![]() | Cada carro que passa e cada pessoa que atravessa a rua está vivendo sua própria história, seguindo em sua própria direção, sob o mesmo sistema de três luzes. Encontramos semáforos quase todos os dias, mas raramente lhes damos muita atenção. Seja dirigindo para o trabalho ou dando um passeio à tarde, você provavelmente dá uma olhada nesses semáforos pelo menos uma vez por dia, se não mais. Todos sabemos que os semáforos servem para organizar o trânsito e manter os cruzamentos seguros, mas já se perguntou por que os sinais são especificamente vermelhos, amarelos e verdes? |

Embora o propósito seja conhecido, a origem dessas cores e sua história não são tão amplamente compreendidas. Antes do século XX, os semáforos eram praticamente desnecessários. Mas, com o aumento da população nas cidades, a diversificação dos meios de transporte e o crescimento do número de mortes no trânsito, a necessidade de sinalização para melhorar o fluxo do transporte público no início do século XX tornou-se evidente.
Primeiro, não havia nada. No início do século XX, nas maiores cidades do mundo, os motoristas tinham que dividir a estrada (na época, sem pavimentação) com bondes, bicicletas, carroças, pedestres, cavalos e trens. Como você pode imaginar, isso não era seguro nem sustentável.
Em pouco tempo, policiais foram posicionados em cruzamentos nas principais cidades para gerenciar e direcionar o trânsito. Em cruzamentos congestionados com diversos meios de transporte, esse era um trabalho particularmente desafiador.
A ideia dos semáforos derivou de um antigo sistema de sinalização chamado sinalização por bandeiras semafóricas, que foi adotado inicialmente pelas ferrovias. O engenheiro ferroviário J.P. Knight foi o primeiro a projetar e instalar um semáforo em Londres, em 1868, utilizando apenas luzes vermelhas e verdes a gás.
Em 1912, o policial Lester Wire, de Salt Lake, no estado norte-americano de Utah, inventou o primeiro semáforo elétrico dos Estados Unidos, embora fosse necessário um policial para operá-lo manualmente. Alguns anos depois, James Hoge patenteou um semáforo elétrico automático, usado pela primeira vez em Cleveland, que ainda contava com apenas duas luzes.
A inovação de Garrett Morgan, o semáforo tricolor totalmente automático em 1923, marcou um ponto de virada para a segurança no trânsito. Essa invenção ajudou a reduzir as mortes no trânsito de "mais de 33 por 10.000 carros para menos de duas".
Mas, dentre todas as combinações de cores possíveis, por que os engenheiros escolheram vermelho, amarelo e verde para os semáforos?
A decisão de usar as cores vermelha, amarela e verde nos semáforos é influenciada igualmente por fatores psicológicos e práticos.
O vermelho simboliza universalmente o perigo, tornando-se a escolha óbvia para o sinal de "pare". Psicologicamente, essa cor vibrante aumenta a frequência cardíaca e desencadeia ansiedade, chamando a atenção e transmitindo urgência. Seu longo comprimento de onda também permite que seja vista a uma distância maior do que outras cores.
A adição da cor amarela revolucionou os semáforos. Inicialmente, com apenas as luzes vermelha e verde, os motoristas quase não tinham aviso prévio antes de precisarem parar, o que levava a paradas bruscas. Os motoristas atravessavam os cruzamentos em alta velocidade para evitar a mudança repentina do verde para o vermelho. A luz amarela foi introduzida para proporcionar uma transição muito necessária, dando a todos um aviso para reduzir a velocidade e atravessar o cruzamento com segurança.
O uso da cor verde para indicar "siga" remonta aos primeiros sistemas ferroviários, onde servia ao mesmo propósito. Essa tradição foi mantida nos semáforos. Psicologicamente, o verde traz uma sensação de calma e segurança, sinalizando que é seguro prosseguir. Nossos olhos são naturalmente sensíveis à luz verde, permitindo-nos detectá-la facilmente a qualquer distância .
Em 1935, a Administração Federal de Rodovias dos EUA padronizou oficialmente o vermelho, o amarelo e o verde como as cores obrigatórias para todos os semáforos e o mundo seguiu o padrão, exceto o Japão, onde a cor verde dá lugar à azul.
De fato, as cores de um semáforo são constantes tão fundamentais que estão qualificadas no direito internacional sob a Convenção de Viena sobre Sinais de Trânsito, ratificada por 74 países, Brasil no meio.
No entanto, historicamente, no idioma japonês existe uma sobreposição significativa entre verde (midori) e azul (ao). Na língua japonesa não existia uma palavra para a cor verde até um milênio atrás, quando foi introduzido o "midori".
Até então, o verde e o azul eram a mesma cor, "ao". No entanto, isto não conseguiu mudar os costumes, os japoneses evitavam utilizar o midori. Portanto, os semáforos são tratados de maneira similar. Na literatura oficial e na conversa, o semáforo "verde" é referido como ao, em vez de midori.
Em 1973, após muita discussão retórica, as autoridades de trânsito ordenaram que os semáforos usassem um azul o mais esverdeado possível, para seguir justificando o uso da nomenclatura "ao".
Na verdade, nos últimos anos cidades como Tóquio e Osaka começaram a instalar alguns sinais de trânsito que vêm equipadas com LEDs de cor verde brilhante.
Embora os consideremos banais, os semáforos desempenham um papel crucial na nossa segurança, quer estejamos ao volante ou ao atravessar a rua a pé. Sem estes sinais, os cruzamentos seriam caóticos e perigosos.
Na próxima vez que você se encontrar parado num semáforo vermelho, reserve um momento para refletir sobre o design inteligente por trás desse sinal cotidiano e as cores que nos impulsionam.
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