![]() | Engana-se quem acha que as câmeras de trilha (ou armadilhas fotográficas) são criações recentes. O criador do método original foi George Shiras III nos anos 1890. Ele usava fios esticados na mata ligados a uma câmera e a um flash de magnésio. O próprio animal esbarrava no fio e tirava a foto. Suas imagens históricas foram publicadas pela Nat Geo em 1906, que definiria o futuro da revista: uma edição inteira repleta de suas belíssimas imagens de veados, guaxinins, linces, castores e outros animais selvagens. |

A controvérsia foi imediata. Dois membros do conselho da Sociedade National Geographic renunciaram em protesto, insistindo que páginas cheias de fotos comprometiam a seriedade da missão científica da organização. Mas o editor manteve-se firme, e a edição fez tanto sucesso que precisou ser reimpressa para atender à demanda.
Para fazer essas fotos pioneiras há mais de um século, ele ultrapassou os limites da tecnologia de sua época. Usando uma lanterna, ele avistava animais selvagens na margem, apontava sua câmera fotográfica e acendia pó de magnésio em uma bandeja refletora improvisada, criando um flash para expor um negativo de vidro por uma fração de segundo.
Hoje, o processo é menos trabalhoso. As câmeras funcionam com um sensor de movimento por infravermelho passivo que detecta o calor corporal e o deslocamento de animais ou pessoas, acionando instantaneamente a lente para tirar fotos ou gravar vídeos salvos em um cartão de memória ou enviados por rede celular.
Foi o que fez o fotógrafo de vida selvagem Robert Martinez capturando uma grande variedade de animais selvagens passando por um riacho na Floresta Nacional de Angeles, situada nas montanhas de San Gabriel, ao norte da grande área metropolitana de Los Angeles, de janeiro a julho de 2026, incluindo uma enchente de inverno da qual sua câmera sobreviveu.
Os animais incluíam ursos, pumas, veados, linces e guaxinins, muitos parando para beber água. A câmera também registrou o encontro inesperado de um urso e um gambá duas vezes em uma semana.
- "Com certeza, é a primeira vez que minha câmera de trilha registra algo assim", disse Robert. - "Não sei exatamente o que está acontecendo, mas é interessante de se ver."
Elas são importantes porque permitem monitorar a vida selvagem de forma não invasiva, registrando animais raros ou de hábitos noturnos sem alterar o comportamento deles e ajudando na conservação da biodiversidade.
A grande vantagem das armadilhas fotográficas é que elas podem registrar dados muito precisos sem perturbar o animal fotografado. Esses dados são superiores às observações humanas porque podem ser revisados por outros pesquisadores.
Elas perturbam minimamente a vida selvagem e podem substituir o uso de técnicas de levantamento e monitoramento mais invasivas, como a captura e soltura de animais vivos.
Elas operam continuamente e silenciosamente, fornecem provas da presença de espécies em uma área, podem revelar a qual espécie pertencem pegadas e fezes, fornecem evidências para decisões de gestão e políticas públicas e são uma ferramenta de monitoramento com boa relação custo-benefício.
As armadilhas fotográficas também são úteis para quantificar o número de diferentes espécies em uma área; este é um método mais eficaz do que tentar contar manualmente cada organismo individual em um campo.
Também pode ser útil para identificar espécies novas ou raras que ainda não foram bem documentadas. Tem sido fundamental nos últimos anos na redescoberta de espécies consideradas extintas. Ao usar armadilhas fotográficas, o bem-estar e a taxa de sobrevivência dos animais podem ser observados ao longo do tempo.
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