para casa, porém, Waylon era incrivelmente tímido e se escondia deles. Por outro lado, fez amizade com as cabras, especialmente com Willie Nelson, que o ajudava a se locomover pela fazenda. Isso motivou Waylon a aprender a abrir portões, apesar de sua visão limitada.
- "Waylon tem uma habilidade muito peculiar: ele aprendeu a abrir as porteiras do estábulo com a boca porque queria ficar perto do amigo", conta o santuário. - Ele é praticamente cego. Acreditamos que ele consiga ver algumas sombras. Ele mapeou o pasto muito bem e está com Willie Nelson desde que chegou, o que acredito que o ajudou a desenvolver a percepção espacial."
Se você cresceu no interior, vivendo em um sítio ou fazenda, sabe muito bem que não há porteiras que resistam a jumentos. Minha avó tinha um chamado sugestivamente de Houdini. Você levava ele no fim de tarde para o pasto de gado solteiro, e na primeira hora do dia anterior ele estava zurrando na janela do meu quarto.
As únicas estruturas capazes de frear a astúcia destes animais inteligentes são as pontes ou cercas conhecidas equivocadamente como mata-burros, quando deveriam ser mata-cavalos. Cavalos se enroscam nas cercas ou quebram as pernas nas pontes; burros e jumentos, nunca.
A natureza destes animais difere muito do que damos a eles. Um jumento é mais um animal de vigilância do que de carga.
A razão pela qual você não vê "guardiões" (ou protetores) protegendo jumentos é que, no reino animal, o burro é o responsável pela segurança.
Os burros têm uma aversão inata e visceral a canídeos (cães, coiotes, lobos, hienas). Ao contrário dos cavalos, que podem entrar em pânico, um burro irá ativamente perseguir, pisotear e "zurrar" um predador.
Fazendeiros, sobretudo africanos, frequentemente empregam um único burro para proteger rebanhos de ovelhas ou cabras. Eles não precisam de uma porteira, pois são a defesa do perímetro. Na "arquitetura de segurança" de uma fazenda, o burro é o firewall.
O cavalo é um animal de "fuga"; sua estratégia de sobrevivência é disparar primeiro para as montanhas e pensar depois. Um burro, que evoluiu em terrenos rochosos e montanhosos, onde disparar significa cair de um penhasco, tem uma resposta de "empacar e avaliar".
O que os humanos chamam de "teimosia" e "burrice" é, na verdade, o processador do burro realizando uma avaliação de risco. Se um burro sente perigo ou uma ponte instável, ele para imediatamente. Ele não "foge" do problema; ele se mantém firme até se sentir seguro.
Se você já viu um burro "fugindo", geralmente é por perseguição territorial: eles não estão fugindo de algo; estão correndo atrás de algo (como um cachorro de rua) para chutá-lo para o outro lado do pasto.
Há uma ironia interessante aqui. Usamos a palavra "burro" para denotar falta de inteligência, mas a recusa do burro em correr cegamente para o perigo (ao contrário do "majestoso" cavalo) o torna uma das criaturas mais logicamente equilibradas do curral.
Eles não precisam e não gostam de porteiras porque são robustos como tanques, e não fogem porque preferem ficar e vencer a luta.
Hoje, infelizmente, este animal que não foi apenas um "animal de carga", mas um companheiro de jornada, um membro da família, um verdadeiro pilar na construção da vida e da cultura nordestina, está sendo relegado ao esquecimento e abandonado nas margens de rodovias.
Pior? A demanda chinesa pelo colágeno encontrado logo abaixo da pele dos jumentos provocou uma redução drástica da população desses animais em diversos países nas últimas duas décadas.
No Brasil, mais de um milhão de animais foram abatidos entre 1996 e 2025, diminuindo o número de jumentos de 1,37 milhão para pouco mais de 78 mil, uma redução de 94%, conforme as estimativas de entidades como a Frente Nacional de Defesa dos Jumentos.
Mantido este ritmo atual de abates, a espécie "não chegaria a 2030" no Brasil. De fato, o jumento está em risco de extinção em vários países. No Egito ele praticamente não existe mais.
Uma pesquisa conduzida pela Universidade Maasai Mara, no Quênia, e divulgada em meados do ano passado mostra os impactos negativos que o abate de jumentos para retirada da pele tem sobre comunidades rurais quenianas.
As principais afetadas são as mulheres, que usam esses animais para auxiliá-las em diversos trabalhos braçais, mas os efeitos foram observados em todo o núcleo familiar, com redução inclusive da renda domiciliar.
Muito triste isso para alguém como eu que cresceu no lombo destes animais.
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