![]() | Se você tem um irmão ou irmã mais novo(a) um pouco excêntrico(a), então entenderá a relação entre os Jogos Mundiais e as Olimpíadas. São um pouco diferentes e certamente menos convencionais, e incluem esportes como cabo de guerra, wushu e bilhar, além da prova de Ginástica Aeróbica em Trio. Sei que não costumamos falar muito de esportes no MDig, mas a prova de Ginástica Aeróbica em Trio é tão extravagante quanto um campeonato de capoeira, guardando-se as devidas proporções, lógico. Além disso, tem uma alegria de viver que certamente fará até o juiz mais sisudo sorrir (com certeza!). |

A Ginástica Aeróbica Esportiva (GAE) é uma modalidade oficial regulamentada pela Confederação Brasileira de Ginástica (CBG) e pela Federação Internacional de Ginástica (FIG). Apesar do Brasil ser uma potência histórica e mundial no esporte, acumulando dezenas de medalhas de ouro em campeonatos mundiais, a modalidade ainda é desconhecida do grande público por conta de fatores estruturais bem específicos.
A ausência no programa olímpico é o principal motivo. Modalidades como a Ginástica Artística e a Ginástica Rítmica recebem grande atenção midiática e investimentos vultuosos porque fazem parte dos Jogos Olímpicos.
Por não ser um esporte olímpico, fazendo parte apenas de eventos como os Jogos Mundiais, a Ginástica Aeróbica perde espaço na televisão aberta, nos grandes patrocínios e no imaginário do torcedor comum.
Para piorar existe uma confusão com a "Aeróbica de Academia". Para a maioria dos brasileiros, a expressão "ginástica aeróbica" remete imediatamente às aulas de fitness em academias que foram uma febre estrondosa nas décadas de 1980 e 1990.
O público em geral não costuma associar o termo a um esporte de alto rendimento que exige saltos complexos, força extrema, flexibilidade e flexões consecutivas em ritmo acelerado.
Sem a vitrine olímpica, as redes de televisão e os portais de notícias raramente transmitem os campeonatos nacionais ou mundiais da modalidade. A falta de visibilidade gera um ciclo vicioso: as empresas investem menos por falta de exposição da marca.
Com menos verba, os clubes não conseguem manter grandes estruturas de treino. O esporte fica restrito a nichos específicos e atletas apaixonados que muitas vezes viajam com recursos próprios.
A última edição dos Jogos Olímpicos de Inverno de 2025 foi disputada pela China, que conquistou a medalha de ouro na prova de trios de ginástica aeróbica. Não é difícil entender o porquê após assistir à performance exuberante de Fan Siwei, Zhang Qingzhou e Wang Zhenhao. Adorei como eles se sentiram completamente à vontade do início ao fim, sem mencionar o brilhantismo técnico da apresentação.
A prática competitiva de alto nível necessita de tablados flutuantes oficiais e profissionais altamente qualificados para a coreografia de elite. No Brasil, esses polos de treinamento estão muito concentrados em poucos estados, como Minas Gerais, Paraná e São Paulo, o que limita a massificação do esporte nas escolas e em outras regiões do país. O Brasil se destaca, em geral, nos duos e trios mistos.
A ginástica aeróbica surgiu da febre das aulas de fitness dos anos 1980, que gerou competições. Os primeiros campeonatos nacionais de aeróbica foram realizados nos Estados Unidos em 1984, que transformaram a aeróbica de academia em uma disciplina competitiva.
Em 1993, várias federações nacionais entraram em contato com a FIG para solicitar que fosse incluído como uma disciplina de ginástica. Um Código de Pontuação foi desenvolvido; a primeira edição tinha apenas 20 páginas.
Em 1995, a FIG reconheceu a ginástica aeróbica como uma nova disciplina competitiva de ginástica, organizou cursos para juízes e treinadores e lançou o primeiro Campeonato Mundial de Ginástica Aeróbica em Paris, com a participação de competidores de 34 países.
Em 1997, a Associação Internacional dos Jogos Mundiais incluiu a Ginástica Aeróbica nos 5º Jogos Mundiais, em Lahti, Finlândia).Desde 1999, a União Europeia de Ginástica realiza o Campeonato Europeu de Ginástica Aeróbica em anos ímpares. Em 2015, 75 federações nacionais participavam na ginástica aeróbica nos jogo mundiais.
Assim como em outras disciplinas da ginástica, como a ginástica rítmica, os atletas podem sentir-se pressionados a serem magros, especialmente aqueles com um índice de massa corporal mais elevado, mesmo que sejam bastante magros para os padrões típicos.
A pressão para perder peso pode vir do pais, treinadores, colegas e outras figuras de autoridade na ginástica, como juízes, e pode levar a comportamentos alimentares desordenados.
Infelizmente não existe um limite de peso ou Índice de Massa Corporal (IMC) estipulado em regulamento oficial pela FIG para restringir a magreza extrema na ginástica rítmica.
No entanto, existem estudos científicos contínuos, diretrizes médicas e mudanças pedagógicas recentes que visam combater os distúrbios alimentares e a Deficiência Energética Relativa no Esporte.
Diferente de modalidades como o halterofilismo (que usa categorias de peso) ou do judô, os esportes estéticos e de julgamento subjetivo, como a ginástica rítmica, enfrentam barreiras complexas para impor regras rígidas de peso corporal. È por isso que a maioria das atletas são "magrelas".
A FIG realizou reformas estruturais em seus Códigos de Pontuação ao longo dos anos para tentar mitigar a pressão estética. O foco atual das regras de execução visa a potência física, flexibilidade dinâmica e a capacidade atlética, e não apenas um visual filiforme estático.
Ginastas de elite modernas tendem a apresentar uma composição corporal com maior percentual de massa muscular do que no passado, embora o percentual de gordura continue consideravelmente baixo.
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