
Para entender nossas estradas modernas, precisamos voltar no tempo, até as ferrovias da década de 1830. Muito antes dos carros existirem, os trens estavam entre as máquinas mais rápidas e potentes de sua época.
Eles precisavam desesperadamente de uma maneira de evitar colisões catastróficas na escuridão. A indústria ferroviária desenvolveu um sistema de sinalização luminosa por cores. Com o tempo, o vermelho tornou-se a cor padrão para sinalizar parada ou perigo.
À medida que as pessoas se familiarizavam com os sinais ferroviários, passavam também a associar a luz vermelha brilhante à cautela e ao alerta.
Décadas mais tarde, quando os primeiros automóveis finalmente chegaram às estradas de terra, não houve reinvenção da roda. Os primeiros fabricantes de automóveis simplesmente adotaram a lógica de iluminação das ferrovias, pois as pessoas já compreendiam o significado da luz vermelha.
Mas acontece que a história não se resumia apenas a isso. A física também contribuiu para tornar o vermelho uma escolha prática. Vamos falar sobre a física da luz. A luz visível propaga-se em ondas. Cores como azul e violeta possuem ondas muito curtas e compactas, enquanto o vermelho tem o maior comprimento de onda de todo o espectro visível.
Devido ao seu maior comprimento de onda, a luz vermelha sofre menos dispersão pelas minúsculas moléculas da atmosfera do que as luzes de ondas mais curtas, como a azul. É o mesmo fenômeno, conhecido como espalhamento de Rayleigh, que faz com que os pores do sol pareçam vermelhos.
Embora esse não tenha sido o motivo principal para a escolha do vermelho nas lanternas traseiras, a característica tornou a cor uma opção prática para sinalização a longa distância.
Além disso, a luz vermelha é reconhecida instantaneamente. Os motoristas sabem de imediato que estão vendo a traseira de outro veículo, o que ajuda na rapidez de reação e reduz a confusão no trânsito.
Este é o motivo pelo qual as lanternas traseiras aumentam a luminosidade quando o motorista pisa no freio. O aumento da luminosidade serve para avisar os motoristas de trás que o carro está reduzindo a velocidade ou parando. A luz mais forte chama a atenção imediata e ajuda a evitar batidas na traseira.
Então, se a cor vermelha funciona tão bem na traseira de um carro, por que os faróis dianteiros também não são vermelhos? Bem, porque a parte dianteira do carro tem uma função completamente diferente.
As lanternas traseiras servem para serem vistas, enquanto os faróis servem para enxergar. A luz branca se assemelha muito à luz natural do dia. Ela reflete as cores reais, ilumina as placas de sinalização e proporciona o máximo contraste para identificar perigos, como um animal atravessando a estrada.
Desde as antigas lâmpadas a gás acetileno dos primeiros modelos da Ford até os potentes LEDs de hoje, o objetivo permanece o mesmo: projetar para a frente um feixe de luz o mais brilhante e nítido possível.
Em 1968, a Convenção de Viena sobre Trânsito Viário padronizou o uso de faróis brancos e lanternas vermelhas para os países signatários, ajudando a criar uma linguagem comum de segurança viária em grande parte do mundo.
Nesse caso, no entanto temos um problema de civilidade grave: os taradões da noite que parecem desconhecer que seu veículo tem luz baixa.
Deixar o farol alto aceso ao cruzar com outro veículo é uma infração grave de trânsito, com multa de R$ 293,47 e 7 pontos na CNH, além de ser perigoso porque ofusca a visão do motorista que vem no sentido oposto.
Tranquilo! Se você já se cansou de passar raiva com esta prática há algo muito simples a fazer. Durante muitos anos eu cruzei a Via Dutra e a Regis Bittencourt, à noite, para ir ver minha mãe e namorada. O segredo é usar aqueles "oclinhos" amarelos de visão noturna. São baratinhos e não custam mais que 50 reais.
Os óculos com lentes amarelas filtram a luz azul de alta energia emitida por faróis de LED e Xenon, o que Os óculos com lentes amarelas (chamados de Night Drive) filtram a luz azul de alta energia emitida por faróis de LED e Xenon, o que diminui a sensação imediata de ofuscamento e aumenta o contraste da via em situações de neblina ou chuva. e aumenta o contraste da via em situações de neblina ou chuva.
Só que há de ter cuidado e preferencialmente não usá-los em ruas das cidade, pois da mesma forma em que diminui a sensação imediata de ofuscamento, diminui o desempenho da detecção de pedestres.
Boa viagem!
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