![]() | Quando uma panda dá à luz gêmeos na Base de Pesquisa de Criação de Pandas-Gigantes de Chengdu, na China, a equipe usa um pouco de habilidade manual para manter os dois filhotes vivos, baseado na ingenuidade natural desses animais. Logo após o nascimento, os tratadores retiram um dos filhotes, enganando a mãe para que ela pense que tem apenas um bebê. Os gêmeos são então trocados até 10 vezes por dia para manter a ilusão de que há apenas um filhote. Um dos filhotes fica com a mãe quase o tempo todo, enquanto o outro é mantido em uma incubadora e alimentado com leite artificial. |

Metade dos nascimentos de pandas resulta em gêmeos; no entanto, é muito raro que ambos os filhotes sobrevivam, pois os pandas-gigantes (Ailuropoda melanoleuca) quase sempre abandonam um filhote se tiverem mais de um.
O motivo é que eles não têm leite ou energia suficiente para cuidar de dois, então concentram sua atenção no filhote mais forte. Criar um filhote é difícil para os pandas, pois eles se alimentam de bambu, que tem baixo valor nutricional, e as mães precisam equilibrar sua própria sobrevivência com a do filhote.
Isso quer dizer quer dizer que, infelizmente, na natureza quase sempre um dos filhotes morre, pois a mãe panda quase nunca consegue cuidar de ambos. Isso acontece por motivos biológicos e evolutivos muito específicos.
O leite da panda é muito pobre em nutrientes, e ela precisa passar até 14 horas por dia comendo bambu apenas para sobreviver. Os filhotes são totalmente altriciais: nascem minúsculos (do tamanho de um rato) pelados, cegos e indefesos, pesando cerca de 100 gramas. O bebê não consegue regular a própria temperatura corporal. A mãe precisa segurá-lo contra o peito o tempo todo, usando as patas.
Como a mãe panda não tem braços ou anatomia adequados para segurar dois bebês ao mesmo tempo contra o corpo, ela escolhe o filhote mais forte e foca toda a sua energia nele. O outro filhote, deixado de lado, acaba morrendo de frio ou fome poucas horas após o parto.
Em cativeiro, a técnica do revezamento (trocar os bebês sem a mãe perceber) foi criada justamente para salvar o filhote que seria rejeitado na natureza.
O processo de convencer a panda a entregar seu filhote exige muita paciência dos tratadores. Eles usam uma tigela com água e mel para acalmar a mãe enquanto tentam retirar o filhote. Para não estressar a panda, essa negociação precisa ser repetida até que ela confie o suficiente nos tratadores para permitir que manuseiem seu filhote.
Este método abre a possibilidade de uma taxa de sobrevivência de 100% em filhotes de panda em cativeiro. É um problema que a Base de Pesquisa de Chengdu vem tentando resolver há décadas. Antes de 1990, a taxa de sobrevivência entre gêmeos era de apenas 30%.
Já houve um caso registrado de trigêmeos de pandas que nasceram e sobreviveram em cativeiro. O nascimento histórico ocorreu em 29 de julho de 2014 no parque Chimelong, localizado em Guangzhou, na China.
O trio quebrou recordes mundiais ao se tornar o primeiro conjunto de trigêmeos de pandas-gigantes a nascer e sobreviver à fase crítica de infância e crescer com saúde.
No ano passado os trigêmeos comemoraram seu aniversário de 11 anos no parque na China com bolos temáticos de bambu. Mengmeng, a única mocinha já é mamãe.
Os pandas-gigantes são tão populares quanto ameaçados. Estão classificados como espécie "vulnerável" pela IUCN (União Internacional para a Conservação da Natureza) em uma avaliação publicada em 2016.
De acordo com
O censo oficial clássico registrou 1.864 pandas selvagens, mas atualizações recentes do governo indicam que a população se aproxima de 1.900.
Embora esse número represente um aumento em relação aos anos anteriores, toda essa população pode estar ameaçada. Prevê-se que os danos ambientais causados pelas mudanças climáticas nos próximos 80 anos destruirão mais de 35% dos habitats de bambu dos pandas.
Por outro lado, o sucesso da preservação ajudou a tirar a espécie da lista de animais "em perigo", passando para "vulnerável".
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