![]() | As manadas de paquidermes são sociedades matriarcais estritas, onde, quase sempre, as fêmeas são aparentadas, de mães, filhas, avós e irmãs que vivem juntas a vida toda. No entanto, elefantas solitárias são aceitas porque costumam ser parentes distantes ou porque simplesmente reconhecem o código de conduta do clã. Já os machos são expulsos do núcleo familiar, entre os 12 e 15 anos, para evitar cruzamento consanguíneo e, quando se aproximam mais tarde, podem representar ameaça física e desestabilizar a hierarquia do grupo. |

Por isso, em santuários, onde o espaço costuma ser contíguo, os machos são isolados em períodos de acasalamento para não criarem problemas, mas aliás, mesmo não pertencentes à mesma linhagem ou clã expandido, são sempre bem aceitas.
Veja o caso de Nam Phueng e Thung Thong, um par de elefantas inseparáveis que chegaram ao Parque Natural dos Elefantes em Chiang Mai, Tailândia, apresentadas a uma nova manada e que foram calorosamente acolhidas pelos outros elefantes.
- "Para ajudá-las a se adaptarem ao novo lar, elas foram apresentadas gradualmente à manada Thai Koon", diz o parque. - "A família Thai Koon acolheu calorosamente as duas elefantas, criando um ambiente calmo e de confiança onde novas amizades logo floresceram."
Na natureza, as fêmeas protegem umas às outras e criam os filhotes em cooperação mútua de tias e primos. Mas os machos, após os 12 anos sempre são expulsos pela matriarca quando começam a mostrar um comportamento errático e agressivo.
Essas duas elefantas passaram por momentos difíceis e tiveram problemas para se separar. Thung Thong chamava por Nam Phueng enquanto sua amiga era resgatada, mas logo se acalmou quando percebeu que teria o mesmo destino da amiga.
- "Inicialmente, a dupla permaneceu bem próxima, mantendo distância dos outros elefantes do parque", escreve o parque na descrição do vídeo. - "Então foi emocionante ver a alegria delas ao se juntarem a uma nova manada."
Nam Phueng e Thung Thong foram resgatadas da província de Surin, na Tailândia. Ao chegarem ao Parque Natural dos Elefantes, o laço profundo e inquebrável entre elas tornou-se ainda mais evidente, permanecendo juntas em cada passo de sua nova jornada.
No entanto a sociedade paquidérmica é tão complexa e avançada que a mãe pode reconhecer seu filho décadas depois e eles podem, sim, passar algum tempo juntos.
Os elefantes possuem uma das memórias de longo prazo mais impressionantes do reino animal, sustentada por um cérebro altamente desenvolvido e focado em conexões sociais.
Mesmo após o macho adulto ser afastado da manada para evitar o cruzamento consanguíneo, os laços familiares não são esquecidos. Estudos científicos comprovam que os elefantes conseguem identificar o cheiro específico (inclusive pelas fezes) e os chamados de baixa frequência (infrassons) de seus parentes mesmo após mais de 10 a 30 anos de separação. Neste vídeo, Shirley and Jenny se reconhecem 20 anos depois de separadas.
Os machos adultos vivem de forma nômade ou em pequenos grupos de solteiros. Quando as rotas de migração de uma manada familiar e de um macho solitário se cruzam em pontos de água ou alimentação, ocorrem interações.
Se o macho não estiver no período de musth (fase de extrema agressividade e alta testosterona), ele pode se aproximar pacificamente da manada de sua mãe. Eles trocam carícias com as trombas, vocalizam e caminham juntos por algumas horas ou até dias.
Esse "tempo junto" é temporário. O macho adulto não volta a morar com a manada. Após esse breve período de socialização, ele segue seu caminho independente e a matriarca continua liderando o grupo de fêmeas.
Este laço afetivo pode se estender para a espécie humana. Um vídeo viral publicado em 2021 pelo mesmo santuário tailandês mostra um reencontro emocionante de uma manada resgatada, liderada por um aliá chamada Kham Lha, correu animada e barriu de alegria ao ouvir a voz de seu tratador, Darrick Thomson, que havia retornado depois de um ano de trabalho de conservação de outro parque no Camboja.
Darrick trabalha com elefantes resgatados no santuário e é cofundador de iniciativas de divulgação relacionadas por meio da Fundação Salve um Elefante. Ele passou 14 meses fora trabalhando em outra iniciativa, o Projeto Kavann de Elefantes no Camboja). Quando ele voltou e os chamou, a manada reconheceu imediatamente sua voz, atravessou o rio a toda velocidade e o cercou com abraços de trombas.
O evento fornece provas claras de que os elefantes retêm a memória de indivíduos humanos e tons vocais distintos por longos períodos. Sua reação demonstra alta inteligência emocional, empatia e capacidade de afeto após longas separações.
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