![]() | As marmotas-do-Himalaia (Marmota himalayana) conseguem sobreviver em altitudes de até 5.500 metros nas regiões do Himalaia na Índia, Nepal e Paquistão, e no Planalto Qinghai-Tibetano da China, onde muitas delas enfrentam frio extremo, pouco oxigênio e poucos outros recursos. Esta sobrevivência ao extremo sempre levou os biólogos a coçar a cabeça em função de que poucos mamíferos tem esta capacidade. O urso-pardo-do-himalaia (Ursus arctos isabellinus), por exemplo, que vive no máximo em 3.500 metros no verão, desce para os 1.500 no inverno. |

Qual é o segredo destes roedores então? Em 2018, pesquisadores do Centro de Ciências da Saúde da Universidade Xi'an Jiaotong, na China sequenciaram o primeiro genoma completo da marmota-do-Himalaia, o que ajudou a explicar melhor como essas marmotas vivem em condições tão extremas.
As descobertas, publicadas na revista iScience, sugerem mecanismos genéticos subjacentes à adaptação a grandes altitudes e à hibernação.
Os dados de DNA mostraram que a marmota-do-Himalaia divergiu da marmota da Mongólia há cerca de 2 milhões de anos. Os pesquisadores identificaram dois genes, Slc25a14 e Aamp, que foram selecionados em direções diferentes em marmotas que vivem em altitudes baixas versus altas, sugerindo que eles estão relacionados à sobrevivência em populações de alta altitude sob condições de oxigênio extremamente baixo.
Neste trecho do programa da BBC "Vivendo ao Extremo nas Montanhas", esta jovem marmota-do-Himalaia, protagonista do vídeo, embora tenha acabado de sair da toca pela primeira vez, o tempo já está correndo pois a competição entre marmotas se intensifica por comida e território.
A 4.000 metros de altitude ela tem cerca de 12 semanas para aumentar suas reservas de gordura o suficiente para sobreviver aos mais de seis meses de hibernação.
Como o recém-chegado irá reivindicar seu pedaço de grama entre outras 50 marmotas na encosta da montanha? E como todos eles evitarão as raposas, ursos e águias locais que também estão à caça de sua refeição?
Mas a genética não é o único fator a outorgar super-poderes à marmota, de fato, é uma combinação de adaptações físicas, comportamentais e genéticas que permitem suportar o frio intenso, a baixa oxigenação (hipoxia) e a escassez de recursos.
Elas hibernam por cerca de seis meses por ano (ou até mais) em tocas subterrâneas para escapar das temperaturas congelantes do inverno. Durante a hibernação, o corpo funciona em câmera-lenta: batimentos cardíacos caem drasticamente, assim como a frequência respiratória e a temperatura corporal, economizando energia.
Suas tocas complexas podem chegar a 3 ou até 9 metros de profundidade, utilizando-as para hibernar, proteger-se de predadores (lobos, águias) e evitar o frio extremo na superfície.
Possuem uma pelagem densa e castanho-amarelada que as isola do frio. O seu tamanho grande, podendo passar de 10 kg antes da hibernação, também ajuda na retenção de calor.
As marmotas-do-Himalaia vivem em grupos familiares, o que ajuda na vigilância contra predadores e, possivelmente, na manutenção do calor corporal dentro das tocas.
Durante o verão, elas se alimentam intensamente de raízes, gramíneas e ervas, acumulando grandes reservas de gordura para sobreviver ao longo período de inatividade no inverno.
Ao contrário de muitos animais, a marmota-do-Himalaia se adaptou para fazer da "zona da morte" de alta altitude o seu lar, sendo um dos poucos mamíferos capazes de prosperar nesses ambientes inóspitos.
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