![]() | Se as primeiras palavras que lhe vieram à cabeça foram " a pau Juvenal", então provavelmente você não está sozinho. O pináculo Svolværgeita, conhecido carinhosamente como Geita, na face sudoeste da montanha Fløyfjellet, na ilha de Austvågøya, dentro do arquipélago de Lofoten, na Noruega, foi escalado pela primeira vez há pouco mais de um século, em 1 de janeiro de 1910, por três alpinistas. Desde então, porém, surgiu uma tradição entre os montanhistas: aqueles que chegam aos chifres da cabra os saltam. Porque podem. |

A cidade de Svolvær, no condado de Norland, fica aninhada aos pés da montanha. Está situada em Lofoten, na costa sul de Austvågøy, e tem o mar aberto ao sul e a montanha diretamente ao norte. É fácil entender a origem do nome "chifres de cabra". Há duas rochas pontiagudas, chamadas Storhorn e Lillehorn, que apenas os escaladores mais experientes conseguem alcançar com segurança.

Poderíamos facilmente argumentar (e muitos concordariam) que as alturas de Geita deveriam ser consideradas um local exclusivo para observação de aves. Até mesmo as aves marinhas locais parecem se contentar em apenas olhar para a montanha. No entanto, quando se chega lá em cima, a vista é realmente deslumbrante.

O montanhista e guia de montanha local Geir Rune Holm tornou-se o primeiro a escalar o Monte Geita mil vezes. A marca histórica foi alcançada em 3 de outubro de 2021.
Em 2007, um turista alemão de 40 anos foi encontrado morto na encosta da montanha logo abaixo do Geita após se separar de sua acompanhante durante uma caminhada na região.
Outras quedas e acidentes envolvendo manobras de rapel ou escalada no local já mobilizaram equipes de resgate alpino na Noruega, resultando em ferimentos graves.
Eu já escalei o Pico do Itaguaré, uma montanha situada na divisa dos estados de Minas Gerais e São Paulo, na serra da Mantiqueira, entre as cidades de Passa Quatro e Cruzeiro, respectivamente, umas 80 vezes. Seu cume está a 2.308 metros acima do nível do mar.
Há poucos metros do topo, onde tem um livro para os montanhistas assinarem, há uma pedra sobre uma fenda com mais de 1.000 metros. O local é popularmente conhecido como "pulo do gato", e eu já vi muito marmanjo desistir de conquistar o pico por causa dele.
Os protagonistas deste vídeo provavelmente estão conhecendo o pico pela primeira vez ou são montanhistas "nutellas", que precisam engatinhar para atravessá-lo.
É uma trilha desafiadora, de média dificuldade, por ser muito íngreme e longa, com muitas escalaminhadas de quase 10 km, ida e volta. No entanto em toda a subida, esse seja o trecho mais aguardado.
Muitas pessoas já desistiram, travaram ou sentiram extremo pavor ao encarar o "pulo do gato", mas registros de quedas fatais ou acidentes graves oficiais direto nesse lance específico são raros, sendo mais famoso pelo terror psicológico e vertigem do que por quedas reais.
Uma lenda urbana bem antiga conta que um pastoreiro da Serra Verde, o assentamento humano mais próximo, atravessou o local para buscar sua cabra em um dia de ventania, caiu e mó-rreu, mas seu corpo nunca foi encontrado no abismo.
Sim, é preciso equilibrar-se ou passar por cima da pedra com forte sensação de exposição ao vazio e ventos fortes. Por isso, vários montanhistas relatam que chegaram ao local, olharam para o abismo e decidiram não ir até o cume verdadeiro, considerando o trecho dispensável.
Engatinhar, usar equipamentos de segurança ou cordas auxilia a passagem, mas o respeito ao abismo faz com que muitos simplesmente prefiram voltar.
Os montanhistas eventuais não acampam no pico, devido a falta de áreas protegidas e do vento frio e cortante que varre a montanha à noite. Com efeito, o pico fica facilmente coberto de neve no inverno.
O costume é acampar no sopé da montanha e atacar o pico de dia, de preferência ensolarado. Subir com chuva também não rola, pois o local vira um sabão.
No meu caso, onde o pico é a "extensão do quintal" da casa da minha Avó, eu pegava carona com o caminhão de coleta de leite às 6h00, uma hora depois estava na base e perto das 10h00 já tinha superado os 5km até o pico.
Para descer todo santo ajuda e antes das 17h00 já estava em casa, às vezes com um feixe de lenha, regando a horta para não levar uma "sova" da Vó. A baixinha era brava. 10 anos depois, possivelmente eu deva estar ainda entre o top 10 de escaladores do Itaguaré.
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