![]() | Em um estudo de 2021, pesquisadores fizeram uma pergunta simples a mais de 500 participantes: - "Como funciona a pílula do dia seguinte?"" Apesar do uso generalizado dessas pílulas, 60% responderam incorretamente. E muito provavelmente você também não saberá o que responder, pois os contraceptivos de emergência são frequentemente mal compreendidos. Na verdade, até mesmo a expressão "pílula do dia seguinte" é um termo impróprio. Então, como diabos elas funcionam? Seu uso realmente é seguro e eficaz? |

A cada mês, o cérebro e os ovários preparam um óvulo para ser liberado. Primeiro, um grupo de óvulos imaturos começa a desenvolver bolsas protetoras cheias de líquido chamadas folículos.
Por volta do oitavo dia, um desses folículos amadurece ou se torna dominante, e os outros são reabsorvidos. Nesse ponto, o cérebro sinaliza à glândula pituitária para produzir o hormônio luteinizante, geralmente chamado apenas de HL.
Um grande aumento de HL sinaliza ao folículo dominante para se romper, liberando o óvulo. Isso é o que costumeiramente chamamos de ovulação.
O óvulo viaja até a trompa de Falópio, onde permanece por cerca de 24 horas, e é somente nesse curto período que ele pode ser fertilizado por um espermatozoide.
O aumento do HL também estimula a produção de um hormônio chamado progesterona. Quando a progesterona se liga a receptores específicos, isso também ajuda a sinalizar a ovulação.
E altos níveis de progesterona são vitais para preparar o revestimento uterino para suportar a possível implantação de um óvulo fertilizado. Então, onde entram as pílulas anticoncepcionais de emergência?
As pílulas anticoncepcionais de emergência não são pílulas abortivas, senão que atuam muito antes no processo, antes da gravidez, interrompendo ou atrasando a ovulação.
Existem dois tipos principais de pílulas. O primeiro tipo, às vezes chamado de Pílula do Dia Seguinte, contém uma molécula chamada levonorgestrel, que é estruturalmente muito semelhante ao hormônio progesterona do corpo.
Quando ingerido, o levonorgestrel interfere na produção do hormônio luteinizante (HL) e como ele não aumenta, não há ovulação.
Dito isso, a Pílula do Dia Seguinte precisa ser tomada antes do pico de HL. Ela não pode impedir a ovulação depois que o HL começa a subir.
O segundo tipo de pílula contém uma molécula chamada acetato de ulipristal, que funciona bloqueando a ligação da progesterona aos receptores, atrasando assim a ovulação.
O acetato de ulipristal funciona mesmo se o HL já tivesse começado a subir, o que significa que ele é eficaz por um período mais amplo do que a Pílula do Dia Seguinte.
Como ambas as pílulas funcionam bloqueando ou atrasando a ovulação, o nome "pílula do dia seguinte" pode ser enganoso. O termo é de uso popular e comercial (marketing) que se consolidou para facilitar a compreensão da contracepção de emergência, apesar das controvérsias sobre sua precisão técnica.
Os anticoncepcionais de emergência são mais eficazes quando tomados o mais rápido possível após a relação sexual, para aumentar as chances de interromper a ovulação antes que ela ocorra. Não é necessário esperar até a manhã seguinte.
Por esse motivo, muitos profissionais de saúde sugerem tê-los à mão.
No entanto, os contraceptivos de emergência ainda podem prevenir a gravidez mesmo se forem tomados de 3 a 5 dias após a relação sexual, dependendo da pílula.
Isso ocorre porque os espermatozoides podem sobreviver no trato reprodutivo por cerca de cinco dias. Portanto, por exemplo, se uma pessoa ovular três dias após ter relações sexuais desprotegidas, ainda há chance de gravidez.
Como é difícil saber exatamente em que fase do ciclo menstrual a pessoa está, o ideal é tomar os contraceptivos de emergência o mais rápido possível.
Mas talvez o equívoco mais comum sobre essas pílulas seja o de que elas podem prejudicar a fertilidade futura.
Décadas de pesquisa mostraram que isso não acontece, mesmo que os contraceptivos de emergência sejam tomados várias vezes.
Na verdade, os efeitos de ambas as pílulas são de curta duração e não oferecem proteção contínua.
Recomenda-se que a pessoa use preservativos pelo restante do ciclo e, caso tenha relações sexuais desprotegidas novamente, repita o uso.
É claro que as pílulas anticoncepcionais de emergência não são infalíveis. Como não impedem a fertilização nem a implantação do óvulo fertilizado, essas pílulas são ineficazes se a pessoa já ovulou ou se o pico do hormônio luteinizante (HL) já atingiu o pico.
No entanto, existe uma terceira opção que pode proteger contra a gravidez, mesmo que a pessoa já tenha ovulado.
Muitas pessoas conhecem os dispositivos intrauterinos de cobre (DIUs) como um método contraceptivo de longa duração, mas eles também funcionam para prevenir a gravidez se inseridos logo após uma relação sexual desprotegida.
Ao contrário das pílulas anticoncepcionais de emergência, um DIU de cobre pode prevenir a gravidez antes e depois da fertilização.
O cobre é tóxico para os espermatozoides e cria um ambiente uterino que torna a implantação improvável. É claro que os DIUs de cobre podem ser menos acessíveis em uma situação de emergência, pois eles precisam ser inseridos por um profissional de saúde treinado.
Mas, por outro lado, eles continuam prevenindo a gravidez por pelo menos 10 anos enquanto estiverem inseridos.
O problema é que o DIU de cobre custa entre R$ 100 e R$ 200 reais o dispositivo em farmácias. Modelos com prata ou de marcas específicas podem ser bemmm mais caros.
No entanto, o custo total particular, incluindo a inserção médica, pode variar significativamente, muitas vezes ultrapassando R$ 1.000,00, dependendo do profissional e da clínica.
Ou seja, a depender da implantação de um DIU, muitos Enzos Gabrieis e Marias Eduardas vão acabar vindo ao mundo.
A maioria dos profissionais de saúde concorda que é mais eficaz, além de menos dispendioso, usar um método contraceptivo regular ao tentar evitar a gravidez, mas, se quando precisar, a pílula do dia seguinte é uma opção segura.
Ela tem uma eficácia alta, chegando a 95% se tomada nas primeiras 12 a 24 horas. A taxa de sucesso diminui com o tempo: após 24 horas, cai para cerca de 85%, e após 48-72 horas, pode reduzir para menos de 55% a 75%. O uso dentro de 72 horas é o recomendado.
O MDig precisa de sua ajuda.
Por favor, apóie o MDig com o valor que você puder e isso leva apenas um minuto. Obrigado!
Meios de fazer a sua contribuição:
- Faça um doação pelo Paypal clicando no seguinte link: Apoiar o MDig.
- Seja nosso patrão no Patreon clicando no seguinte link: Patreon do MDig.
- Pix MDig: 461.396.566-72 ou luisaocs@gmail.com




Faça o seu comentário
Comentários