![]() | No Brasil, canais e vídeos do YouTube superam regularmente a audiência de emissoras tradicionais e de programas consagrados da TV aberta. Isso se deve ao fato de que o YouTube deixou de ser algo restrito ao computador ou celular. Milhões de pessoas assistem a criadores de conteúdo diretamente na tela da sala através de Smart TVs com a vantagem de assistirem quando e na hora que quiserem. Ao contrário da TV aberta, cujo público é limitado ao horário de exibição do programa, os vídeos no YouTube ficam disponíveis sob demanda. |

Isso permite que um único vídeo de um Youtuber acumule dezenas de milhões de visualizações ao longo de meses ou anos, um feito impossível na TV.
Nesse sentido, a BBC passou a publicar compilações de longa duração (3 horas) no canal BBC Earth do YouTube, para capitalizar na rede programas e documentários que foram ao ar um ou dois anos atrás.
O formato, que à princípio parece muito grande, responde a enorme demanda por televisão "ambiente" e de fundo. Esta estratégia oferece alívio do estresse e visualização para estudo a um público global, competindo diretamente com o conteúdo popular de vídeos sobre natureza em loop.
Esses vídeos estendidos servem a vários propósitos estratégicos importantes. Edições de longa duração permitem que os usuários desfrutem de imagens impressionantes em 4K e da voz relaxante de David Attenborough enquanto trabalham, estudam ou relaxam.
Ao reempacotar momentos clássicos e recentes de seus famosos documentários em clipes superdimensionados, a BBC mantém os espectadores em seu canal por períodos mais longos, o que, algoritmicamente, aumenta a visibilidade do canal BBC Earth no YouTube.
Dessa forma, oferece aos fãs acesso fácil e gratuito a algumas das melhores histórias sobre história natural, sem a necessidade de um pacote de televisão pago ou assinatura de serviços de streaming.
Ademais, a BBC costuma lançar compilações ampliadas para celebrar transmissões marcantes ou eventos temáticos, mantendo o legado de Attenborough sempre presente nas plataformas digitais.
Na contramão dessa linha editorial temos a queda de audiência da Globo e de seus canais pagos, como a GloboNews, um fenômeno real e multifatorial, que envolve uma mudança profunda nos hábitos do público, o crescimento do streaming, além de críticas crescentes à linha editorial da emissora.
A política desempenha um papel significativo. Devido à cobertura jornalística incisiva e às suas posições editoriais, a emissora tornou-se um alvo frequente de polarização. A percepção de viés ideológico, com críticas vindas tanto de apoiadores de direita quanto de esquerda em diferentes momentos, afasta uma parcela do público que discorda das narrativas transmitidas na rede se torna Globo Lixo para ambos os espectros.
Embora a GloboNews costume liderar o ranking de notícias na TV paga, seus números flutuam e as vezes zeram. Vídeos diários do Dalagnol no Youtube têm mais audiência que toda a grade diária do canal, que já registrou quedas drásticas de público pelo crescimento de canais concorrentes e pela migração do público para a internet.
Uma das críticas mais frequentes feitas ao jornalismo atual da emissora (e de outras) é que os apresentadores se tornaram porta-vozes das notícias.
Muitos telespectadores apontam que os jornalistas e apresentadores deixaram a postura de pura isenção para emitir opiniões, fazer juízos de valor e adotar tons informais durante as transmissões.
Essa transição transforma a entrega de notícias em "jornalismo opinativo" ou "engajado", o que costuma fidelizar parte da audiência, mas também gera forte rejeição em outra parte do público.
Além das questões políticas e editoriais, a queda de audiência da TV aberta tradicional é um reflexo direto da mudança no comportamento do consumidor, que hoje tem fácil acesso a plataformas de streaming, YouTube e redes sociais.
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