![]() | Pense em uma memória realmente vívida do seu passado. Conseguiu? Ótimo, agora tente se lembrar do que você almoçou há três semanas ou se tomou o remédio de pressão hoje de manhã. Essas duas últimas memórias provavelmente não são tão fortes, mas por quê? Por que nos lembramos de algumas coisas e não de outras? E por que as memórias acabam se apagando? Para responder estas questões, primeiro temos que analisar como as memórias se formam. Quando você disca um número de telefone, por exemplo, a experiência é convertida em um pulso de energia elétrica que percorre uma rede de neurônios. |

A informação primeiro chega à memória de curto prazo, onde fica disponível por alguns segundos a alguns minutos. A informação é então transferida para a memória de longo prazo através de áreas como o hipocampo e, finalmente, para diversas regiões de armazenamento em todo o cérebro.
Os neurônios em todo o cérebro se comunicam em locais específicos chamados sinapses, usando neurotransmissores especializados. Se dois neurônios se comunicam repetidamente, algo notável acontece: a eficiência da comunicação entre eles aumenta.
Esse processo, chamado "potenciação de longo prazo", é considerado um mecanismo pelo qual as memórias são armazenadas a longo prazo, mas como algumas memórias se perdem?
A idade é um fator. À medida que envelhecemos, as sinapses começam a falhar e enfraquecer, afetando a facilidade com que conseguimos recuperar as memórias.
Os cientistas têm várias teorias sobre o que está por trás dessa deterioração, desde a própria redução do volume cerebral -o hipocampo perde 5% de seus neurônios a cada década, totalizando uma perda de 20% aos 80 anos de idade- até a queda na produção de neurotransmissores, como a acetilcolina, que é vital para o aprendizado e a memória.
Essas mudanças parecem afetar a forma como as pessoas recuperam informações armazenadas. A idade também afeta nossa capacidade de formar memórias.
As memórias são codificadas com mais força quando estamos prestando atenção, quando estamos profundamente envolvidos e quando a informação é significativa para nós.
Problemas de saúde mental e física, que tendem a aumentar com a idade, interferem em nossa capacidade de prestar atenção e, portanto, agem como ladrões de memória.
Outra das principais causas de problemas de memória é o estresse crônico. Quando estamos constantemente sobrecarregados com trabalho e responsabilidades pessoais, nossos corpos ficam em estado de hiperalerta.
Essa resposta evoluiu a partir do mecanismo fisiológico projetado para garantir nossa sobrevivência em uma crise. Os neurotransmissores do estresse ajudam a mobilizar energia e aumentar o estado de alerta.
No entanto, com o estresse crônico, nossos corpos ficam inundados por esses neurotransmissores, resultando na perda de células cerebrais e na incapacidade de formar novas, o que afeta nossa capacidade de reter novas informações.
A depressão é outra culpada. Pessoas deprimidas têm 40% mais chances de desenvolver problemas de memória. Baixos níveis de serotonina, um neurotransmissor ligado à excitação, podem tornar os indivíduos deprimidos menos atentos a novas informações.
Ficar remoendo eventos tristes do passado, outro sintoma da depressão, dificulta a atenção ao presente, afetando a capacidade de armazenar memórias de curto prazo.
O isolamento, que está ligado à depressão, é outro ladrão de memória. Um estudo da Escola de Saúde Pública de Harvard descobriu que idosos com altos níveis de integração social apresentaram uma taxa mais lenta de declínio da memória ao longo de um período de seis anos.
O motivo exato ainda não está claro, mas os especialistas suspeitam que a interação social exercita o cérebro. Assim como a força muscular, precisamos usar o cérebro ou corremos o risco de perdê-lo.
Mas não se desespere. Há várias medidas que você pode tomar para ajudar seu cérebro a preservar suas memórias.
Mantenha-se fisicamente ativo. O aumento do fluxo sanguíneo para o cérebro é benéfico. E alimente-se bem. Seu cérebro precisa de todos os nutrientes certos para funcionar corretamente.
E, por fim, exercite seu cérebro. Expor seu cérebro a desafios, como aprender um novo idioma, é uma das melhores defesas para manter suas memórias intactas.
Você se lembra de uma memória vívida do seu passado, só pelo fato de se lembrar dela. Mas não se lembra do que comeu na semana passada ou se tomou o remédio de pressão porque são uma espécie de atos-reflexos. Você precisa se lembrar que deve tomar o remédio ou almoçar, mas uma vez realizados não importam mais.
Comparar nosso cérebro a um HD é uma analogia excelente, mas se fôssemos analisar o cérebro sob a ótica da engenharia de sistemas, veríamos que ele é um hardware muito mais "caótico" (e fascinante) do que um HD convencional.
Embora a ideia de "apagar o lixo" e "fazer backup do essencial" faça sentido, o processo biológico tem algumas peculiaridades que deixariam qualquer gerente de TI de cabelo em pé.
O cérebro realmente faz uma espécie de manutenção preventiva enquanto dormimos. Durante o sono, o hipocampo (que funciona como uma memória RAM ou um cache temporário) "transfere" as informações importantes para o córtex cerebral, onde está nosso armazenamento de longo prazo. Ele então decide o que fica com base na intensidade emocional e na repetição.
O que não teve utilidade ou carga emocional é "deletado" através de um processo chamado poda sináptica. Se você não deu importância ao que almoçou na terça-feira passada, o sistema entende que manter esse dado é um desperdício de energia, e energia, para o cérebro, é um recurso caríssimo.
Mas há um ponto onde esta analogia falha miseravelmente. Em um computador, quando você abre um arquivo de texto, o sistema lê os bits e te mostra o arquivo exatamente como ele foi gravado. No cérebro, lembrar é um ato de reconstrução.
Cada vez que você acessa uma memória, você não está apenas "lendo" o arquivo; você o está reescrevendo. É como se, toda vez que você abrisse um documento, o Word fizesse um "Save As" automático por cima do original, adicionando cores novas ou mudando algumas palavras conforme o seu estado emocional atual.
É por isso que nossas memórias de infância muitas vezes parecem mais "coloridas" ou dramáticas ou inclusive falsas do que realmente foram: o arquivo sofreu sucessivas edições ao longo das décadas.
Diferente de um HD, onde um dado ocupa um setor físico específico, a memória humana é distribuída. Se você lembra de uma "maçã", o dado não está em uma "pasta". O formato da maçã está no córtex visual. O som da palavra "maçã" está na área da linguagem. O sabor está em outra região.
A lembrança é o cérebro disparando todos esses setores simultaneamente. Se um desses "servidores" cai ou a conexão entre eles enfraquece, você tem aquele fenômeno do "está na ponta da língua". O sistema sabe que o arquivo existe, mas o link de acesso está quebrado.
O grande defeito (ou virtude) desse projeto é que o cérebro prioriza o que é vital ou traumático em vez do que é útil. Você pode esquecer se tomou o medicamento hoje de manhã, mas o sistema jamais permitirá que você esqueça a sensação de ter quase caído de uma escada há dez anos. O backup de "segurança" (medo) sempre tem prioridade de banda sobre o backup de "dados técnicos".
No fim das contas, somos um sistema que faz um ótimo trabalho em descartar o irrelevante, mas que tem uma tendência irritante de salvar "arquivos corrompidos" pela nossa imaginação e pelas nossas emoções.
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