![]() | Não é de estranhar que quem ouça "Scarborough Fair" acredite que seja uma balada tradicional contemporânea do norte da Inglaterra, mas, de fato, é uma canção medieval de autoria desconhecida. Seu nome é uma referência à feira de Scarborough, no norte de Yorkshire, que na idade média, era um dos maiores pontos de referência comercial de toda Inglaterra, com um enorme mercado que se prolongava durante 45 dias a partir de 15 de agosto. |

A canção lista uma série de tarefas impossíveis dadas a uma antiga cortesã que vive e, supostamente, trabalha na feira.
Essa versão foi gravada por diversos músicos no século XX, incluindo o arranjo em contraponto de 1966 da dupla americana de folk rock Simon & Garfunkel, que aprendeu a balada com o violonista Martin Carthy.
Em 2022, o grande Art Garfunkel sentou-se no terraço de um prédio em Nova York e cantou um trecho da música, acompanhado pelo incrivelmente talentoso Tab Laven no violão. Essa bela interpretação da canção serviu como anúncio de que ele voltaria a fazer turnês.
A harmonia perfeita entre Simon & Garfunkel denotava que os dois eram almas gêmeas, mas a realidade era bem outra.
A relação entre Paul Simon e Art Garfunkel foi marcada por tensões intensas, vaidades e uma rixa de longa data, apesar do enorme sucesso musical e de terem sido amigos na infância.
Embora tenham criado clássicos imortais, a parceria era frequentemente descrita como tóxica ou um "casamento de conveniência".
Outro exemplo de "harmonia" da dupla é "April Come She Will", lançada em 1966, pouco conhecida porque "Sounds of Silence", eclipsou todas as outras canções do álbum homônimo.
A balada folk foi composta e escrita por Paul Simon, focada em metáforas sobre o efêmero ciclo de um amor.
Entretanto, por trás da harmonia estava a tensão entre a dupla, que decorria de questões artísticas e pessoais, com Simon sentindo-se eclipsado pela voz de Garfunkel e Garfunkel ressentindo-se de ser apenas intérprete.
Dizem que quando a dupla se apresentava, Paul ficava frustrado ao ver o público ovacionar Art pelos vocais em músicas que ele, Paul, havia escrito e produzido sozinho.
Uma briga boba de vaidades. Bastava Paul reconhecer que seu parceiro era um grande cantor, melhor do que ele, e que Art ficasse orgulhoso de cantar as canções de um grande compositor. Um era o complemento perfeito do outro.
Se isso tivesse acontecido Simon & Garfunkel não teriam se separado oficialmente, no auge da carreira, em 1970, logo após o lançamento de seu álbum de maior sucesso, Bridge over Troubled Water.
A gravação do álbum foi extremamente difícil, com discussões criativas dos dois sobre a direção musical que paralisavam as sessões por horas.
A gota d'água principal foi a decisão de Art se dedicar à atuação, especificamente ao aceitar um papel no filme "Ânsia de Amar", o que o afastou do estúdio de gravação por longos períodos, deixando Paul muito puto e sozinho no estúdio.
Embora tenham se reunido ocasionalmente nas décadas seguintes, como no famoso concerto no Central Park em 1981, a parceria criativa e a amizade íntima terminaram naquele ano devido a tensões acumuladas.
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