![]() | Após horas de atraso naquele ambiente entediante do aeroporto, seu voo noturno finalmente está embarcando, e aquele cochilo tão esperado logo estará ao seu alcance. Mas, à medida que a fila anda e trava uma vez e outra, é impossível não pensar: - "Mas que diabos!!! Deve haver uma maneira mais rápida de embarcar neste avião." Você não está sozinho ao quase perder a paciência. Matemáticos estudam esse problema há anos, criando diversos métodos de embarque e testando-os com simulações computacionais. |

Esses modelos foram projetados para levar em conta os dois maiores gargalos no embarque de aeronaves. O primeiro é a interferência de assento: quando alguém em um assento próximo à janela tem o caminho bloqueado por pessoas que já estão na mesma fileira.
O segundo é a interferência de corredor: quando passageiros sentados na parte traseira do avião são retidos por pessoas nas fileiras da frente que estão guardando suas bagagens e se acomodando.
Diferentes métodos de embarque tentam resolver esses problemas de maneiras distintas, mas a abordagem mais comum é o embarque da parte traseira para a dianteira. Parece lógico: embarcar primeiro a parte de trás do avião para que os passageiros não precisem passar por outros para chegar aos seus assentos.
E, em simulações com um Airbus A320 para 156 passageiros, todos com bagagem de mão, o embarque da traseira para a dianteira leva cerca de 23 minutos. Nada mal, embora o desempenho seja apenas ligeiramente superior ao da estratégia oposta (embarque da frente para trás), o que sugere que esse método não reduz muito a interferência.
Outras companhias aéreas tentaram acelerar o processo eliminando totalmente a marcação de assentos, partindo do princípio de que os passageiros se acomodem naturalmente, reduzindo o congestionamento.
A escolha livre de assentos reduz em alguns minutos o tempo de embarque no A320, mas não é um método perfeito. A fila tende a desacelerar no final, à medida que os passageiros procuram pelos assentos restantes. E, embora essa liberdade possa ajudar você a evitar uma criança pequena chorando, ela também pode separar grupos que embarcam mais tarde.
Para manter a marcação de assentos e reduzir ainda mais os atrasos, matemáticos desenvolveram o método "de fora para dentro", que embarca primeiro os passageiros dos assentos da janela, depois os do meio e, por fim, os do corredor, reduzindo o tempo de embarque para apenas 16,5 minutos.
Ainda assim, alguns especialistas, incluindo o astrofísico Jason Steffen, acreditavam que havia espaço para melhorias. Jason realizou inúmeras simulações de ordem de embarque até encontrar a mais rápida.
O método de embarque dele, apropriadamente chamado de "método Steffen", permite embarcar totalmente um A320 em apenas 15 minutos. Então, por que as companhias aéreas não o utilizam?
Bem, o método de Jason exige que os passageiros embarquem seguindo um padrão muito específico. Primeiro, preenchem-se as fileiras pares e, depois, as ímpares, utilizando uma combinação dos métodos "de fora para dentro" e "de trás para a frente".
Ao distribuir os passageiros de forma intercalada pela cabine, o método garante espaço suficiente para que todos guardem suas bagagens de mão simultaneamente.
No entanto, o método de Steffen exige uma execução perfeita. Ele requer não apenas que todos os passageiros cheguem ao portão de embarque no horário, mas também que se organizem na ordem exata designada e estejam dispostos a se separar de suas famílias durante o embarque.
Embora esse nível de cooperação dos passageiros possa parecer improvável, não é algo inédito. No início da década de 1970, a empresa aérea Southwest implementou uma política na qual as aeronaves pousavam, desembarcavam, embarcavam e iniciavam o recuo em menos de 10 minutos.
Assim que o avião tocava o solo, os funcionários começavam a retirar as bagagens para os corredores. Quando a aeronave chegava ao portão, os novos passageiros já estavam na fila no pátio, embarcando enquanto os outros desembarcavam.
As pessoas ainda estavam procurando seus assentos enquanto o avião taxiava em direção à pista. Um sistema como esse não seria viável sob os padrões atuais da aviação.
Há também opções de engenharia a serem exploradas. Embarcar uma aeronave de 240 assentos por duas portas, em vez de uma, pode reduzir o tempo de embarque em 5 minutos.
Outra proposta é o assento com deslocamento lateral: o assento do meio é deslocado, permitindo que o assento do corredor deslize sobre ele e alargue temporariamente o corredor, o que poderia reduzir o tempo de embarque em até 20%.
No entanto, embora tempos de embarque mais rápidos possam gerar economia nos custos operacionais das companhias aéreas, é pouco provável que elas invistam nessas reformulações, já que também há valor em manter o processo estressante. Filas longas fazem com que os passageiros estejam mais dispostos a pagar por passagens que permitam embarcar primeiro.
É frustrante, mas, antes de cancelar suas passagens, vale notar que não há muito tempo a ser economizado. Mesmo a estratégia de embarque mais perfeita provavelmente economizaria apenas cerca de 10 minutos.
Então, talvez a melhor solução seja respirar fundo, ser compreensivo com os outros passageiros, tentar aproveitar a viagem e rezar para que não haja uma emergência que desata o "protocolo de 90 segundos" também conhecido como "protocolo Deus me Acuda!!!" para esvaziar a aeronave.
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