![]() | Cientistas chegaram a pensar que um rã-macho apelidado de Romeu era o último de sua espécie. Então, quando mais fêmeas de rãs-d'água-de-Sehuencas, (Telmatobius yuracare), uma espécie de anfíbio da família Telmatobiidae, endêmica da Bolívia, foram descobertos em 2018, eles esperavam que ele acasalasse com uma delas chamada Julieta. Infelizmente, a história de amor deles chegou ao fim, Romeu morreu, sem deixar descendentes, no ano passado, mas ainda há esperança para a espécie. |

Mas boas notícias surgiram para a espécie de rã azarada: biólogos descobriram uma nova população em um parque nacional boliviano, abrindo um novo capítulo na dramática história das rãs-d'água-de-Sehuencas no século XXI. Esta é apenas a segunda descoberta de uma população dessas rãs na natureza desde 2009.
- "É o fim de um capítulo, mas a abertura de um livro sobre conservação para nós", afirmou Teresa Camacho Badani, herpetóloga do Museu Zoológico da Pontifícia Universidade Católica do Equador, em Quito.
Os pesquisadores capturaram Romeu pela primeira vez em 2009 em uma área do Parque Nacional Carrasco, na Bolívia, afetada pela disseminação do fungo quitrídio, um patógeno mortal que dizimou espécies inteiras de anfíbios em todo o mundo. Como medida de precaução, os pesquisadores levaram Romeu para o Museu de História Natural Alcide d'Orbigny, em Cochabamba.
Os esforços para encontrar mais exemplares dessa espécie ganharam força em 2018, quando a Global Wildlife Conservation, agora conhecida como Re:wild, fez uma parceria com o site de encontros Match.com para chamar a atenção para a situação crítica da última rã-d'água-de-Sehuencas conhecido na época. A iniciativa chegou a incluir um perfil de namoro para Romeu no site.
Embora provavelmente nunca tenha baixado o aplicativo de namoro, uma Capuleto surgiu na mesma área onde os pesquisadores descobriram Romeu.
Teresa, que na época trabalhava no Museu Alcide d'Orbigny, e seus colegas descobriram mais cinco rãs-d'água-de-Sehuencas em um riacho diferente no Parque Nacional Carrasco. Romeu parecia ter perdido a esperança naquele momento: ele não emitia mais seus chamados de acasalamento. Mas quando os pesquisadores introduziram uma das fêmeas adultas que haviam capturado na natureza, ele repentinamente recuperou seu vigor, cantando para essa Julieta seus chamados de acasalamento mais uma vez.
Julieta não pareceu interessada no anfíbio Montéquio em seu primeiro encontro, pois romeu estava um pouco intenso e começou a irritar Julieta. Ela parou de comer e se escondeu até que os pesquisadores a retirassem. O segundo encontro foi um pouco melhor, e eles viveram felizes para sempre.
Mas, embora não houvesse peste em nenhuma de suas casas, Romeu e Julieta nunca tiveram filhos. Romeu acabou falecendo em janeiro de 2025, 16 anos após ser feito prisioneiro, de causas naturais relacionadas à sua idade avançada.
Felizmente, Julieta não seguiu o mesmo destino da protagonista de Shakespeare ao saber da morte de Romeu e ainda está viva no museu.
Por volta da época da morte de Romeu, em janeiro passado, ela e seus colegas seguiram uma dica de Saul Altamirano, um botânico que trabalhava em uma área do Parque Nacional Carrasco, a cerca de 100 quilômetros do riacho onde Julieta foi descoberta em 2018.
A equipe descobriu uma população pequena, mas estável, na área. Eles estão monitorando os anfíbios dessa nova população usando um dispositivo de gravação subaquático, rastreando os coaxares das rãs na natureza pela primeira vez sem perturbações indevidas.
Embora a descoberta traga novas esperanças para as rãs-d'água-de-Sehuencas após a perda de seu Romeu, desafios significativos ainda estão por vir. A espécie é considerada criticamente ameaçada pela União Internacional para a Conservação da Natureza devido à ameaça do fungo quitrídio e à perda de habitat.
Com a descoberta de uma nova população selvagem estável, Teresa afirma que os esforços de conservação estão se concentrando na proteção do habitat remanescente desses animais.
Enquanto isso, a Re:wild trabalha para estabelecer um plano coordenado no Equador, Bolívia e Peru para conservar todas as 63 espécies conhecidas de rãs-d'água, por meio de um projeto que reúne especialistas de toda a região. A maioria das espécies de rãs-d'água enfrenta ameaças de extinção devido a doenças, perda de habitat e outros problemas.
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