![]() | Imagine espalhar manteiga em um pão-francês quentinho, sabendo que ela foi feita a partir do ar ao seu redor, e não do leite de uma vaca. Parece fantasia culinária, mas a Savor, uma startup da região da Baía de São Francisco, está tornando essa ideia realidade. Sua iniciativa "carbono em manteiga" é verdadeira alquimia moderna, transformando gases invisíveis em uma gordura rica e dourada. Em sua essência, a manteiga é apenas uma coleção de moléculas: carbono, hidrogênio e oxigênio, organizadas em gorduras. |

Supostamente, se você conseguir encontrar esses átomos e organizá-los corretamente, não precisa de pasto nem de um rebanho leiteiro; você pode fazer manteiga diretamente.
A abordagem da Savor inspira-se nas fontes hidrotermais das profundezas oceânicas, onde o calor e os minerais transformam moléculas simples em moléculas mais complexas.
Em seus laboratórios, o dióxido de carbono e o hidrogênio são as matérias-primas. Utilizando calor, pressão e catalisadores, esses gases se transformam em cadeias de hidrocarbonetos. Ao adicionar oxigênio nos pontos certos você obterá ácidos graxos, que são os blocos de construção essenciais da gordura do leite.
Finalmente, ao ligar esses ácidos ao glicerol, a Savor forma triglicerídeos, que são quimicamente idênticos às gorduras da manteiga, que misturadas cuidadosamente poderá controlar a textura, o ponto de fusão e até mesmo a crocância.

No produto final é acrescentado água, emulsificantes, aromas naturais -como óleo de alecrim- e corantes -como betacaroteno- para criar um produto que imita a manteiga tradicional.
Em outras palavras: isto tem muito mais a ver com química do que com agricultura e os equipamentos utilizados não são nada baratos levando a crença que essa manteiga, se existir, vai custar uma fortuna.
Bill Gates passou pela cozinha experimental da Savor há algum tempo; veja a reação dele à manteiga produzida em laboratório.
Os chefs já testaram a manteiga da Savor em massas folhadas, pães artesanais e até mesmo em confeitos de chocolate. O feedback? Segundo alegações ela se comporta de forma muito semelhante à manteiga tradicional. Derrete, espalha e enriquece os pratos de maneira familiar.
Até aqui, replicamos as informações fornecidas pelo site da Savor, mas eu tenho lá minha dúvidas se tudo isso é realmente funcional.
Que Tio Bill elogie a tal manteiga não confere importância nenhuma. Bill Gates, por meio de sua empresa de investimentos Empreendimentos Inovadores em Energia, é um dos principais investidores da Savor, tendo apoiado a empresa com um financiamento de R$ 180 milhões.
Neste caso eu mantenho a postura cética "sãotomesiana" de "ver para crer", ou melhor "experimentar para crer" baseado na experiência frustrante propiciada pela promessa de alternativas à carne à base de soja, especificamente concebidas para imitar bifes e outras carnes.
A ideia tem sido comercializada há mais de 50 anos, com as primeiras tentativas comerciais datando do início da década de 1970.
Embora os avanços no processamento tenham tecnicamente melhorado a textura desses produtos ao longo das décadas, a satisfação do consumidor e o crescimento do mercado sofreram nunca decolaram devido a problemas com sabor, textura e altos custos.
Agora pense: se um produto baseado no ultra-processamento do grão de uma leguminosa continua tendo gosto ascoroso e repugnante depois de 50 anos, que gosto terá uma manteiga baseada em ar?
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