![]() | Na semana passada contamos as histórias de escândalos que ocorreram nos Jogos Olímpicos de Inverno de 1994 e de 1998. Desde 1924, as Olimpíadas de Inverno servem como um palco internacional para exibir alguns dos melhores talentos mundiais em esportes de clima frio. Embora sejam vistas como um encontro simbólico e pacífico de potências internacionais, isso não os isentou de trapaças, como durante os Jogos Olímpicos de Inverno de 1968 em Grenoble, França, quando três competidoras de luge da Alemanha Oriental foram desclassificadas. |

Um juiz de controle percebeu que havia algo perfeito demais com o trenó das alemãs e acabou descobrindo que as lâminas de aço de seus trenós haviam sido aquecidas, uma prática proibida no luge que permite que os trenós se movam a velocidades mais altas com maior facilidade de controle.
Nos primeiros Jogos Olímpicos após a divisão da Alemanha, em que o Leste e o Oeste competiram em equipes separadas, os dirigentes da Alemanha Oriental negaram veementemente as acusações de trapaça, afirmando que as desclassificações sumárias de seus atletas faziam parte de uma campanha liderada pela Alemanha Ocidental para minar a estreia da Alemanha Oriental nos Jogos.
Em meio às crescentes tensões da Guerra Fria, a Alemanha Oriental encarou sua participação nos Jogos Olímpicos de Inverno de 1968 como um palco internacional no qual poderia afirmar plenamente sua soberania como o recém-criado Estado comunista.
Após a desclassificação das alemãs orientais Ortrun Enderlein, Anna-Maria Müller e Angela Knösel, a italiana Erika Lechner e as alemãs ocidentais Christa Schmuck e Angelika Dünhaupt receberam as medalhas de ouro, prata e bronze, respectivamente.
Longe de ser o último escândalo de trapaça que a Alemanha Oriental enfrentaria nos Jogos Olímpicos, o imbróglio do luge nos Jogos de 1968 foi uma espécie de prenúncio da reputação emergente da Alemanha Oriental como uma nação conhecida por trapaças generalizadas e sistêmicas nas Olimpíadas.
A maior "trapaça" cometida pelo país foi uma fraude generalizada, com um programa de doping sistemático e patrocinado pelo Estado, que durou décadas e envolveu milhares de atletas, muitas vezes sem o seu conhecimento.
Formalmente implementado em 1974, este programa altamente centralizado e clandestino impôs o doping em todos os esportes com potencial para medalhas olímpicas, quando médicos e treinadores administravam drogas para melhorar o desempenho, principalmente o esteroide anabolizante Oral-Turinabol, a atletas, muitas vezes dizendo-lhes que os comprimidos eram "vitaminas".
O Ministério da Segurança do Estado (Stasi) esteve profundamente envolvido no encobrimento do programa, garantindo o sigilo e até mesmo utilizando um laboratório dedicado (Kreischa) para testar atletas internamente e remover aqueles que pudessem testar positivo em competições internacionais devido a problemas de tempo com as janelas de detecção de drogas.
O programa foi devastadoramente eficaz em termos de número de medalhas. A Alemanha Oriental, uma nação com apenas cerca de 17 milhões de habitantes, figurou consistentemente entre as três nações que mais conquistaram medalhas olímpicas de 1968 a 1988.
Sucesso na natação: O exemplo mais notório foi o da equipe feminina de natação nos Jogos Olímpicos de Montreal de 1976 , onde conquistaram 11 das 13 medalhas de ouro, gerando suspeitas generalizadas devido à sua rápida evolução e características físicas masculinizadas.
De 1968 a 1988, os atletas da Alemanha Oriental conquistaram 1.360 medalhas olímpicas nos Jogos de Verão e de Inverno.
Após a queda do Muro de Berlim em 1989, documentos da Stasi foram descobertos, revelando a verdadeira extensão da operação. As consequências para os atletas foram graves, incluindo danos ao fígado, doenças cardíacas, infertilidade, engrossamento da voz, crescimento excessivo de pelos e deformidades ósseas.
Manfred Ewald, ex-ministro dos esportes, e Manfred Hoeppner, principal médico esportivo, foram finalmente condenados em 2000 como cúmplices de "lesão corporal intencional contra atletas, incluindo menores", com penas laxas de 22 e 18 meses, respectivamente.
No entanto devido a idade avançada e problemas de saúde, as penas foram suspensas, o que significa que nenhum dos dois cumpriu pena de prisão efetiva.
O Comitê Olímpico Internacional (COI), no entanto, não revisou os registros históricos dos Jogos Olímpicos nem redistribuiu as medalhas manchadas.
O luge é considerado o esporte mais veloz dos Jogos Olímpicos de Inverno devido principalmente à sua aerodinâmica superior e design do trenó, que minimizam o arrasto e a fricção. Atletas podem atingir velocidades superiores a 140 km/h, com um recorde de 154.
Fatores Chave:
Como todos os esportes de trenó, a velocidade é gerada pela conversão de energia potencial gravitacional em energia cinética, descendo uma pista íngreme. Uma vez que o impulso inicial é dado, os atletas dependem da gravidade e de uma navegação precisa e sutil (usando os ombros e pernas) para manter o máximo de momentum e velocidade.
Os trenós de luge não possuem freios mecânicos, permitindo que a velocidade máxima seja mantida durante todo o percurso.
A combinação desses fatores permite que os praticantes de luge atinjam consistentemente as maiores velocidades médias e de pico entre os esportes de deslizamento e, geralmente, de todos os esportes dos Jogos Olímpicos de Inverno, superando o bobsled e o skeleton.
Assim, devido às altas velocidades e forças G, acidentes são bem comuns no esporte. No entanto, lesões graves são relativamente raras, com a maioria dos incidentes envolvendo contusões, arranhões ou distensões musculares, especialmente no pescoço/costas.
Embora acidentes graves possam ser fatais, como tragicamente demonstrado pela morte de Nodar Kumaritashvili em 2010, o que levou a melhorias na segurança.
Os atletas, embora sejam pilotos habilidosos, aceitam os riscos inerentes, muitas vezes sofrendo lesões leves mais por uso excessivo ou por conduzir os trenós para fora da pista do que por acidentes graves.
Desde a morte de Nodar, alterações no projeto da pista, como a adição de trechos de subida, visam controlar a velocidade e aumentar a segurança.
Estudos indicam que, embora ocorram acidentes, lesões graves são pouco frequentes em comparação com outros esportes, e alguns estudos apontam que o luge é mais seguro do que se imaginava.
Em resumo, o luge envolve perigos e acidentes significativos, mas incidentes graves são raros, sendo a maioria dos problemas distensões ou ferimentos leves administráveis, embora o potencial para acidentes catastróficos permaneça uma realidade.
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