![]() | Icebergs colapsando e virando são um sinal de alerta das mudanças climáticas, pois o aquecimento global acelera o derretimento e a desestabilização das grandes massas de gelo do planeta. O ar mais quente e os oceanos aquecidos atacam as geleiras por cima e por baixo. Esse enfraquecimento faz blocos gigantes de gelo se soltarem das geleiras com muito mais frequência, um processo chamado de desprendimento ou calvagem. Quando o pedaço se solta, o centro de gravidade do iceberg muda. O gelo perde o equilíbrio e vira de cabeça para baixo na água. |

O canal do Youtube Afar TV capturou imagens absolutamente impressionantes, para não dizer de partir o coração, de um iceberg colossal desabando e virando nas águas próximas a Ilulissat, na Groenlândia. Este evento incrível, que durou cerca de uma hora, foi transformado em um vídeo em time-lapse de dez minutos.
Este evento específico ocorreu na costa oeste da Groenlândia, perto da entrada do Fiorde de Gelo de Ilulissat, Patrimônio Mundial da UNESCO, onde eventos como esse cada vez se tornam mais comuns.
À medida que grandes porções de gelo se desprendiam, a forma e o equilíbrio do iceberg mudavam até que ele se tornou instável e tombou.
Os icebergs flutuam em equilíbrio entre seu peso e a força de empuxo da água do mar circundante, com a maior parte de sua massa abaixo da superfície. O derretimento, a erosão e a perda de grandes seções podem deslocar o centro de gravidade de um iceberg.
Quando sua posição atual deixa de ser estável, o iceberg pode girar repentinamente para uma nova orientação. O emborcamento resultante pode deslocar um grande volume de água e produzir ondas locais poderosas, como mostra este outro vídeo.
Por que isso importa hoje? A frequência desses eventos mostra que o gelo da Antártida e da Groenlândia está diminuindo rápido. Todo esse gelo que vai para o oceano eleva o nível do mar, ameaçando cidades costeiras no mundo todo. Menos gelo polar altera as correntes marítimas e o clima global. As filmagens originais:
A elevação do nível do mar afeta o litoral brasileiro principalmente por meio da destruição da infraestrutura urbana, da perda acelerada de faixas de areia e da salinização de fontes de água doce. Com mais de 7.400 km de costa, o país enfrenta impactos severos devido à combinação do derretimento polar, da expansão térmica dos oceanos e da urbanização desordenada da orla.
Estudos científicos recentes e dados compilados pela ONU apontam que o ritmo de elevação dos oceanos acelerou para 4,3 mm ao ano. Como consequência direta, o Brasil perdeu cerca de 15% de sua faixa de areia nos últimos 30 anos, o equivalente ao desaparecimento de 15 metros a cada 100 metros de praia.
A megaobra de alargamento da Praia Central de Balneário Camboriú (concluída em dezembro de 2021) foi motivada diretamente pela erosão costeira acelerada pelas mudanças climáticas, mas com um agravante humano central: a destruição das defesas naturais da própria praia.
O sumiço da faixa de areia, que em alguns trechos chegou a apenas 25 metros antes da obra, aconteceu devido a uma combinação de fatores geográficos, climáticos e urbanos.
Embora a obra de alargamento tenha custado milhões e empurrado a linha do mar, cientistas alertam que o oceano continua subindo e em um futuro não muito distante o mar vai tomar tudo o que é seu de novo.
Menos de dois anos após o término da intervenção, o mar cobrou o seu espaço e "engoliu" cerca de 50 metros de areia em pontos específicos (criando degraus e lagoas artificiais), evidenciando que essas obras exigem manutenção contínua e não freiam a crise climática global por si sós.
De fato, cerca de 40% da costa do país já sofre as consequências do avanço do mar. O fenômeno reduz o espaço de lazer turístico, destrói calçadões e ameaça diretamente as estruturas de grandes arranha-céus construídos muito próximos à água.
Um relatório da Universidade McGill detalha que milhões de metros quadrados construídos estão em zonas de baixa altitude. O avanço marinho coloca em perigo portos, sistemas de esgoto, redes de água, rodovias litorâneas e hospitais.
Um dos exemplos mais emblemáticos ocorreu em 2004 na cidade de Barra do Sul, quando um bairro inteiro foi, pouco a pouco, engolido pelo mar. A cidade do litoral norte de Santa Catarina enfrenta ressacas e marés altas muito mais agressivas. O mar invade o sistema de drenagem pluvial, provocando alagamentos frequentes mesmo em dias sem chuva.
Um impacto oculto: intrusão salina em aquíferos. A água salgada penetra no subsolo e contamina os lençóis freáticos de água doce. Isso compromete o abastecimento público e prejudica a irrigação da agricultura local.
É assim que icebergs como este de Ilulissat colaboram, gota a gota, para que manguezais, restingas e dunas sofram alagamentos permanentes. A perda dessas barreiras naturais retira a proteção contra tempestades e afeta a pesca artesanal pela mudança no habitat de peixes e crustáceos.
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