
Não consegue voar, mas sobe em árvores com uma habilidade surpreendente. Não canta, mas emite um som grave e profundo que se propaga por quilômetros pela floresta em noites tranquilas. E depois há o cheiro.
O cácapo tem cheiro de mel e flores, uma fragrância quente, adocicada e terrosa, algo entre mamão papaia e madeira envelhecida. É a única ave no mundo conhecida por ter um cheiro genuinamente delicioso.
Com uma expectativa de vida que pode chegar a 100 anos, o cácapo é uma das aves mais longevas do planeta. É amigável e curioso, conhecido por demonstrar genuíno apreço pela companhia humana, talvez porque tenha evoluído em ilhas sem predadores naturais e simplesmente nunca tenha aprendido a ter medo.

O coitadinho quer fazer amizade com todo mundo e assim acaba virando refeição da doninha, especialmente o arminho introduzido nas ilhas. Este é um dos maiores desastres ecológicos da Nova Zelândia, sendo a principal causa de sua quase extinção.
Os arminhos foram introduzidos na Nova Zelândia no final do século XIX para controlar coelhos, mas atacaram a fauna nativa. Eles são vorazes e predam adultos, ovos e filhotes de cácapo
.
Como evoluíram em um ambiente sem mamíferos predadores, a única defesa do cácapo contra o perigo é congelar e paralisar. Isso os torna presas fáceis para arminhos, que caçam pelo olfato.

As fêmeas criam os filhotes sozinhas e precisam sair à noite para buscar comida, deixando os ninhos no solo vulneráveis a ataques de arminhos e outros predadores como ratos e gatos.
Para evitar a extinção, todos os cácapos restantes foram transferidos para ilhas controladas, livres de arminhos e outros mamíferos predadores.
As equipes de conservação trabalham incansavelmente, transferindo aves para ilhas livres de predadores, monitorando a nidificação e criando filhotes à mão.

O Departamento de Conservação (DOC) da Nova Zelândia monitora ativamente as ilhas, usando armadilhas para garantir que nenhum arminho chegue nelas.
O Programa de Recuperação do Cácapo é um dos esforços de resgate de vida selvagem mais intensivos da história e está funcionando de forma lenta e exemplar.
Graças a essas ações, a população de cácapos, que chegou a apenas 18 indivíduos conhecidos em 1977, aumentou para cerca de 255 indivíduos em 2024.
É de imaginar que nestes quase 50 anos a população cresceu pouco e isso é verdade. O cácapo tem sérios problemas para se reproduzir, pior até que o panda-gigante.
Quando um macho é colocado ao lado de uma fêmea, ele simplesmente não sabe o que fazer diferente de qualquer outro avícola que sai montando a fêmea, o que o coloca criticamente ameaçado de extinção. No vídeo do rodapé você ira ver um cácapo virgem tentando acasalar com a cabeça de um cinegrafista.
Os principais motivos pelos quais eles têm dificuldade em cruzar e aumentar sua população incluem a reprodução muito lenta.
As fêmeas só se reproduzem a cada dois a quatro anos, coincidindo com a frutificação da árvore rimu, que é sua principal fonte de alimento.
Há também o problema de baixa fertilidade e consanguinidade. Desde 1985, cerca de 40% dos ovos de cácapo são inférteis e outros 20% dos embriões morrem no início do desenvolvimento, suspeitando-se da consanguinidade como principal causa, já que esses animais vivem em áreas estreitas de ilhas.
Os machos se reúnem em leks locais específicos para competir pela atenção das fêmeas, o que significa que poucas fêmeas são copuladas por poucos machos dominantes, gerando alta consanguinidade.
Estudos recentes indicam que, além da baixa fertilidade, uma alta taxa de mortalidade precoce de embriões ocorre dentro dos ovos. Cácapos só começam a se reproduzir na adolescência com 6 anos ou mais.
A população caiu drasticamente devido a predadores introduzidos (como gatos, ratos e furões) na Nova Zelândia, forçando o monitoramento de cada um dos aproximadamente 255 indivíduos restantes por cientistas.
Devido a esses fatores, a inseminação artificial tem sido usada para aumentar a fertilidade e a diversidade genética da espécie.
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