![]() | Não existe um ranking global oficial com estatísticas contínuas e precisas do consumo individual (per capita) de carne de caça, pois boa parte desse mercado é proibido (como no Brasil), informal, de subsistência ou não contabilizado por órgãos como a Organização das Nações Unidas para a Alimentação e a Agricultura (FAO). No entanto, com base em dados de produção e relevância cultural de carne de caça, incluindo grandes mamíferos e caça comercial/tradicional, alguns países se destacam no topo global. |

Quando comecei a escrever este artigo logo pensei que o Vietnã teria destaque nesse ranking por conta da galinha-selvagem. Embora o ancestral genético de todas as galinhas domésticas seja a galinha-banquiva (Gallus gallus), que vive nativa e livre nas florestas do Vietnã e do Sudeste Asiático, isso não altera os dados de consumo de carne de caça porque o volume é irrelevante.
A imensa maioria das galinhas consumidas no Vietnã hoje vem da avicultura industrial moderna ou de criações domésticas de quintal (galinha caipira), e não da caça de aves selvagens nas florestas. De fato, o próprio vietnamita rural não gosta da banquiva por ter carne dura e por ser muito arisca.
Portanto, a presença da galinha selvagem na natureza do Vietnã é uma curiosidade biológica, mas economicamente ela não move os ponteiros do consumo de carne de caça como faz com os dos seguintes 3 países.
Papua-Nova Guiné

É historicamente apontada em levantamentos globais, como bases de dados de produção e consumo de proteínas silvestres, como o país com maior dependência e volume proporcional de carne de caça na dieta de suas populações rurais e locais.
A Papua-Nova Guiné é líder global per capita em consumo de carne de caça em populações rurais e tradicionais, segundo a base de dados de consumo de proteínas silvestres (GENuS/FAO).
Estados Unidos

Lideram em valor bruto de produção/comercialização regulamentada de carne de caça, como cervos, javalis e aves silvestres, além de possuírem uma forte cultura de caça esportiva e de subsistência em estados rurais.
Os Estados Unidos têm o maior volume em valor econômico de produção e mercado de caça, com forte tradição de caça de subsistência e esportiva, segundo relatórios de produção bruta de carne de caça (NationMaster / USDA).
República do Congo

A região dos países da Bacia do Congo e África Central apresenta um dos maiores volumes do mundo no consumo de carne de caça como fonte essencial de proteína animal para comunidades florestais e de subsistência. (Nota: A Nigéria e a Alemanha também aparecem com volumes expressivos de produção ou valor de mercado de caça.
o alto volume de consumo de carne de animais silvestres é essencial para a segurança alimentar em áreas florestais, segundo estudos da Bacia do Congo e estatísticas de produção florestal.
Por que a carne de caça é proibida no Brasil?

No Brasil, a caça e a comercialização de carne de animais silvestres são proibidas por leis de proteção ambiental e sanitária. Pela Lei nº 5.197/1967 (Lei de Proteção à Fauna) e pela Lei nº 9.605/1998 (Lei de Crimes Ambientais), os animais silvestres pertencem ao Estado. A caça predatória e indiscriminada causa desequilíbrios ecológicos e risco de extinção de espécies (como paca, tatu e capivara).
A carne de caça ilegal não passa por inspeção veterinária ou controle de órgãos como o Ministério da Agricultura e Pecuária (MAPA). Isso eleva drasticamente o perigo de transmissão de zoonoses e doenças graves, como raiva, leptospirose, brucelose e toxoplasmose.
Caçar, matar, transportar, comercializar ou ter animais silvestres em cativeiro sem autorização do IBAMA é considerado crime, com penas que variam de 6 meses a 1 ano de detenção, além de multas.
A legislação brasileira prevê poucas exceções: é permitido consumir ou comercializar carne silvestre (como paca) somente se ela vier de um criadouro comercial devidamente licenciado pelo IBAMA e com o devido selo de inspeção sanitária.
O controle de espécies invasoras, como o javali, é permitido em regras específicas de manejo, mas a comercialização, doação ou transporte interestadual da carne continuam proibidos devido à ausência de certificação sanitária.
Lógico, os povos indígenas têm o direito legal de caçar, mas com regras bem específicas. O direito é garantido pelo Estatuto do Índio (Lei nº 6.001/1973), que assegura o usufruto exclusivo das riquezas naturais dentro de suas terras demarcadas. Isso inclui o exercício da caça e da pesca como meio de subsistência (alimentação) e para a manutenção de seus rituais e costumes ancestrais.
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