![]() | Ontem, no post sobre o açará-rosa, falamos en passant sobre o bicho-da-goiaba, aquela larvinha que o ser humano se enoja em encontrar metade dela, com base na premissa de que a outra já está no estômago sem que sequer seu gosto fosse sentido com base na justificativa auto-imposta de que "bicho-de-goiaba, goiaba é!. No entanto, se você é apreciador de goiaba sabe muito bem que isto não é verdade. Tente comer uma daquelas minhoquinhas brancas para sentir um amargor característico e desagradável na boca. |

O bicho da goiaba não tem gosto de nada porque ele é pequeno demais em relação à massa da fruta e porque o seu corpo possui fluidos neutros que não alteram o paladar de forma perceptível junto a carne da fruta.
O volume de uma única larvinha perto de uma mordida de goiaba é minúsculo, incapaz de transferir ou concentrar um sabor perceptível. Como a larva é pequena e mole, o sabor predominante na boca continua sendo o da polpa da goiaba ao morder a fruta.
No entanto, se você abrir uma goiaba, geralmente com um "umbigo preto" em seu corpo, antes de mordê-la, vai encontrar um ou muitos bichos dentro dela. Tente comê-lo separadamente e ele terá um gosto no mínimo desagradável de mosca, a da fruta.
Os chamados bicho-do-coco, larva do besouro Pachymerus nucleorum, também chamada de gongo ou coró, que se alimenta da parte fibrosa e gordurosa do coco seco, ou larvas de amendoim, muitas vezes vivem em ambientes secos e concentrados onde o óleo do alimento permeia o micro-habitat da praga, o que gera uma percepção diferente
O bicho-do-cocom, uma das espécies da família dos bruquídeos, que têm ampla distribuição no Brasil, tem gosto de coco porque ele se alimenta exclusivamente da amêndoa da fruta (como o babaçu) durante toda a sua fase de desenvolvimento, diferente do bicho-de-goiaba que se aproveita apenas do líquido e açúcar da fruta.
A larva do besouro nasce e cresce dentro do coquinho. Ao comer apenas a parte interna e rica em óleos do coco, o corpo da larva absorve os mesmos nutrientes, óleos e açúcares da amêndoa.
Embora, biologicamente, nenhum inseto "tenha o gosto" do alimento em si, mas sim tecidos orgânicos neutros que absorvem o gosto da fruta.
A entomofagia pode parecer exótica para as pessoas que moram nos centros urbanos, mas é praticada no meio rural e, principalmente, nas comunidades tradicionais.

No Brasil, 135 espécies de insetos são utilizadas tradicionalmente como alimento, principalmente por povos ribeirinhos, quilombolas e indígenas. Esses povos consomem, não só espécies de larvas de besouros, como também lagartas, abelhas, formigas e gafanhotos.
Em escala global, cerca de 2 bilhões de pessoas utilizam os insetos na dieta diária, em mais de 130 países, com destaque para o México, China e Índia, segundo o mapa que ilustra este post.
O México é líder mundial em entomofagia principalmente devido à sua rica herança cultural pré-hispânica e à enorme biodiversidade do país.
Povos originários como maias, astecas, zapotecas e mixtecas já consumiam insetos diariamente antes da chegada dos europeus. Eles viam os insetos como alimentos nobres, remédios e oferendas para reis.
O México abriga cerca de 500 a 550 espécies de insetos comestíveis registrados, o que representa a maior diversidade do planeta. Os insetos locais (como chapulines, formigas chicatanas e larvas de maguey) possuem alta quantidade de proteínas, superando carnes tradicionais, e continuam integrados à identidade gastronômica do país.
Esse tipo de alimento, longe do nojo que possa suscitar, contêm altas quantidades de proteínas, lipídeos, além de sódio, potássio, zinco, fósforo, manganês, magnésio, ferro, cobre e cálcio.
Em vários países da Ásia e África, são alimentos comuns e comercializados em feiras, contribuindo como alternativas de subsistência e na segurança alimentar por serem recursos abundantes e nutritivos, sendo facilmente coletados.
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