![]() | O quetzalcoatlo, o maior pterossauro que já existiu, era realmente capaz de voar? Analisando o tamanho desse colosso, o ceticismo científico ou racional, com base nas aves atuais, afirmaria categórica e coloquialmente que"nem fudendo. Afinal como uma animal com impressionante envergadura estimada entre 10 a 12 metros (algumas estimativas chegam a 15 metros), poderia se manter no ar com um tamanho que equivale à envergadura de um pequeno avião ou ônibus? No entanto, a capacidade de voo dos pterossauros gigantes -não dinossauros- é bem estabelecida na comunidade científica. Então, como esse gigante conseguia voar? |

Criado pelo Gemini.
Não deixa de ser engraçado pensar no "deus asteca emplumado" como um avião bimotor de pequeno porte. Imagine esse avião andando no chão com um pescoço de girafa, pegando pequenos animais com um bico de dois metros e, do nada, decidindo voar. Ele era, essencialmente, um pterossauro com síndrome de avião de pape, mas que fazia um temível tiranossauro fugir para as montanhas agitando suas patinhas dianteiras.
Graças ao registro fóssil, sabemos que os pterossauros tinham asas com ossos alongados nas mãos, assim como todos os outros vertebrados voadores. Mas simplesmente ter asas não significa que você realmente pode voar.
Como é que uma coisa de 15 metros de envergadura e do tamanho de uma girafa não caía como uma jaca podre? A ciência explica com muita engenharia natural e um pouco de loucura biomecânica.
Se você for pesado demais para o tamanho dessas asas, ou se não conseguir batê-las rápido o suficiente, você passará tanta vergonha quanto os pioneiros da aviação e nunca chegará a lugar nenhum.
E comparado às maiores criaturas voadoras vivas hoje, a abetarda-de-kori (Ardeotis kori), o albatroz-errante (Diomedea exulans) ou até mesmo o condor-andino (Vultur gryphus), dependendo de como você mede, o i>quetzalcoatlus era muito, MUITO maior, até 10 vezes.
Mas, apesar da envergadura desse pterossauro gigante, os cientistas estimam que ele tinha apenas o peso de um cachaço gordo, entre 200 e 250kg. É muito? Sim. Mas para um bicho com a envergadura de um avião, é levemente... ridículo. Imagine um adulto com 2 metros de altura pesando 10kg.
Mas ainda que a proporção entre o tamanho da asa e a massa pareça adequada, os pterossauros gigantes ainda precisavam ser fortes o suficiente para bater as asas.
E embora os músculos das asas em si não estejam preservados no registro fóssil, sabemos que os pterossauros tinham protuberâncias enormes nos ossos dos membros anteriores e esternos altamente modificados, com amplo espaço de fixação para músculos peitorais poderosos, assim como as aves voadoras modernas.
Portanto, é razoável acreditar que seus músculos das asas eram bastante robustos. O segredo não era só a força, era a leveza. O quetzalcoatlus não era um "dinossauro" pesado, ele era um pterossauro, o que significa que ele tinha ossos pneumáticos, ocos e reforçados internamente, funcionando como "fibra de carbono natural", o que aumentava o volume do seu sistema respiratório, permitindo que eles fornecessem toneladas de oxigênio para todos os músculos de voo!
Tudo isso provavelmente ajudou o corpo enorme de um quetzalcoatlo a se manter no ar. Mas decolar é a parte mais difícil e que exige mais energia do voo.
As aves voadoras usam os músculos fortes das pernas para se lançarem no ar; é por isso que quanto maior a ave, maiores e mais poderosas tendem a ser suas pernas.
Por exemplo, para o andorinhão-preto (Apus apus), com suas pernas extremamente curtas, fracas e atrofiadas, pousar em superfícies planas é equivalente a uma pena de morte, mas suas asas longas e estreitas permitem que ele passe de 10 meses até 3 anos no ar, só pousando quando encontram penhascos, paredes verticais e lugares elevados, onde possam se pendurar e prosseguir o vôo, apenas se soltando no vazio.
Os pterossauros gigantes eram tão grandes que, para saltar no ar como as aves, precisariam de pernas verdadeiramente gigantescas, o que os tornaria pesados demais para voar.
Então, eles resolveram todo o problema da decolagem de uma maneira diferente: usaram suas poderosas asas com o duplo propósito de decolar e bater as asas. Estudos mostram que eles usavam tendões massivos nos braços que agiam como molas, armazenando energia antes do pulo para "catapultar" o corpo para cima antes de começar a bater asas.
E essa estratégia é tão eficiente que os morcegos também a desenvolveram independentemente. Aliás, acho que este é o meu fato favorito sobre pterossauros gigantes e morcegos, claro.
Mas há que asseverar que apenas dois gêneros de morcegos-vampiros conseguem alçar voo voluntariamente. Os outros 198 gêneros, conformando mais de 4000 espécies, são mais parecidos ao andorinhão, e pousam de cabeça para baixo em locais altos para facilitar a decolagem, pois suas asas não geram sustentação suficiente para decolar do chão como as aves.
Bater asas daquele tamanho o tempo todo consumiria energia demais. Então o Quetzalcoatlus agia como um planador de elite, aproveitando correntes de ar quente (térmicas) para subir e planava a mais de 100 km/h. Era basicamente um asa-delta com bico.
O andorinhão faz o mesmo, aproveitando as térmicas para acasalar e praticar a cópula aérea acrobática, se fartar com o rodízio de insetos que voam diante de seus bicos, e tirar uma confortável e quentinha soneca.
Quando você analisa todas as evidências e os fatos, faz todo o sentido que esses pterossauros gigantes realmente pudessem planar. Eles podem parecer grandes e desajeitados demais, mas o quetzalcoatlus foi o mais próximo que já chegamos de um porco voador.
Os porcos hoje em dia, é claro, raramente voam, a não ser como o Algie da capa do álbum "Animals" (1977), como uma metáfora de crítica social e ganância burguesa.
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