![]() | Eu sempre achei estranho apenas pensar em uma avestruz correndo pela savana africana, que não parece ser um habitat que ela poderia chamar de seu. Ela parece uma ave que você encontraria normalmente correndo nas estepes da Eurásia, ou nos morros ermos das Américas. Mas elas evoluíram para prosperar na savana africana através de um longo processo de adaptação, transformando-se de ancestrais menores e capazes de voar em aves grandes, não voadoras e incrivelmente rápidas, com dois dedos, perfeitamente adaptadas a paisagens abertas. |

Embora os ancestrais antigos tenham vivido na Eurásia há aproximadamente 40 milhões de anos, eles desenvolveram sua estrutura moderna de dois dedos nas estepes da Ásia Central antes de colonizar a África há cerca de 20 milhões de anos, adaptando-se ao longo de milhões de anos a habitats de savana e áridos.
As avestruzes ancestrais trocaram a capacidade de voar por velocidade e tamanho para escapar de predadores em paisagens abertas, tornando-se as maiores aves vivas, podendo atingir até 2,7 metros de altura.
Suas asas agora são inúteis para o voo, mas são usadas para equilíbrio durante a mudança de curso de uma corrida, exibições de corte e regulação da temperatura, abrindo-se para liberar o excesso de calor.
Ao contrário da maioria das aves, as avestruzes têm apenas dois dedos. Um dedo interno grande suporta a maior parte do peso para estabilidade, enquanto a estrutura reduzida de dois dedos permite que elas corram a velocidades de até 72 km/h, tornando-as as aves terrestres mais rápidas.
No entanto, por algumas semanas elas são altriciais (dependem dos pais), o que faz a alegria dos leões, guepardos, leopardos, hienas e mabecos. A lei da seleção natural também faz com que muitas mães abandonem o pintinho incapaz no ninho em favor dos outros da ninhada que geralmente tem uns 10 pintinhos.
Foi o que aconteceu com uma adorável e desajeitada cria de avestruz somali no Santuário de Reteti, no Quênia, que tentou dar seus primeiros passos, mas tropeçava uma e outra vez nas próprias pernas, mostrada por um vídeo emocionante da série da PBS, "Baby Steps | Becoming Elephant: The Orphans of Reteti"
Felizmente, sua dedicada tratadora, Mary Lengees, especialista na recuperação de animais em condições extremas, estava por perto para ajudá-la repetidamente, como uma mãe ensinando seu filho a andar de bicicleta, até que a cria conseguiu se equilibrar sobre as próprias patas.
Esses filhotes de avestruz somali têm apenas algumas semanas de vida, mas um deles está com dificuldades para ficar em pé. Com a ajuda de tratadores dedicados, ela está aos poucos recuperando as forças.
Este animal na natureza selvagem, sem a intromissão humana, já teria virado refeição, mas o Santuário de Reteti é um centro de conservação e seus tratadores farão de tudo para qualquer animal prosperar
- "O imprinting é um processo crucial no início da vida, no qual os filhotes aprendem a identificar e seguir seus 'pais' reconhecendo o primeiro objeto em movimento que veem consistentemente", disse Mary. - "Infelizmente, a grama alta pode obstruir sua visão, impedindo-os de ver a mãe e prejudicando sua capacidade de se familiarizarem com o ambiente. Isso frequentemente resulta na perda dos filhotes, o que exige esforços de resgate e reabilitação."
Logo esta pequena desengonçada terá pernas longas e musculosas que lhe permitirão percorrer grandes distâncias (3 a 5 metros por passada) com pouco esforço, e escoicear predadores até a morte.
As avestruzes fêmeas têm penas castanhas para se misturarem com a vegetação rasteira da savana durante o dia, enquanto os machos têm plumagem preta para a noite, protegendo o ninho.
As avestruzes são adaptadas para viver em ambientes áridos e obtêm a maior parte da água das plantas que consomem, o que lhes permite prosperar em desertos e savanas semiáridas.
Elas também têm olhos grandes que lhes permitem detectar predadores a mais de um quilômetro e meio de distância, tornando-as sentinelas eficazes.
Várias fêmeas põem ovos em um único ninho (em média uns 70), mas uma "galinha dominante" mantém seus ovos no centro para aumentar a taxa de sobrevivência dos filhotes do grupo. Mas isso também acarreta um custo: a fêmea dominante deverá cuidar de todos os ovos.
Os filhotes eclodem, deixam o ninho em duas ou três semanas e crescem cerca de 30 centímetros por mês, atingindo rapidamente um tamanho que os ajuda a evitar predadores menores.
Ah sim... a "cabeça enfiada na areia é um mito advindo do fato de que fêmeas e machos em incubação costumam deitar-se ao perceber aproximação de um predador, mantendo pescoço e cabeça estendidos no chão. Vistos de longe, o pescoço raso pode desaparecer, o que pode ter originado a lenda.
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