![]() | Ninguém sabe ao certo quando ocorreu o primeiro casamento. As pessoas se casam há milhares de anos. É uma instituição antiga, mas, para algumas pessoas, talvez seja um pouco antiga demais. 89% da população mundial vive hoje em países com taxas de casamento em queda, Brasil no meio. Isso é especialmente evidente nos países mais ricos. Entre as 38 nações da OCDE, a maioria registrou entre 7 e 10 casamentos por 1.000 habitantes em 1970. Em 1995, esse número caiu para cerca de 5 a 7 casamentos. E continua a despencar até hoje, que é de 2 a 3 casamentos. |

Então, por que isso está acontecendo e será que isso significa o fim do casamento como o conhecemos?
A verdade é que este declínio tem nome e sobrenome: o Homo sapiens masculino. Os homens estão cada vez mais se afastando de relacionamentos de longo prazo e da formação de famílias devido às mudanças na realidade econômica, ao desejo de autonomia pessoal e à percepção de falta de segurança emocional nos relacionamentos modernos.
Muitos acreditam que os riscos de responsabilidades legais e financeiras em caso de separação superam os benefícios tradicionais do casamento.
A tendência de homens se afastarem do compromisso é impulsionada por uma combinação de fatores sociais, legais e econômicos. Uma das principais preocupações de muitos homens é a estrutura legal que envolve o direito de família, porque percebem o sistema judicial e os tribunais de família como tendenciosos.
Junte-se a isso o denuncismo. A juíza Jaqueline Cherulli disse em um congresso em 2015, que 80% das denúncias de abusos contra mulheres são falsas no Brasil. Se levarmos em conta que, sem nenhuma prova ou contraprova, a última palavra é da mulher, dá para inferir que tem muito homem sendo condenado sem ter culpa.
O denuncismo é extremamente preocupante, onde o debate sobre a validade da palavra da vítima e as falsas acusações envolve visões jurídicas e sociais distintas.
Embora o sistema de justiça brasileiro exija investigações, especialistas divergem sobre o peso atribuído a esses relatos, enquanto a complexidade e a insegurança jurídica são frequentemente apontadas como fatores de atrito nas relações.
No âmbito de crimes de violência doméstica ou sexual, a palavra da vítima é considerada uma prova de extrema relevância, especialmente por esses delitos ocorrerem majoritariamente na clandestinidade, sem a presença de testemunhas.
Ainda que a legislação brasileira estipule que nenhuma condenação pode se basear exclusivamente na palavra da acusação, havendo a necessidade de outros elementos de prova para corroborar a denúncia; na vida real a gente sabe que a coisa não ocorre bem assim.
Basta ver o festival de denúncias de passageiras pilantras contra motoristas do Uber. Um short no Youtube ou no Instagram e o motorista vê sua vida arruinada. Se o cara do vídeo abaixo não tivesse gravado a corrida, ele certamente estaria na cadeia neste momento.
Existe um debate jurídico sobre o impacto de medidas preventivas, como as medidas protetivas de urgência da Lei Maria da Penha. Elas podem ser concedidas rapidamente para resguardar a integridade física da mulher, o que, segundo críticos, pode gerar prejuízos sociais e restrições aos homens antes do julgamento final.
A falsa denúncia configura crime de denunciação caluniosa (Artigo 339 do Código Penal), resultando em sanções penais para a acusadora. Mas, de novo, como o homem vai provar que a denúncia é caluniosa?
A alta taxa de divórcios sem culpa e a ameaça de graves perdas financeiras por meio de pensão alimentícia, sustento dos filhos ou partilha de bens fazem com que o compromisso formal pareça um risco inaceitável para alguns.
Existe um debate constante e muita ansiedade em torno da guarda dos filhos, com muitos pais sentindo que o sistema legal os marginaliza rotineiramente ou prioriza automaticamente a mãe.
A insatisfação masculina frequentemente gira em torno de como os conflitos de guarda e de direito de família são geridos pelo Judiciário. Os pontos principais abordados por defensores dos direitos paternos incluem o uso tático de acusações e na inversão do ônus.
Críticos apontam que denúncias de abuso ou violência baseadas na Lei Maria da Penha ou no Estatuto da Criança e do Adolescente (ECA) podem ser utilizadas de forma estratégica em disputas de guarda para afastar o pai imediatamente.
