![]() | Estamos em 1780, quando a Coroa Portuguesa decidiu atochar mais impostos sobre o esgotamento do ouro aluvial (de superfície) em Minas Gerais, que resultou em um cenário de insatisfação que culminaria na Inconfidência Mineira, Paris foi lavada por fortes chuvas de primavera que deixaram cidade debaixo de água. Em uma casa perto do centro da cidade, uma parede do porão desabou sob a pressão, liberando uma avalanche de cadáveres em decomposição, restos mortais do vizinho Cemitério dos Inocentes, o maior da cidade. |

Correram boatos de que todos na região adoeceram devido ao ar contaminado pela carne em decomposição. Com o cemitério superlotado abrigando gerações de parisienses mortos, crescia a preocupação de que toda a cidade estivesse em grave perigo de adoecer.
Durante séculos, os parisienses enterraram seus mortos nos Inocentes. Embora os cemitérios na Europa fossem originalmente localizados fora das áreas urbanas, no século IX, a Igreja começou a permitir sepultamentos diretamente em seus terrenos.

À medida que esses cemitérios paroquiais urbanos se enchiam, algumas igrejas começaram a criar capelas de ossos, como o Ossuário de Sedlec, na República Tcheca, para abrir espaço para novos sepultamentos.
No século XVIII, a opinião pública sobre os cemitérios urbanos mudou, à medida que pensadores e médicos do Iluminismo promoviam novas ideias científicas que ligavam a higiene à saúde.
Eles ainda não entendiam o conceito de germes, acreditando, em vez disso, que as doenças se espalhavam por meio do "miasma", ou ar impuro. Consequentemente, cemitérios superlotados exalando odores cadavéricos foram considerados ameaças à saúde pública.

Mesmo depois do fechamento do Cemitério dos Inocentes e de outros cemitérios no início da década de 1780, os moradores continuaram preocupados com os maus cheiros e solicitaram ao governo uma solução a longo prazo. Mas para onde poderiam transferir os restos mortais de milhões de parisienses? A vasta rede abandonada de pedreiras sob a cidade oferecia uma solução lógica.
Datando da época romana, as minas haviam fornecido o calcário e o gesso para a construção de Paris. Mas, no século XVIII, elas começaram a desabar sob o peso da cidade, criando crateras mortais.
Então, em 1777, o rei Luís XVI formou uma equipe de engenheiros para inspecionar e reforçar a área. E em 1785, Charles-Axel Guillaumot, o Inspetor Geral de Pedreiras, foi encarregado de transformar trechos dos túneis inutilizados em uma enorme cripta.

A Igreja Católica resistiu inicialmente, pois perderia a receita de sepultamentos e taxas de manutenção de cemitérios, mas as preocupações com a saúde pública prevaleceram.
A transferência de restos mortais era feita principalmente à noite, para evitar perturbar os transeuntes e limitar a exposição pública à névoa fétida. Milhões de ossos anônimos foram desenterrados manualmente, transportados por Paris e despejados sem cerimônia nas Catacumbas. Era um projeto nitidamente moderno, focado na eficiência em vez da memorialização.
O Cemitério dos Inocentes foi a maior fonte, embora ossos logo tenham sido levados de cemitérios de toda a cidade. A Revolução Francesa interrompeu temporariamente os esforços de realocação.

Embora as Catacumbas oferecessem um espaço onde corpos inconvenientes pudessem desaparecer. Alguns dos mais de 1.000 prisioneiros executados nos Massacres de Setembro de 1792 foram jogados às pressas lá.
No entanto, as Catacumbas geralmente não eram usadas para novos sepultamentos, senão que os recém-falecidos eram enterrados em cemitérios-jardim estabelecidos, mais uma vez, nos arredores da cidade.
Ao final da Revolução, o projeto de realocação havia sido retomado. Em 1809, Napoleão Bonaparte, ciente do poder unificador dos monumentos, ordenou que uma pequena seção do espaço caótico fosse restaurada e aberta ao público.

Pilhas de ossos foram empurradas para os lados, fachadas de crânios e fêmures foram artisticamente dispostas e citações sobre a natureza efêmera da vida foram penduradas nas paredes.
O restante das Catacumbas, que abrigam os restos mortais de cerca de 6 milhões de parisienses, permaneceu, e em grande parte permanece, intocado. Após sua revitalização, as Catacumbas se tornaram um destino turístico extremamente popular.
Embora placas indicassem o cemitério de onde os ossos foram removidos, os próprios restos mortais eram anônimos: aristocratas jaziam ao lado de trabalhadores, invasores ao lado de defensores, jovens ao lado de seus idosos.
Assim, o local se tornou um símbolo do que um fotógrafo do século XIX chamou de "igualdade confusa da morte". As fontes divergem, mas algumas afirmam que os últimos restos mortais foram remvidos apenas na década de 1930.
Ainda hoje, há grupos de aventureiros que se dedicam a explorar ilegalmente os subterrâneos de Paris além do ossuário. Geralmente o fazem aos finais de semana, como espeleologistas e são chamados de "cxatáfilios".
Devido ao vandalismo e ao roubo de vários crânios e ossosa, as catacumbas foram fechadas em difcerenbtew ocasiões. Em 2010, após a reabertura do local, chegou a segurança adicional e verificações de bagagem na saída.
Hoje, pessoas de todo o mundo continuam a visitar as Catacumbas, encontrando em meio às suas cavernas uma lembrança assombrosa do nosso futuro comum e inevitável.
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