![]() | Você provavelmente sabe que há um fio de cabelo de milho por cada grão na espiga, mas será que tem conhecimento que é mais fácil encontrar um trevo de 4 folhas do que uma espiga de milho com número ímpar de fileiras? O milho foi domesticado há cerca de 10.000 anos, provavelmente de um ancestral perdido das terras altas do centro do México, cujos restos mais antigos se assemelham ao milho tipo pipoca. Este milho domesticado chegou ao Panamá por volta de 5.600 a.C. e ao norte da América do Sul por volta de 4.000 a.C. , fazendo com que hoje o milho seja a 3ª cultura alimentar mais importante do mundo medida em volume de produção, atrás apenas do trigo e do arroz. Em termos de área plantada, perde apenas para o trigo. |

Uma espiga média de milho tem 800 grãos, dispostos em 16 fileiras longitudinais, de fato, uma espiga quase sempre tem um número par de fileiras. Isto se deve ao fato de que uma espiga de milho é na verdade uma inflorescência que produz cerca de 1.000 flores femininas. Essas flores, ou grãos em potencial, são dispostas em um número par de fileiras -geralmente de 8 a 22-.
O número de linhas é sempre um número par porque as espiguetas de milho nascem aos pares, e cada espigueta produz duas florzinhas: uma fértil e outra estéril. Como cada espigueta origina um grão de milho, e os grãos seguem o mesmo arranjamento em fileiras duplas, isso vai resultar sempre em um número par de fileiras. Pode contar da próxima vez que ver uma.
A maioria das coisas na natureza tem um número par de linhas ou fileiras. Pense desta forma: uma célula se divide em 2, à medida que a divisão celular continua, sempre há um número par.
Na cultura popular, encontrar uma espiga de milho com fileiras ímpares às vezes era usado para fazer promessas impossíveis de se cumprir. O livro "Ateísmo e Aritmética, ou, Lei Matemática na Natureza" conta a lenda de um escravo que, ao receber a promessa de sua liberdade se encontrasse uma espiga de milho com um número ímpar de fileiras de grãos, foi para a plantação e abriu hábil e cuidadosamente as palhas de várias espigas, retirou uma fileira de grãos de cada uma e fechou as palhas novamente.
O milho cresceu e amadureceu, fechando em seu crescimento os espaços vagos, e quando foi colhido ele encontrou uma espiga com um número ímpar de fileiras, e a apresentou a seus senhorio e reivindicou o benefício prometido!
Por outro lado, os trevos de quatro folhas são uma mutação relativamente comum na natureza, com aproximadamente 1 em 5.000 a 10.000, enquanto o milho com número ímpar de fileiras é praticamente impossível devido à forma como o milho se desenvolve.
Embora o trevo normalmente tenha três folhas, um gene recessivo ou uma mutação genética pode causar uma quarta folha. Condições estressantes, como alterações no solo, poluição ou temperatura, podem desencadear uma mutação que produz uma folha extra.
Como o trevo se espalha por meio de caules subterrâneos, uma única planta com o "gene de quatro folhas" pode criar um "ponto quente". Se você encontrar uma, provavelmente encontrará muito mais por perto.
Uma espiga de milho com fileiras ímpares é considerada muito mais rara do que um trevo de quatro folhas, sendo por vezes citada como uma ocorrência "de uma em um milhão". O estresse em um estágio específico do desenvolvimento poderia teoricamente produzir uma espiga com um número ímpar de fileiras, mas se você olhar sob um microscópio, encontrará uma fileira invisível que não se desenvolveu completamente. A espiga de milho é uma tabuada de dois.
Há um mito muito estendido de que colher trevos de quatro folhas fará com que eles deixem de existir ou entrem em extinção. Embora a ideia de que "colhê-los impede a transmissão de seus genes" pareça lógica, ela demonstra uma incompreensão de como a planta se reproduz e como a mutação ocorre.
Os trevos-brancos (Trifolium repens) não crescem como plantas individuais e isoladas. Eles crescem em grupos interligados por meio de estolões horizontais. Colher uma única folha não mata a planta nem impede sua reprodução, pois ela se propaga pelo sistema radicular, e não pelas folhas.
A mutação é genética e ambiental: um trevo de quatro folhas resulta de uma mutação genética recessiva combinada com fatores ambientais, como nutrientes do solo ou estresse.
Colher a folha não elimina o potencial genético dos estolões da planta, que pode simplesmente produzir mais mutantes de quatro folhas posteriormente.
Como a característica de quatro folhas é uma mutação recessiva encontrada no trevo-branco comum, ela se comporta como uma peculiaridade "acidental" da natureza. O gene já está presente na plantação, então, se uma planta for colhida, outra poderá eventualmente aparecer na mesma área.
Nem sempre quatro folhas são sinal de "sorte" para a planta: um trevo de quatro folhas não possui nenhuma vantagem evolutiva sobre um de três folhas; na verdade, a folha extra exige mais energia para se manter. A mutação é rara porque é difícil para a planta produzi-la, não porque os humanos as colham com muita frequência.
A crença de que trevos de quatro folhas trazem sorte é uma tradição antiga, enraizada na cultura celta e na raridade natural da planta, que a transformou em um amuleto simbólico de boa fortuna.
A maioria dos trevos tem três folhas, representando a Santíssima Trindade (no contexto cristão) ou virtudes celtas. Na antiga Irlanda, os druidas (sacerdotes celtas) acreditavam que o trevo de quatro folhas protegia contra espíritos malignos e trazia boa sorte. Eles os viam como um amuleto mágico de proteção.
Uma lenda cristã diz que, ao ser expulsa do Jardim do Éden, Eva pegou um trevo de quatro folhas como lembrança do paraíso, associando a planta a um símbolo de benção.
Ao longo do tempo, cada folha ganhou um significado simbólico: a primeira é para a fé, a segunda para a esperança, a terceira para o amor e a quarta para a sorte.
Na Idade Média, acreditava-se que carregar um trevo de quatro folhas permitia que a pessoa visse fadas, reconhecesse bruxas e evitasse má sorte.
A ideia de que o trevo traz sorte foi popularizada e, em 1620, o autor Sir John Melton escreveu que quem encontrasse um trevo de quatro folhas encontraria algo de bom em breve. Hoje, ele continua sendo um símbolo mundialmente reconhecido de boa fortuna e um amuleto para trazer sucesso e afastar más energias.
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