
Hoje, sabemos que essas algas são as maiores plantas marinhas; já havia relatos, no final do século XIX, de gigantes como essas sendo trazidas à tona de profundidades enormes.
Mas, após a descoberta no Mediterrâneo, pescadores, oficiais da marinha e cientistas começaram a encontrar outras algas mesofóticas gigantescas no Mar das Filipinas e nas costas do Brasil, da Austrália e da América do Norte.
Houve até relatos de plantas desse porte sendo trazidas de profundidades de até 150 metros. Isso é mais profundo do que a altura da Grande Pirâmide de Gizé. Essas florestas, em teoria, não deveriam existir. Como qualquer outra planta, essas algas precisam de luz para crescer.
No entanto, esses espécimes atingem tamanhos iguais ou até maiores do que os de suas equivalentes de águas rasas. Tudo isso com menos luz do que, supostamente, precisariam apenas para sobreviver.
Por outro lado, a zona mesofótica é a fronteira entre dois mundos: um onde a vida depende da energia fornecida pela luz solar e outro onde a vida aprendeu a existir na escuridão.
Então, como esses organismos grandes e dependentes de luz se adaptaram para prosperar em tais profundidades?
Pesquisadores ainda investigam a resposta para essa pergunta, mas já possuem algumas teorias. Essas algas mesofóticas realizam a fotossíntese de forma mais eficiente do que as de águas rasas; alguns sugerem que isso se deve à sua grande área de superfície em relação à biomassa, o que permite maximizar a captação de luz e minimizar a respiração.
Mesmo levando em conta essas adaptações, as pesquisas atuais sugerem que as florestas de algas de águas profundas não realizam fotossíntese suficiente para sustentar seu crescimento e respiração, nem mesmo quando a incidência de luz solar é máxima.
Então, o verdadeiro segredo do sucesso delas pode ser a economia de recursos. A fotossíntese depende de quatro ingredientes principais: luz solar, água, nutrientes e CO2. E, embora a luz solar seja extremamente escassa, as profundezas do oceano são ricas em água e nutrientes. Também são ricas em CO2.
No entanto, a maior parte do CO2 marinho está na forma de bicarbonato, cuja conversão exige muita energia. A maioria das plantas aquáticas desenvolveu mecanismos para lidar com esse processo que consome muita energia, mas as kelps de águas profundas optam pelo caminho mais fácil.
Como as águas mais profundas contêm mais CO2, que não precisa ser convertido, elas obtêm o que necessitam por meio de difusão passiva, um processo que consome pouca energia.
As algas gigantes mesofóticas também economizam energia por não precisarem produzir um "protetor solar molecular", algo que as plantas geralmente necessitam para evitar danos causados pelo excesso de luz solar.
Esses não são os únicos truques que essas algas utilizam para conservar energia. Nos meses mais escuros de inverno, elas reduzem sua respiração e sobrevivem graças às reservas de carbono acumuladas durante o verão.
Essa adaptação é semelhante à forma como as florestas de algas gigantes polares de águas rasas sobrevivem a meses de escuridão. Mas, embora o acesso à luz solar dessas algas mesofóticas também varie conforme as estações, a temperatura nas profundezas do oceano permanece bastante constante.
Assim, elas não precisam enfrentar oscilações extremas de temperatura. Isso permite que essas florestas sirvam como um refúgio climático, oferecendo um habitat estável para espécies de zonas mais rasas que fogem de ondas de calor marinhas.
As algas gigantes também absorvem parte do CO2 atmosférico responsável pelas mudanças climáticas. De fato, os detritos dessas algas continuam realizando a fotossíntese e absorvendo CO2 enquanto descem em direção ao fundo do oceano.
Os pesquisadores ainda estão investigando o impacto exato desse processo no ciclo do carbono. Ainda há muito a aprender sobre as florestas ocultas do oceano.
Na verdade, nem sequer sabemos qual é a extensão do fundo do mar que elas cobrem. Como a maioria dessas florestas de algas é invisível para os satélites, os pesquisadores precisam utilizar robôs submarinos de última geração para encontrar a resposta. Esses veículos operados remotamente (ROVs) conseguem explorar e filmar profundidades muito além do alcance humano.
Com a ajuda deles, biólogos marinhos já descobriram novas florestas de algas gigantes, como as situadas ao largo da costa tropical das Ilhas Galápagos. Mas, considerando quantas surpresas essas florestas impossíveis já revelaram, quem sabe que outros mistérios elas escondem?
A presença de kelps no Brasil foi um alarme mais ou menos falso, pois essas grandes algas marrons exigem águas frias e ricas em nutrientes típicas de regiões temperadas ou subpolares.
Ocasionalmente, exemplares isolados ou fragmentos dessas algas são trazidos por correntes marinhas até o litoral sul do país, especialmente em Santa Catarina.
Em 2017, o jornal da Federal do estado registrou que biólogos investigaram o raríssimo aparecimento de algas gigantes de mares frios na costa de Santa Catarina.
Os exemplares encontrados viajaram milhares de quilômetros impulsionados por correntes marinhas vindas de regiões antárticas ou temperadas do Atlântico Sul.
Embora impressionassem pela escala para o padrão local -atingindo mais de um metro-, não chegavam a formar o bioma complexo de florestas subaquáticas visto no hemisfério norte ou na Patagônia.
As algas e os oceanos formam o verdadeiro "pulmão do mundo", mas o papel principal na produção de oxigênio não é das algas kelp, e sim do fitoplâncton. As algas marinhas e os plânctons produzem mais da metade do oxigênio do planeta. Já a Amazônia produz muito oxigênio, mas consome quase tudo na respiração e na decomposição.
Nesse caso, a afirmação "Amazônia é o pulmão do mundo" não lhe parece néo-colonialismo verde barato, ainda que, lógico, a importância da floresta seja real e sua conservação atende a interesses climáticos legítimos.
A correlação "Amazônia-pulmão" surgiu na década de 1970 e foi impulsionada por um "erro de tradução" da mídia internacional sobre dados de absorção de gases. O jargão popularizou-se na mídia global e entre ambientalistas que o repetem ad vomitum quando a floresta pega fogo.
Pega fogo em Portugal, pega fogo na Espanha, pega fogo na Sibéria e escutamos justificativas de combustão espontânea de terceira geração. A Amazônia arde é coisa do brasileiro piromaníaco malvadão.
Cientificamente, as florestas maduras consomem quase todo o oxigênio que produzem através da própria respiração das árvores e decomposição.2. O conceito de "Colonialismo Verde"As acusações de colonialismo ecológico ou "colonialismo verde" ocorrem quando
As nações do Norte Global utilizam uma vez e outra também esta pauta ambiental para intervir nas decisões soberanas de países em desenvolvimento. O discurso de "salvar a floresta" é repetidamente usado por países desenvolvidos como justificativa para criar barreiras comerciais contra as exportações do agronegócio brasileiro.
Tentam internacionalizar o debate sobre o controle de recursos estratégicos da Amazônia, quando não foram convidados para nenhum debate, que de fato não existe.
Europeus são especialistas em repassar a responsabilidade da preservação ao Sul Global, para ditar regras econômicas ao Brasil, enquanto o Norte continua sendo o maior emissor histórico de poluentes pela queima de combustíveis fósseis. Vão cagar no mato!
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