![]() | Assim como o ornitorrinco, parece quem a Mãe-Natureza tomou um porre e criou a equidna com o que achava pela frente. O mamífero bizarro, nativo da Austrália e da Nova Guiné, tem de tudo: bota ovos, não têm dentes nem mamilos, come formiga e possui espinhos e um pênis com quatro cabeças, desafiando totalmente o que esperamos de um animal. Surpreendentemente bem adaptado a todos os tipos de habitats, da neve à areia, esses pequenos monotremados são uma das criaturas mais icônicas do mundo. Mas raramente falamos sobre suas peculiaridades reprodutivas, o que é uma pena, porque há muito o que explorar. |

Tomemos como exemplo o cortejo nupcial, também chamado de "trem do amor". Para alguns animais, o cortejo envolve exibições ou danças elaboradas, ou às vezes a oferta de presentes, tudo feito principalmente pelos machos, com destaque para as aves do paraíso.
Mas para a equidna-de-bico-curto (Tachyglossus aculeatus) , uma espécie encontrada em toda a Austrália, os machos cortejam as fêmeas submetendo-se a um longo teste de resistência, e queremos dizer longo no sentido literal da palavra.
Durante a época de reprodução, vários machos seguem uma fêmea por até seis semanas, até que ela escolha um parceiro. Geralmente são apenas alguns machos, mas um cientista já viu até 11 se juntarem a uma fila.
É uma perseguição implacável, sem um destino definido. O objetivo parece ser testar a força e a resistência dos pretendentes da fêmea, garantindo que os machos mais fortes sejam os que transmitirão seus genes.
Ao longo do caminho, os machos podem se desviar da rota, mas são guiados pelo cheiro da fêmea e a localizarão rapidamente novamente.
Alguns machos percorrem grandes distâncias, até mesmo para fora de seus territórios. Isso acontece com "taradões" que viajam alternadamente para frente e para trás, cortejando duas fêmeas diferentes.
Os machos mais jovens do grupo costumam ser os primeiros a desistir por exaustão, ou às vezes por empurrões bastante agressivos de machos maiores. Os empurrões e as desistências continuam até que reste apenas um macho. Só pode restar um!
Ele cava um buraco ao lado da fêmea, fundo o suficiente para conseguir manobrar sua cauda por baixo da dela, e os dois acasalam cloaca com cloaca.
A cópula dura no mínimo 30 minutos e pode chegar a um máximo de 90. Depois disso, eles seguem caminhos separados.
Se você achou o trem de acasalamento estranho, os genitais são ainda mais estranhos, porque os equidnas machos basicamente têm dois pênis fundidos, cada um com seus próprios vasos sanguíneos, tecido erétil e uretra, e cada um dividido em duas pontas. Sim, o pênis do equidna tem quatro cabeças.

Felizmente para a fêmea, ela não usa todas as quatro ao mesmo tempo. Quando os equidnas estão acasalando, apenas duas das quatro cabeças ficam ativas, permitindo que o sêmen saia de um lado do pênis de duas pontas. Se necessário, o macho pode alternar e ejacular pelo outro lado.
Então, por que o equidna precisaria de dois pênis e quatro cabeças? Os cientistas não têm certeza, mas isso pode ter a ver com o sistema reprodutivo da fêmea, que também é excepcionalmente complexo.
Ao contrário dos humanos e da maioria dos mamíferos, os equidnas não urinam pelo pênis, para isso existe a cloaca. Assim, como o pênis é usado exclusivamente para a reprodução, os pesquisadores sugerem que a evolução do pênis do equidna não foi condicionada pela necessidade de que ele funcionasse tanto para urinar quanto para acasalar.
Em outras palavras, um pênis com apenas uma função, que é liberar esperma, pode evoluir para ser muito mais complexo do que um pênis que precisa desempenhar múltiplas funções.

Outra teoria, baseado em um experimento, é que as 4 cabeças poderiam ser uma vantagem para a competição entre machos e fêmeas.
Durante o experimento real8zado em uma equidna viva, mas anestesiada, os pesquisadores descobriram que, alternando pares de cabeças, o indivíduo pode ejacular 10 vezes seguidas sem pausa significativa.
Esta divisão pode ser explicada porque a fêmea também possui dois canais diferentes de fecundação, de forma que o macho teve que evoluir para se adaptar e preparar seu pênis para ejacular simultaneamente em duas vias diferentes, aumentando assim as probabilidades de fertilização.
O MDig precisa de sua ajuda.
Por favor, apóie o MDig com o valor que você puder e isso leva apenas um minuto. Obrigado!
Meios de fazer a sua contribuição:
- Faça um doação pelo Paypal clicando no seguinte link: Apoiar o MDig.
- Seja nosso patrão no Patreon clicando no seguinte link: Patreon do MDig.
- Pix MDig: 461.396.566-72 ou luisaocs@gmail.com




Faça o seu comentário
Comentários