
Assim como outros celeiros construídos por comunidades berberes do Norte da África, o alcácer Oleai Soltane está situado no topo de uma colina, o que o protegia de invasores.
Alcácer (ksar; plural ksour), significa literalmente "celeiro fortificado" e deriva diretamente dos igudar, os antigos celeiros coletivos fortificados do Marrocos, também erigidos pelo povo berbere.

Os berberes, ou Amazigh ("homens livres"), são os povos indígenas do Norte da África, habitando a região do Magrebe e o Saara há milênios. Conhecidos pela sua resistência cultural e tradições nômades, especialmente os tuaregues, eles mantêm línguas e costumes distintos da cultura árabe dominante, com forte presença em países como Marrocos, Tunísia e Argélia.
O alcácer Oleai Soltane foi originalmente construído no século XV e possuía centenas de ghorfas para armazenamento de grãos, amêndoas, mel, azeite e outros produtos agrícolas.

Mais tarde, no século XIX, o alcácer foi ampliado com um segundo pátio, e o número de ghorfas aumentou para cerca de 400.
Os dois pátios são conectados por uma passagem feita de madeira de palmeira. As ghorfas se elevam a quatro andares de altura e são acessíveis por escadas externas íngremes que levam, uma a uma, às portas individuais.

Cada ghorfa era atribuída e utilizada por uma única família. Durante cinco séculos, as tribos nômades as utilizaram para armazenar tanto produtos agrícolas quanto seus bens mais valiosos, como tapetes joias, dinheiro, documentos importantes e ouro.
Em tempos de fome ou conflito, o alcácer podia representar a diferença entre a sobrevivência e a inanição.

Cada celeiro funcionava sob um código rigoroso, muitas vezes supervisionado por um guardião, uma espécie de síndico, nomeado pela aldeia, que vivia em uma ghorfa do próprio alcácer.

As regras determinavam quando os depósitos podiam ser abertos e como as mercadorias eram retiradas.
O celeiro também funcionava como uma espécie de banco rural ancestral. As famílias depositavam o excedente nos anos bons e retiravam nos anos ruins.

Como o acesso era regulamentado e controlado coletivamente, o sistema dependia da confiança mútua e da responsabilidade compartilhada.
Nas tardes de sexta-feira, o pátio funcionava como ponto de encontro para a comunidade, a maioria da qual passava a maior parte do ano nos pastos com suas cabras, ovelhas e camelos.

Embora ainda vivam algumas pessoas no interior do alcácer, a esmagadora maioria dos habitantes locais hoje vive na aldeia moderna com o mesmo nome construída ao lado.

Parcialmente restaurado em 1997, recuperando seu estado original, embora com cimento em vez dos materiais originais de barro e tijolo, o alcácer é um local turístico popular, que figura em muitos circuitos turísticos do sul da Tunísia.
Isso deve-se em parte ao fato de estar menos arruinado do que a maioria dos alcáceres da região, e também à fama que advém de ter sido um dos locais de gravação do filme "Star Wars Episódio I: A Ameaça Fantasma", onde foram filmadas muitas das cenas de exterior do bairro dos escravos de Mos Espa, onde cresceu Anakin Skywalker.
Considerado um dos alcáceres mais importantes e fotogênicos do país -ele aparece na nota de vinte dinares emitida em 2011-, em 2020 o governo tunisiano propôs que o local seja incluído na Lista do Patrimônio Mundial da UNESCO.
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