![]() | Provavelmente já te disseram para "confiar na intuição", mas deveria? Afinal a maioria dos "iluminados" que promovem a intuição como um superpoder falam coisas tão peregrinas, quanto idiotas. Uma busca simples no Facebook vai devolver centenas de posts, quase sempre com o mesmo texto: - "A intuição é uma frequência divina, não um palpite. É a linguagem da alma, não o ruído do ego. A intuição é uma linha direta para os mundos superiores. É saber sem provas. É seguir em frente antes que o caminho esteja totalmente visível." Quanta bobagem! |

É a certeza que transcende a lógica. A intuição é a sua alma se lembrando do que a sua mente esqueceu. Quanto mais você escuta, mais claro fica."
As metáforas há muito nos ajudam a descrever a experiência humana, e "palpite" é uma das mais populares. O que começou como uma maneira simples de descrever a intuição tornou-se parte da linguagem cotidiana e da cultura pop.
Hoje em dia, ouvimos as pessoas falarem sobre reações viscerais, instintos e pressentimentos como se sempre tivessem existido, mas, na verdade, são expressões bastante modernas.O uso figurativo de "instinto" para se referir à parte emocional ou instintiva de uma pessoa realmente decolou no século XX. Dentre essas expressões, "reação visceral" parece ter surgido primeiro, abrindo caminho para as outras.
Embora seja uma metáfora, a ideia pegou porque ressoa com a gente. Nossos corpos às vezes produzem sensações reais -aperto, frio na barriga ou tensão- quando tomamos decisões, então a linguagem parece surpreendentemente precisa. Mas a ciência mostra que não é o instinto que decide; é o cérebro que trabalha silenciosamente nos bastidores.
Quer você chame de instinto ou sexto sentido, a psicologia por trás da intuição funciona da mesma maneira. O que parece uma decisão instantânea geralmente é seu cérebro conectando os pontos silenciosamente nos bastidores.
A intuição é uma forma de reconhecimento inconsciente de padrões. Ao longo do tempo, seu cérebro armazena experiências, observações e pistas aprendidas, usando-as para tomar decisões rápidas, muitas vezes antes que sua mente consciente as processe. É por isso que bombeiros experientes, mestres de xadrez e profissionais da saúde conseguem, às vezes, tomar decisões em frações de segundo que parecem quase mágicas.
Não é apenas um palpite. Esses pensamentos e conclusões intuitivos podem parecer surgir do nada, mas não são tão mágicos quanto aparentam. Cientistas acreditam que a mente inconsciente opera em uma velocidade muito maior do que a deliberação consciente.
Acredita-se que a mente inconsciente seja capaz de analisar rapidamente a situação atual em relação a experiências, conhecimentos e padrões passados para inferir resultados e conclusões prováveis.
A comparação de padrões e cenários, extraída da memória de longo prazo e de experiências, busca semelhanças e parece penetrar sutilmente a mente consciente na forma de uma conclusão ou sentimento sobre uma situação ou pessoa, que, em última análise, guia nosso comportamento.
Ao contrário de um palpite às cegas, a intuição é um "palpite automático e fundamentado". A mente subconsciente busca constantemente padrões no ambiente, comparando-os com experiências passadas para fornecer uma resposta rápida, frequentemente descrita como um "pressentimento" ou "sabedoria oculta".
Pesquisas comprovam que a intuição é real. Um estudo de 2016 descobriu que as pessoas podem usar informações inconscientes para tomar decisões mais confiantes e precisas. No experimento, os participantes foram expostos a imagens emocionais sem perceber, mas seus cérebros ainda processaram as pistas para orientar as escolhas subsequentes.
Os resultados sugerem que nossos cérebros, e até mesmo nossos corpos, podem processar informações fora da nossa consciência, ajudando-nos a agir com mais rapidez e de forma mais deliberada. Além disso, o estudo demonstrou que a intuição pode ser medida cientificamente e melhora com o tempo, fornecendo evidências reais de que esses instintos são mais do que meros sentimentos. Mas a intuição não é perfeita; sua precisão depende do contexto, da experiência e da familiaridade.
Confiança e um pouco de experiência são fundamentais quando se trata de intuição. A experiência em uma determinada área torna seu instinto mais confiável, seja para lidar com decisões de trabalho que você já viu antes, para se orientar em rotinas familiares ou para interpretar sinais sociais em um grupo que você conhece bem. Quanto mais exposição você tiver, mais poderá "confiar no seu instinto".
Especialistas afirmam que seus instintos são mais confiáveis quando o ambiente é previsível e estável, e você já praticou o suficiente para aprender seus padrões regulares.
Nessas situações, a experiência transforma a intuição, de uma vaga sensação, em um guia confiável. Por exemplo, um barista que conhece sua máquina de café como a palma da mão consegue perceber quando ela está prestes a travar, ou um motorista experiente consegue pressentir quando uma rota ficará congestionada.
Dito isso, a intuição não é infalível. Se você tem tendência à ansiedade ou costuma pensar demais, sua intuição às vezes pode se sobrepor aos fatos. Nesses casos, pare e analise a lógica primeiro: seus instintos podem estar apenas refletindo estresse ou preocupação em vez de sinais confiáveis.
A cabeça e o coração podem querer coisas diferentes, mas o intestino e o cérebro não. O que chamamos de "intuição" muitas vezes reflete uma comunicação real entre o sistema digestivo e o cérebro, conectados por uma rede conhecida como eixo intestino-cérebro.
Os sinais do intestino viajam por vias como o nervo vago, ajudando a conectar sensações corporais com humor, estresse e tomada de decisões. O intestino também possui sua própria rede de neurônios, às vezes chamada de "segundo cérebro", que se comunica constantemente com o cérebro. Em outras palavras, a intuição pode parecer física porque, em muitos casos, ela é.
Então, da próxima vez que você sentir aquele frio na barriga familiar, não atribua isso simplesmente ao nervosismo: pode ser seu intestino e seu cérebro trabalhando juntos para ajudá-lo a tomar uma decisão.
Em suma, a verdadeira intuição é uma forma de inteligência altamente desenvolvida e rápida, e não um palpite aleatório. Embora possa parecer premonitória, geralmente é a maneira que o cérebro encontra de "ligar os pontos" mais rapidamente do que a mente consciente, e não uma visão mágica ou sobrenatural do futuro.
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