A concessão de medidas protetivas de urgência ou decretações de prisão por descumprimento de ordens judiciais (muitas vezes ligadas a pensão alimentícia ou visitas conturbadas) ocorre de forma célere.
Homens que passam por isso argumentam que a presunção de inocência é mitigada na prática jurídica cotidiana. O desgaste emocional de processos longos, avaliações psicológicas demoradas e o peso de restrições legais levam muitos pais à "exaustão processual", resultando no abandono ou na desistência de ver os filhos devido à dor da situação.
Isso aconteceu comigo. Depois do grande desgaste emocional de ver os filhos que eu amo só a cada 15 dias e ser preso, sem nenhum motivo, 3 vezes, desisti. "Piquei a mula" de Curitiba e me enfiei na Amazônia trabalhando pela Embratel. Lógico que a partir dai fui "pintado" de monstro e tive o contato ainda mais restrito com meus filhos, mas a pensão nunca faltou.
Quem critica o atual sistema defendemos que a alta prevalência de violência real contra a mulher não justifica negligenciar ou relativizar o impacto devastador de uma notificação falsa na vida de um homem inocente, sobretudo àqueles que odiamos a violência e defendemos os preceitos da identidade de gênero. Cada falsa acusação deve ser tratada como um erro grave do sistema, independentemente de índices gerais.
Há um forte descontentamento com discursos que tratam o comportamento masculino como intrinsecamente perigoso, de que todo homem é "tóxico". Sentir-se previamente julgado pela própria identidade de gênero gera um sentimento de isolamento e revolta institucional.
A ascensão dos movimentos feministas e a mudança dos papéis de gênero alteraram fundamentalmente o panorama dos relacionamentos amorosos. Alguns homens citam o feminismo tóxico ou a adoção de dinâmicas excessivamente conflituosas em relacionamentos amorosos como razões para se afastarem.
Eles relatam se sentirem injustamente rotulados ou terem suas características tradicionalmente masculinas desvalorizadas.
Com o aumento da conscientização sobre consentimento e assédio, muitos homens expressam cautela ou medo de fazer investidas românticas, frequentemente sentindo que abordar mulheres acarreta um alto risco de serem rotulados como predadores.
Ademais, muitos homens mais jovens enfrentam instabilidade econômica e estagnação salarial. Como o papel tradicional de provedor masculino ainda é uma forte expectativa social, aqueles que não conseguem garantir segurança financeira muitas vezes se sentem inadequados ou se veem como "material para casamento".
Muitos homens estão simplesmente reavaliando suas prioridades, optando pela "paz" da vida de solteiro em vez das exigências de um relacionamento.
Custo versus recompensa: os homens hoje avaliam o trabalho emocional e os custos financeiros dos relacionamentos modernos e, muitas vezes, concluem que o esforço traz mais estresse do que recompensa.
Estudos psicológicos e observações sociológicas sugerem que, em uma era altamente tecnológica e independente, os homens podem encontrar apoio emocional, hobbies e uma comunidade fora do casamento tradicional.
Assim andam as coisas: a percepção de desigualdade jurídica, o medo de falsas alegações e a desconfiança mútua são frequentemente discutidos como elementos que contribuem para a erosão da confiança nos relacionamentos.
As redes sociais também têm sua parcela de culpa no cartório e isso é notório se lavarmos em conta que a queda n número de casamento e o aumento de divórcios se acentuou a partir da década de 2010, um período que coincide com a popularização das redes sociais.
Nos anos 70 os casais se conheciam majoritariamente entre os amigos e a família. E esta tendência se manteve até os anos 90 quando a família deu lugar ao ambiente de trabalho.
Em meados dos anos 2000 surge um monstro que chegou ao primeiro lugar com quase 30%: as redes, que ali se mantém até hoje com mais de 60%.
Em resumo, na dificuldade em alinhar expectativas afetivas e de convivência, o debate sobre a legislação e a igualdade perante a lei continua a mobilizar o poder legislativo, enquanto a sociedade busca -ou ao menos devia- equilibrar a proteção efetiva contra abusos com a garantia do devido processo legal e da presunção de inocência.
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