![]() | Mesmo sem saber sobre suas semelhanças químicas, você poderia presumir que existe uma relação entre o catarro e a baba de lesma-banana (Ariolimax) apenas com base na consistência, e você estaria absolutamente certo. O muco, o equivalente humano da baba de lesma, é familiar a todos nós: aquela substância adorável com a qual nos tornamos íntimos quando pegamos um resfriado, escorrendo do nariz e exigindo ser expelida dos pulmões pela tosse. Embora a maioria das nossas interações com o nosso próprio muco tenha conotações negativas, ele nos presta serviços valiosos. |

O muco reveste a parte externa das células que revestem a boca, os seios nasais, os pulmões, o estômago, os intestinos e até mesmo os globos oculares. Ele está presente em qualquer lugar que precise se manter úmido, criando uma superfície escorregadia que protege essas áreas da desidratação, além de ajudar materiais (como alimentos) a se moverem suavemente pelo trato digestivo sem causar lesões. Além dessa barreira física de proteção, o muco também nos protege de intrusos muito menores do que um pedaço de comida.
Estamos constantemente inalando poeira e, com ela, bactérias e vírus. Quando esses pequenos e perigosos organismos entram em nossos pulmões, o muco que reveste o corpo faz com o micróbio o que uma planta carnívora faz com uma mosca que pousa em suas folhas pegajosas: o aprisiona. Quando esse muco é expelido dos pulmões, seus reféns microbianos vão junto, e evitamos a infecção.
Mas esta é uma história sobre lesmas, não sobre pessoas ou plantas carnívoras, então vamos mudar o foco para as estrelas do artigo. As lesmas terrestres realmente produzem muco por muitos dos mesmos motivos que nossos corpos: hidratação e defesa contra patógenos, mas também o produzem para seus próprios propósitos únicos: locomoção, acasalamento e proteção contra predadores.
O muco das lesmas é significativamente mais diversificado em seus usos do que o nosso, o que faz sentido quando consideramos que ele reveste tanto a parte externa quanto a interna de seus corpos moles e escorregadios. Nossas superfícies externas permanecem, infelizmente, livres de muco, exceto os globos oculares, que você pode imaginar como duas pequenas lesmas em sua cabeça.
Mas, novamente, vamos mudar o foco, pois se fossemos falar sobre a serventia do muco para as lesmas ficaríamos aqui até depois de amanhã.
O acasalamento da lesma-banana é um ritual bizarro, altamente coreografado e incrivelmente viscoso. Por serem hermafroditas simultâneos, possuindo órgãos masculinos e femininos, elas cortejam seguindo trilhas de muco impregnadas de feromônios.
O encontro envolve horas de círculos, balanços de cabeça e mordiscadas antes de unirem seus pênis surpreendentemente grandes em uma lenta troca recíproca de esperma.
As lesmas não ouvem, nem têm cordas vocais, e sua visão é semelhante à da minha tia, cuja visão, antes de fazer uma Lasik, era tão embaçada que ela era legalmente cega. Embora eu adore a imagem de uma lesma-banana com minúsculos óculos de fundo de garrafa, não existem optometristas para lesmas, que eu saiba, então elas dependem muito mais do tato e do olfato do que nós.
Isso nos leva a outro elemento da baba de lesma: os feromônios. Essas são substâncias químicas usadas para enviar mensagens a outros indivíduos, mas são transmitidas pelo olfato em vez da fala.
Nossos próprios corpos também produzem feromônios, mas somos incapazes de extrair deles nem de perto a quantidade de informações que uma lesma consegue, graças à sua sensibilidade olfativa aguçada.
Não seria incrível se pudéssemos ler uma mensagem de texto apenas cheirando nossos celulares? É basicamente isso que as lesmas-banana fazem ao secretar feromônios no rastro de muco que deixam para trás, com o objetivo de atrair parceiros em potencial.
Esse método de comunicação odorífero é especialmente útil para encontrar um parceiro: a floresta é um lugar vasto, e nossas amigas lesmas não conseguem se mover muito rápido, mas o sexo precisa encontrar um jeito. As lesmas-banana liberam feromônios específicos em seu rastro viscoso quando estão procurando um parceiro, espalhando o cheiro para outras na área.
É como abrir um perfil no Tinder para lesmas, para que as outras lesmas solteiras da região possam dar uma olhada. Quando há um match, a pessoa interessada pode seguir o rastro do indivíduo até que finalmente se encontrem, e um encontro entre lesmas começa! Ah, o amor é lindo!
Ao iniciarem sua dança de cortejo, produzem uma abundância de muco espesso e rico em nutrientes, envolvendo-se em uma "cama nupcial" temporária e há um motivo para tudo isso.
O pênis da lesma-banana emerge diretamente de sua cabeça. Em algumas espécies, esse apêndice pode crescer até atingir o comprimento total do corpo da lesma. Quando acasalam, elas entrelaçam esses órgãos, que possuem uma estrutura complexa e sinuosa, e passam várias horas transferindo pacotes de esperma de uma para a outra.
Talvez o detalhe mais bizarro e famoso do acasalamento da lesma-banana seja um comportamento conhecido como apopalação. Após (ou às vezes durante) uma sessão de cópula de várias horas, uma das lesmas arranca o pênis do parceiro com uma dentada. Ui!!! Tranquilo! Não dói nada (acho). A baba tem propriedades anestésicas.
A consistência da baba das lesmas, por si só, já é um grande fator que impede animais como cobras, pássaros e guaxinins de prová-las. Sabe-se que os guaxinins rolam suas lesmas na terra antes de tentar engoli-las para reduzir a viscosidade, o que é agravado pelo aumento na produção de baba que as lesmas apresentam quando pressentem o ataque de um predador. Se você desse uma mordida generosa em um hambúrguer delicioso e sua boca se enchesse imediatamente de uma baba viscosa e pegajosa, você também provavelmente ficaria um pouco enjoado.
A produção de muco, é claro, é comum a todos os diferentes tipos de lesmas terrestres. Somente a lesma-banana possui um outro cúmplice dentro dessa defesa pegajosa para evitar ser devorada: anestesia local! Sim, o mesmo tipo de substância química que o dentista injeta na sua boca quando for fazer um tratamento de cárie.
Os cientistas acreditam que esse é um mecanismo para impedir que os parceiros fujam com o esperma antes que a troca esteja completa, ou um ato para obter uma dose concentrada de nutrientes.
Embora o órgão não se regenere, a lesma ainda pode continuar sua vida como fêmea, mas não poderá acasalar mais. Depois de se separarem, exaustas e fisicamente alteradas, elas não desperdiçam a gosma. Ambas as lesmas comem o muco rico em nutrientes restante para recuperar a energia gasta durante o longo cortejo.
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