![]() | Sem querer minimizar o pesadelo dos morteiros e estilhaços, um dos maiores horrores da Primeira Guerra Mundial era a lã molhada. Décadas antes da invenção do Gore-Tex, do tecido polar e de outros equipamentos de alto desempenho para todos os climas, os soldados britânicos dependiam de suas roupas de lã da cabeça aos pés. Um exército de tricotadeiras enviou luvas, cachecóis, balaclavas e outros itens de conforto para a frente de batalha, além de meias sem costura projetadas para durar três dias inteiros de marcha dentro de suas botas de couro até o tornozelo. |

Infelizmente, nem mesmo com cera ou óleo, era possível impedir que a água gelada das trincheiras penetrasse nas botas.
Nada é pior do que o cheiro de três camadas de lã molhada quando você está prestes a morrer encharcado de suor em polainas molhadas.
Os regimentos cujos uniformes consistiam em saias escocesas sofriam particularmente, pois o tecido molhado congelava, cortando as pernas dos soldados como facas.
Impedidas de participar dos combates na linha de frente, as mulheres britânicas ajudaram onde puderam, conquistando um nível de vestimenta mais confortável do que o que conheciam antes da guerra.
Os espartilhos que comprimiam o torso foram descartados para preservar o aço para o esforço de guerra, embora o decoro ditasse que as enfermeiras do Destacamento de Auxílio Voluntário da Cruz Vermelha Britânica, como a Ladyfictícia Sybil Crawley de Downton Abbey, mantivessem uma figura esbelta com espartilhos mais leves, com fecho frontal, dos quadris até um pouco abaixo do busto.
Muitas das mulheres da classe alta que engrossavam as fileiras das enfermeiras voluntárias não estavam acostumadas a se vestir de maneira tão utilitária: vestidos de algodão, sapatos pretos de sola de borracha, aventais e protetores de manga.
Suas figuras encontraram relativa libertação, enquanto sua vaidade encontrou saídas mais humildes no pó-de-arroz e nos véus de enfermeira profissionais, lisonjeiros e de estilo militar, que elas preferiam aos gorros ao estilo de "O Conto da Aia".
A maior liberdade física proporcionada pelos uniformes de enfermeiras também se estendia às jovens comuns. Suas roupas íntimas, com uma camisola que deixava a barriga à mostra, calcinhas e anágua, permitiam maior facilidade de movimento, já que saias mais curtas davam lugar a meias glamorosas e, pasmem!, pernas depiladas!
Cardigãs, suéteres e coletes da moda não eram apenas bonitos, eles ajudavam a compensar a falta de calor causada pelos espartilhos tão restritivos.
Você pode ver mais curtas-metragens de vestimentas historicamente precisas no canal do Youtube da Crow's Eye Productions.
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