
Clare Torry realmente não parecia adequada ao que queriam fazer. Na verdade, a ideia de Gilmour era colocar uma garota lá, gritando orgasticamente e nem precisava ser necessariamente no tom. Clare, por sua vez, não ficou nada impressionada.
- "Ainda se fossem os Kinks, eu teria ficado nas nuvens", disse ela mais tarde. Ela também se lembra que a sessão foi bem estranha.
- "Eles não tinham ideia do que queriam fazer", disse ela. - "A única instrução que deram foi que não cantasse nenhuma letra. Então fingi ser um instrumento."
Clare fazia bicos como vocal de suporte e não se fez de rogada quando o empresário do Pink Floyd a contratou pelo equivalente hoje a apenas 300 reais.
No início da gravação, a banda tocou a introdução da canção e pediu para que ela improvisasse uma linha melódica vocal em meio a gritos.
Depois de 6 tomadas, Clare foi embora achando que nenhuma de suas gravações seriam aproveitadas, mas para ela pouco importava pois já estava com sua grana no bolso. Algumas semanas depois ela quase não acreditou quando viu seu nome nos créditos do álbum The Dark Side of the Moon.
Ela claramente não estava disposta a se tornar uma integrante fixa da banda em turnê, mesmo após o enorme sucesso do álbum e duas turnês subsequentes. Ainda assim, embora Clare talvez não se encaixasse nas preferências físicas de Gilmour para cantoras, e embora ela talvez não tivesse uma grande opinião sobre o Pink Floyd, ela se apresentou ao vivo com diferentes formações da banda ao longo dos anos.
Clare juntou-se ao Pink Floyd liderado por David Gilmour em 1990 para o show "Great Gig in the Sky" em Knebworth. Ela ainda consegue executar o vocal arrebatador dezessete anos depois de ter entrado pela primeira vez no estúdio, sem ter a mínima ideia de quem era o Pink Floyd ou o que aconteceria com aquela fatídica sessão.
Em 2004, Clare processou o Pink Floyd por royalties de autoria, alegando que sua contribuição vocal caracterizava uma co-autoria com Richard Wright. Alguns meses depois foi realizado um acordo, e, pese que os termos não tenham sido revelados, ela recebeu grana o bastante para que nunca mais tenha que trabalhar. Todas as publicações relacionadas a canção emblemática a partir de 2005 mostram a autoria como sendo de Richard Wright e Clare Torry.
Cantar "The Great Gig in the Sky" é um desafio assustador. Exige uma combinação rara de alcance de soprano, controle de respiração impecável, extensão vocal para transitar entre voz de peito e de cabeça, e uma carga emocional extrema para improvisar uma performance que represente a angústia e a aceitação da morte.
A versão original de Clare não tinha letras ou melodia pré-definidas. Ela teve de criar as linhas vocais na hora. Muitas cantoras acham difícil emular essa sensação de "improviso espontâneo" sem parecer que estão simplesmente forçando a voz.
Mas isso não impediu que, em 2017, depois de uma decepção amorosa, uma russa chamada Tatyana Alexandrova tenha participado da temporada 8 do programa X-Factor para mostrar ao ex-marido o que ele havia perdido.
A canção exige transições rápidas (estilo iodelei) e saltos de oitavas inteiras, o que pode causar tensão na laringe se a cantora não tiver a técnica lírica bem desenvolvida.
A cantora precisa canalizar sentimentos de medo, desespero e libertação de forma visceral e sem o apoio de palavras ou letras para guiar o ouvinte.
A performance de Clare foi eleita uma das melhores da história do rock. O temor de comparações faz com que muitas vocalistas evitem tocar na obra-prima do Pink Floyd.
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