![]() | Oficialmente, o Muro de Berlim caiu em 9 de novembro de 1989. A demolição levaria mais de quatro anos, e alguns trechos permanecem como memorial, mas foi nessa data que a passagem entre Berlim Oriental e Ocidental -e, portanto, entre a Alemanha Oriental e Ocidental- foi aberta a todos os cidadãos de ambos os países. Dizer que foi uma surpresa seria um eufemismo. No início daquele ano, até mesmo os observadores mais bem informados previam que o muro permaneceria de pé por pelo menos mais algumas décadas. |

Aliás, naquele mesmo dia, as autoridades envolvidas na abertura não previram que o Secretário de Informação do Partido Socialista Unificado da Alemanha, Günter Schabowski, declararia, naquela noite, erroneamente na televisão nacional, que a liberalização das viagens na fronteira - "...era efetiva imediatamente, sem demora.""
Quando os guardas de fronteira finalmente desistiram de tentar conter a passagem por volta das 23h daquela noite, o cenário em Berlim havia se transformado no que os participantes lembram, 36 anos depois, como o maior festival de rua de suas vidas. Para aqueles de nós que não puderam participar da celebração na época, pode parecer improvável que um evento como esse tenha realmente ocorrido sem qualquer aviso prévio.
No entanto, as imagens captadas por um turista em Berlim durante o verão de 1989, ali mesmo nas proximidades do muro, retratam uma cidade onde os acontecimentos parecem congelados.
Embora a paisagem urbana apresente alguns toques de uma grandeza decadente aqui e ali (e, como muitos berlinenses ocidentais descobririam em breve, a verdadeira imponência urbana ficava do lado oriental), a impressão geral transmitida pelo que era então o fervilhante centro da geopolítica da Guerra Fria é a de uma cidade monótona.
O aspecto mais interessante desta parte de Berlim no final da década de 1980 era, sem dúvida, o próprio muro: a brutalidade de sua forma, a ameaça constante de seus guardas, o acúmulo de grafites, tanto políticos quanto apolíticos.
Em certo momento, a câmera de vídeo do turista registra os memoriais para aqueles que pularam o muro, o mais recente dos quais, um certo Chris Gueffroy, que fez sua fatídica tentativa de fuga do Leste em fevereiro daquele ano. A história logo o imortalizaria como a última pessoa a ser baleada tentando cruzar o muro, embora não a última a morrer fazendo isso.
Esse título pertence a Winfried Freudenberg, que em março de 1989 caiu de um balão que ele mesmo havia preparado para cruzar a fronteira. Naquele momento, quando a rápida evolução urbana da capital alemã reunificada já a havia transformado em uma das cidades mais populares da Europa, nem ela nem Gueffroy reconheceriam a antiga Berlim Oriental da qual estavam desesperados para escapar, nem, aliás, a Berlim Ocidental com a qual sonhavam.
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