![]() | Você já olhou para um cachorro, um urso ou até mesmo um pombo e percebeu algo estranho? Todos eles estão prontos para a ação assim que acordam. Eles têm pelos, penas ou escamas. Os humanos são a exceção. Somos o único animal na Terra que sente necessidade de se cobrir. Sem roupas, somos macios, vulneráveis e, francamente, temos uma aparência um tanto ridícula. Mas eis o mistério: perdemos nossa pelagem espessa há mais de um milhão de anos para ajudar a resfriar o corpo na savana africana. Então, por centenas de milhares de anos, andamos por aí completamente nus. |

Criado pelo Gemini.
O que mudou? Sentimos frio? Ficamos tímidos? Ou foi algo totalmente diferente? Neste artigo vamos descobrir a história surpreendente de por que e quando começamos a usar roupas.
Aqui está o maior problema que os historiadores enfrentam com esse assunto: roupas não fossilizam. Ferramentas de pedra sobrevivem por milhões de anos; uma peça de couro apodrece em poucas décadas.
Então, como sabemos quando a moda começou? Perguntamos aos piolhos. Parece nojento, mas é ciência brilhante. Biólogos sabem que existem dois tipos de piolhos que infestam humanos: o piolho da cabeça e o piolho do corpo.
O piolho do corpo é único; ele vive apenas nas roupas, não na pele. Ao estudar o DNA deles, cientistas descobriram que o piolho do corpo evoluiu e se separou do piolho da cabeça há cerca de 170.000 anos.
Isso nos dá a prova definitiva. O momento em que os piolhos do corpo aparecem no registro genético é o momento em que os humanos começaram a usar coberturas com frequência suficiente para que uma nova espécie de inseto evoluísse.
Então, temos uma data: cerca de 170.000 anos atrás, que pertence à época do Pleistoceno, inserida no período Quaternário da Era Cenozoica. Mas por que naquela época? A teoria principal é a sobrevivência, não o pudor. Essa linha do tempo coincide com a penúltima era glacial.
Olá Gemini, poderia por favor criar uma imagem que mostre uma tribo de humanos primitivos usando peles sobre o dorso para se proteger da inclemência do tempo?
À medida que os primeiros humanos começaram a migrar da quente África para climas mais frios, como a Europa e a Ásia, ser um primata nu era uma sentença de morte.
Tínhamos perdido nossa pelagem natural para ajudar a suar e caçar no calor. Mas essa vantagem biológica tornou-se uma desvantagem no frio intenso. Para sobreviver, tivemos que usar as peles dos animais que caçávamos. Tornamo-nos o único animal capaz de criar uma segunda pele removível.
Inicialmente, não eram peças de vestuário com corte e costura elaborados; tratava-se, provavelmente, de peles de animais simples e largas, apenas jogadas sobre os ombros, mais parecidas com um cobertor do que com uma camisa.
Durante muito tempo, limitamo-nos a usar essas peles dessa maneira. No entanto, há cerca de 30 a 50 mil anos, ocorreu outro grande salto evolutivo: a invenção da agulha com furo (ou olho).
Encontramos essas agulhas de osso em locais como a caverna de Denisova, na Sibéria. Isso mudou tudo. Significava que não estávamos mais apenas nos enrolando em peles; passamos a costurar.
Conseguíamos criar calças e parkas ajustadas ao corpo, capazes de reter o calor muito melhor do que uma capa solta. Essa tecnologia permitiu que os humanos sobrevivessem no Círculo Polar Ártico. Pode-se dizer que foi a primeira vez que o vestuário deixou de ser apenas uma ferramenta de sobrevivência para se tornar um ofício complexo.
Das peles soltas usadas para proteger do frio da Era do Gelo aos tecidos sofisticados que vestimos hoje, a roupa é uma das invenções mais antigas da humanidade. Trocamos as peles por tecidos e, nesse processo, conquistamos o mundo.
A pergunta que não quer calar: - "Qual a vestimenta mais antiga encontrada pela arqueologia?" Para responder a esta questão, precisamos antes contar uma historinha.
Em 1913, o arqueólogo e egiptólogo britânico William Matthews Flinders Petrie estava muito frustrado. Enquanto liderava escavações no cemitério de Tarcã, no Egito, sua curiosidade foi despertada por uma tumba próxima.
Depois de finalmente abrir a tumba, William ficou desapontado ao descobrir que ela havia sido completamente esvaziada, exceto por cinco jarros de calcita, dois cabos de ferramentas de madeira, uma pequena tampa de panela e uma pilha de "roupa suja", mas essa pilha era uma descoberta extraordinária, que não seria reconhecida por mais de 60 anos.
Em 1977, conservadores de museus que examinaram a "roupa suja" de William encontraram um vestido de linho incrivelmente bem preservado e quase completo. Chamado "Vestido Tarcã", em 2015 ele foi datado em quase 5.500 anos, tornando-se a roupa mais antiga já recuperada.

Vestido Tarcã.
Claro, os antigos egípcios provavelmente não foram as primeiras pessoas a usar roupas. Mas não encontramos nenhuma mais antiga do que o Vestido Tarcã.
Bem costurado, o vestido apresenta, em si, a complexidade e riqueza que a antiga sociedade egípcia já tinha. A peça da antiga alta-costura, possui mangas personalizadas, decote em V e pregas estreitas, nos cotovelos e axilas, todos os detalhes que poderiam ser feitos somente por um profissional especializado, na antiguidade.
Como já mencionado, o que mais chama atenção no vestido não são somente seus atributos técnicos na produção, mas sim o tempo. Afinal, são poucas as peças de vestuário, produzidas com fibras vegetais ou com peles de animais, que durariam mais de 5 mil anos sem se desintegrarem.
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