![]() | Você já passou por isso. Você conecta seu celular a um carregador potente e a tela indica "carregamento rápido". É ótimo carregar a bateria em minutos em vez de horas, mas, no fundo da sua mente, uma vozinha repete um aviso que você ouviu mil vezes: o carregamento rápido está destruindo sua bateria. Tratamos nossos eletrônicos como vidro frágil, morrendo de medo de que carregá-los rápido demais estrague permanentemente sua vida útil. Mas será que isso é verdade? Ou estamos nos apegando a mitos ultrapassados da época dos celulares de abrir e fechar? |

A facilidade para recarregar sua bateria em poucos minutos trouxe diversos benefícios aos usuários, principalmente àqueles que usam o celular muitas vezes por dia.
O carregamento rápido é um recurso cada vez mais popular, mas nem todos os aparelhos usam o mesmo tipo de carregador e nem todos os carregadores rápidos suportam os diversos padrões.
Para entender nossa ansiedade com as baterias, precisamos voltar aos anos 1990. Naquela época, nossos aparelhos funcionavam com baterias de níquel-cádmio. Essas células de energia mais antigas tinham um problema conhecido chamado "efeito memória".
Se fossem carregadas repetidamente após pouco uso, pareciam perder parte de sua capacidade útil, fazendo com que a bateria parecesse mais fraca com o tempo.
Por isso, aprendemos a ser extremamente cuidadosos. Deixávamos a bateria chegar a zero, carregávamos lentamente até 100% e entrávamos em pânico se fizéssemos algo errado.
Essa ansiedade virou um hábito passado de geração em geração. Mas os smartphones modernos não usam níquel-cádmio; eles usam íons de lítio. E as baterias de íons de lítio não sofrem do efeito memória. Elas funcionam com base em princípios científicos completamente diferentes. Não importa quando você as conecta à tomada; o que importa é como a energia é inserida nelas.
Então, como funciona o carregamento rápido moderno? Pense na sua bateria de íons de lítio como uma esponja de cozinha seca. Se você despejar água de uma vez só sobre uma esponja seca, ela a absorve instantaneamente. Mas, à medida que a esponja enche, é preciso despejar a água bem mais devagar, caso contrário, ela transborda pelas bordas.
O carregamento rápido segue uma lógica surpreendentemente parecida. Ele ocorre em duas fases. Quando a bateria está fraca, o carregador envia uma enorme quantidade de energia para o celular. É por isso que você consegue ir de 0% a 50% em apenas 15 minutos.
Em níveis de carga baixos, a bateria consegue receber correntes de carga muito mais altas com segurança, permitindo um carregamento bem mais rápido. Mas, quando a bateria atinge cerca de 70% ou 80%, começa a segunda fase.
Um microchip inteligente dentro do seu celular se comunica com o carregador e avisa: - "Ei, pega leve. Estou quase cheia."
A velocidade de carregamento cai drasticamente para proteger a química interna da bateria de um esforço excessivo. Graças a esse pequeno microchip inteligente, a alta velocidade do carregamento rápido não danifica a sua bateria.
O sistema se autorregula com segurança. No entanto, o carregamento rápido gera um subproduto, e esse subproduto é o verdadeiro vilão da nossa história: o calor.
Baterias de íons de lítio detestam temperaturas extremas. Quando você usa o carregamento rápido enquanto joga um game pesado ou deixa o celular "fritando" no painel de um carro quente, o calor acelera reações químicas internas que reduzem gradualmente a capacidade de armazenamento de energia da bateria. É isso que acaba com a vida útil da bateria, e não a velocidade da carga em si.
O outro assassino silencioso? Os extremos. Baterias de íons de lítio sofrem menos desgaste a longo prazo quando permanecem a maior parte do tempo com carga entre 20% e 80%. Descarregá-las totalmente até zero ou deixá-las travadas em 100% por dias acaba sobrecarregando a bateria com o tempo.
Para criar celulares com carregadores turbo, a maioria dos fabricantes aumenta a corrente ou a voltagem para aumentar a energia que chega ao dispositivo. Os padrões de carregamento rápido variam a voltagem em vez de aumentar a amperagem.
Vale ressaltar que seu aparelho só consumirá a energia que seu circuito de carregamento foi projetado. Portas USB 3.0 padrão, por exemplo, saem em um nível de 5 V/ 1 A para dispositivos menores. A maioria dos telefones suportam 5 V/2,4 A.
Em resumo, mesmo que seu carregador seja de 5 V/3 A, seu celular carregará apenas naquela faixa para a qual ele é projetado. Para que isso funcione não basta um carregador rápido: seu dispositivo precisa de um circuito de carga capaz de usar um dos padrões de carregamento turbo.
Então, você pode finalmente relaxar. O carregamento rápido é uma tecnologia incrivelmente inteligente e altamente regulada. Desde que você não deixe o celular superaquecer, pode conectá-lo à tomada sem medo.
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