![]() | Robocop é um daqueles filmes que não cabem na Sessão da Tarde, senão que ainda hoje merece uma sessão no horário nobre junto à família com pipoca quentinha e guaraná gelado. Um dos melhores filmes da década de 80-90, sem dúvidas, é genial no quesito ficção e roteiro, além de parecer sempre uma história atual conforme o avanço tecnológico acontece ao longo dos anos. "Robocop" tornou-se um "clássico" fenomenal por transcender o gênero de ação com uma sátira social afiada, efeitos visuais inovadores e uma reflexão profunda sobre a humanidade em um mundo dominado pela tecnologia e corporações. |

O termo "clássico" é sempre rodeado de cuidados quando se trata de cinema. É muito difícil determinar o que é ou o que deixa de ser um filme clássico. O original ""Blade Runner", por exemplo, nasceu como uma aberração e se tornou imortal na mente de cinéfilos ao redor de todo o mundo. No entanto "Robocop" é um tipo de clássico diferente.
Dirigido por Paul Verhoeven em 1987, o filme ganhou status de obra-prima por diversos fatores cruciais. O filme não é apenas sobre um policial ciborgue; é uma crítica contundente à ganância corporativa, à privatização dos serviços públicos e à corrupção.
A Omni Consumer Products (OCP) representa a corporação sem escrúpulos que vê a justiça como mero negócio e os cidadãos como descartáveis.
A tragédia de Alex Murphy, um homem brutalmente assassinado e transformado em máquina, aborda o choque entre a humanidade e a tecnologia fria. Enquanto ele é programado para seguir as Diretrizes Principais, fragmentos de sua memória e emoções ressurgem, forçando-o a resgatar quem ele realmente é.
A combinação de maquiagem protética, robôs em stop-motion (como o icônico ED-209) e uma violência estilizada e chocante criou uma identidade visual inconfundível.
As cenas de tiroteio e explosões foram coreografadas com perfeição cirúrgica sob a direção genial do holandês Paul Verhoeven, que foi criticado na época por seu estilo europeu de filmagem, mas, no geral, seu cuidado em criar cada cena como uma obra de arte valeu a pena, e o público nem percebeu.
O filme previu com precisão assustadora várias facetas da sociedade moderna, como a mídia sensacionalista, a dependência tecnológica e a militarização policial.
Quarenta anos depois, RoboCop se mantém melhor do que a maioria dos filmes de ação atuais simplesmente porque é visualmente impressionante.
Não é por acaso que "Robocop" tenha inspirado dezenas de filmes distópicos e sua estética ainda inspira outras dezenas. Difícil crer, então, que alguns ainda pensem em "Robocop" como apenas mais um filme de ação, visto todos questionamentos que ele traz e, principalmente, toda influência que exerceu.
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