![]() | A história da humanidade remonta a tempos tão remotos que é quase incompreensível. Há pouco mais de 70.000 anos, a humanidade estava reduzida a um pequeno grupo de cerca de mil adultos reprodutivos que sobreviveram a um desastre natural que quase dizimou nossa espécie. Alguns cientistas acreditam que todos os humanos modernos compartilham DNA com esse grupo. Outros argumentam que, assim como os dinossauros, quase fomos extintos. Estávamos evoluindo como espécie, buscando alimento, formando comunidades e povoando o planeta, até que o Monte Toba interrompeu a linha do tempo. |

Criado pelo Gemini.
Vamos viajar de volta à Idade da Pedra Lascada, ou período Paleolítico, quando a vida humana esteve ameaçada de extinção.
Os Homo sapiens que viveram em 70.000 a.C. eram caçadores e coletores, adaptando-se constantemente às mudanças climáticas da era glacial. Mal sabiam eles que seu ambiente estava prestes a ser transformado para sempre.
Durante o período Paleolítico Médio, os humanos arcaicos, os "neandertais", estavam fortalecendo conexões, aprimorando suas dietas, reproduzindo-se e inventando ferramentas para se locomover em seus cantos do mundo.
Então, o Monte Toba, localizado na atual Sumatra, Indonésia, entrou em erupção, lançando rocha vaporizada no ar. Para se ter uma ideia da magnitude da erupção, o Monte Vesúvio, de Pompeia, ejetou três quilômetros cúbicos de material, o Monte Tambora, do Ano Sem Verão, 80 e o Monte Toba, 2.800. A erupção foi tão imensa que as cinzas desse desastre ainda são visíveis nos registros geológicos até hoje.
Como se o clima já não estivesse instável o suficiente, os humanos agora contemplavam um sol "encoberto" por cerca de seis anos devido às cinzas, causando um extenso resfriamento global e a destruição de recursos.
Alguns morreram imediatamente, enquanto comunidades inteiras em outros continentes sucumbiram à fome. A Terra experimentou uma queda impressionante de cinco a nove graus na temperatura, com efeitos que persistiram por milhares de anos.
As estimativas sobre a diminuição da população variam. Alguns especialistas sugerem que a humanidade foi reduzida a 1.000 indivíduos reprodutivamente ativos; outros acreditam que o número foi ainda menor. Os sobreviventes se reproduziram lentamente, devido às condições adversas e à escassez de alimentos.
Segundo a BBC, as consequências da erupção acabaram por obrigar as pessoas a unirem-se em grupos maiores para sobreviver, e essas comunidades, por sua vez, prosperaram.
A erupção do vulcão Toba não foi o último evento climático a ameaçar a existência humana. Há aproximadamente 14.500 anos, segundo a NOAA, o Hemisfério Norte passou por um resfriamento abrupto antes de aquecer consideravelmente, permitindo a transição para a época atual.
Essa mudança drástica, conhecida como "Dryas Recente", causou novamente uma queda significativa na população humana, e nossa espécie levou mais de dois mil anos para se recuperar.
Por fim, entramos na Época do Holoceno e no Neolítico, quando os humanos neolíticos experimentaram um crescimento populacional explosivo e estabeleceram assentamentos agrícolas.
Climas estáveis e alimentos abundantes permitiram que as comunidades crescessem, gerando a necessidade de mão de obra qualificada que, em última análise, lançou as bases para a sociedade moderna.
Em 200 a.C., a população mundial já ultrapassava um milhão; em 1804, chegou a um bilhão. Em 2026, há mais de 8,3 bilhões de pessoas na Terra. Este marco do mundo pode remeter à clássica página do Mundômetro do MDig, onde é possível ver como o número aumenta rápida e inexoravelmente. Eu fiz este script, baseado no relógio PC, faz quase 20 anos e seus números continuam bastante pertinentes.
Isso equivale a cerca de 56 pessoas por quilômetro quadrado. Embora nossa tecnologia para prever eventos catastróficos seja melhor do que nunca, não estamos imunes a calamidades. Se o Monte Toba e os neandertais nos ensinaram alguma coisa, é que continuamos à mercê da sempre imprevisível Mãe-Natureza.
O seguinte vídeo da Global Stats, que faz comparação de dados, informa que em 10.000 antes de cristo, a região que hoje está o Brasil tinha a segunda maior população do mundo, só atrás do México, algo em torno de 500 mil pessoas. Isto está certo?
Entrei em contato com o administrador do canal e ele não respondeu. Esses canais de gráficos animados não fazem pesquisas arqueológicas próprias; eles baixam planilhas prontas de modelos computacionais de macro-história, sendo o mais famoso deles o HYDE (History Database of the Global Environment), que gera distorções absurdas quando olhamos para o passado remoto.
Nenhum arqueólogo ou demógrafo histórico sério que estuda o período Paleoíndio (como os pesquisadores que escavam a Serra da Capivara no Piauí ou Lagoa Santa em Minas Gerais) valida a ideia de que o Brasil abrigava quase meio milhão de pessoas em 10.000 a.C.
Nessa época, o planeta estava saindo da última era glacial. Os grupos humanos no território brasileiro eram nômades, altamente móveis e compostos por bandos muito pequenos (geralmente de 20 a 50 pessoas por grupo).
Para haver 500 mil pessoas no Brasil em 10.000 a.C., seria necessária uma densidade demográfica que só é possível com agricultura consolidada ou cidades, algo que simplesmente não existia nas Américas naquele momento.
Esses vídeos são ótimos para entender a evolução do crescimento populacional a partir da Revolução Industrial ou da Idade Média, mas para períodos como 10.000 a.C., os dados que os algoritmos geram são meras especulações matemáticas que entram em forte contradição com o registro fóssil e arqueológico real.
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