![]() | Dezenas de milhares de soldados russos estão abandonando a invasão na Ucrânia devido a uma combinação de extrema fadiga no campo de batalha, altas taxas de baixas, faltande armamentos, descado das autoridades e tratamento brutal por parte de seus próprios comandantes que ficam dando ordens atrás de mesas. A situação se transformou em um "êxodo silencioso", com um aumento significativo nos casos de deserção e ausência sem licença, particularmente em 2024 e 2025. |

Os soldados se tornam buchas de canhão quando são frequentemente ordenados a participar de ataques frontais com alto número de baixas, muitas vezes chamados de "moedores de carne", com pouco ou nenhum apoio de blindados ou artilharia.
Estimativas sugerem que entre 790.000 e 1 milhão de soldados russos foram mortos ou feridos desde o início da invasão, o que levou a uma necessidade desesperada de novos recrutas, muitas vezes mal treinados ou de seleção de presidiários.
Os soldados feridos frequentemente recebem cuidados inadequados e, às vezes, são enviados de volta à linha de frente imediatamente, o que faz com que muitos fujam.
Há relatos de que os comandantes agem com extremo descaso pela vida de suas tropas. Soldados relatam serem forçados a pagar subornos a comandantes para evitar missões perigosas ou para tirar licença.
Há relatos de comandantes que usam a "eliminação com zero" (matar) ou aprisionam soldados que se recusam a seguir ordens ou tentam fugir.
Alguns soldados relataram que os abusos dentro de suas próprias unidades são piores do que estar em cativeiro, uma espécie de gulag atual.
Sem descanso, as tropas relatam ter que lutar por meses ou anos sem serem substituídas, o que leva a um esgotamento mental e físico severo.
Apesar das políticas oficiais, muitos soldados têm suas licenças prometidas negadas, o que leva a uma "quebra" em sua disposição para lutar.
Muitos soldados se sentem enganados, pois lhes foi prometido um salário alto, apenas para se encontrarem em uma guerra de desgaste com altos riscos de morte.
Em centenas de denúncias oficiais, publicadas inadvertidamente on-line pelo governo russo, soldados e seus familiares descrevem um aparato militar violento e sem lei que abusa de suas próprias tropas para manter o ataque na Ucrânia.
A falta de um objetivo claro e alcançável afetou gravemente o moral. A alta probabilidade de ser morto levou a um sofrimento psicológico generalizado e a um desejo de sobreviver.
Um relatório, apresentado ao Conselho de Direitos Humanos da ONU. em setembro passado, pela Relatora Especial da organização para a Federação Russa, Mariana Katzarova, afirmou que a deserção se tornou "uma das principais vias para aqueles que buscam evitar participar da guerra" e que os desertores representam quase 10% das tropas russas enviadas à Ucrânia desde 2022.
Deserção e recusa em lutar podem resultar em longas penas de prisão, mas muitos soldados preferem a cadeia à linha de frente.
Ciente da debandada de militares da linha de frente a reação das autoridades russas não foi melhorar as condições das tropas, senão espalhar ainda mais o terror.
Os mesmos drones baratos que os ucranianos usam para destruir tanques (e os soldados russos dentro), estão sendo usados pelos russos para perseguir e bombardear seus próprios homens se forem flagrados tentando se render aos ucranianos.
Surgiram organizações para ajudar soldados russos a desertar ou a encontrar uma saída segura do exército. A própria Ucrânia lançou o Projeto "Eu Quero Viver" para encorajar, capacitar e empoderar militares russos a se renderem às forças armadas ucranianas.
Além de comunicar aos soldados russos onde e como se render, o exército ucraniano tem utilizado drones para guiar os russos que tentam se render.
O projeto permite que soldados russos entrem em contato com um responsável por telefone, site ou aplicativo de mensagens para combinar sua rendição às forças ucranianas.
Já foram realizados dezenas de milhares de contatos, a maioria durante a noite, quando os soldados russos têm tempo livre. Embora cada contato seja diferente, alguns soldados ligaram não para se render de fato, mas para saber como poderiam se render, caso fosse necessário no futuro.
O número de desertores é significativo, com algumas estimativas indicando que cerca de 235 mil militares desertaram e que quase 54 mil soldados russos abandonaram seus postos desde o início da invasão em grande escala.
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