![]() | Os vídeos do Youtuber John D. Boswell, mais conhecido na cena internética como Melodysheep, costumam despertar a atenção de quase todo tipo de público, mesmo aquele que não se interessa por ciência porque ele aborda os conteúdos com foco principal na divulgação científica poética e visual, e não na pesquisa acadêmica bruta. Os vídeos são baseados em dados reais da astrofísica, cosmologia e mecânica quântica modernas, construídos a partir de teses de cientistas renomados, dados da NASA, da Agência Espacial Europeia e de teorias aceitas pela comunidade científica. |

Embora as projeções visuais de buracos negros, colisões de galáxias e o fim do tempo exijam efeitos visuais artísticos, essas representações seguem as equações e modelos teóricos mais aproximados que a ciência dispõe hoje.
O objetivo não é trazer descobertas inéditas, mas sim traduzir o conhecimento científico complexo em uma linguagem acessível e inspiradora para o público geral.
O canal Melodysheep acumula centenas de milhões de visualizações devido a uma fórmula técnica e artística impecável. John é, antes de tudo, um compositor musical. Ele cria trilhas sonoras orquestrais e eletrônicas cinematográficas que ditam o ritmo e evocam sentimentos de grandiosidade, melancolia e maravilhamento.
A qualidade gráfica de suas animações compete diretamente com produções de grandes estúdios de Hollywood ou de canais de TV a cabo, gerando um forte impacto visual.
A edição impecável consegue comprimir bilhões de anos em minutos, gerando um choque de perspectiva no espectador. Isso desperta reflexões profundas sobre a nossa insignificância e, ao mesmo tempo, a nossa raridade no universo.
Seu último vídeo ""Time-lapse do Universo: 13 bilhões de anos em 10 minutos' é um remake reformulado de uma obra anterior, que contava com as vozes marcantes de Carl Sagan, Brian Cox e David Attenborough, entre outros, passíveis de copyright.
A narração é de seu amigo Toby, também conhecido como EpicSpaceMan. Cada segundo neste vídeo representa 23 milhões de anos, então não estou exagerando quando digo que a escala é épica.
No primeiro minuto, após o Big Bang, você assiste ao nascimento das primeiras estrelas (é incrível vê-las cintilar e surgir), e antes que você perceba, estamos assistindo à formação de protogaláxias e suas colisões espetaculares.
No minuto 1:49 o autor reflete o espetacular entrelaçamento das galáxias por gravitação. Mais tarde apresenta a Via Láctea, os monstruosos buracos negros estrelares, bem como o devastador efeito de sua atração gravitacional. Tudo isso acontece nos primeiros dois minutos.
No minuto 6.40 apreciamos o nascimento do Sol e a formação dos planetas de nosso sistema, com o surgimento da Terra e da Lua. A seguir o vídeo mostra como nasceu a vida na Terra, mostrando os primeiros microrganismos que habitavam nosso planeta.
Depois da idade do gelo, que aparece no minuto 9.45, começam a surgir os organismos multicelulares. Então, embora você possa achar que tem tempo suficiente para preparar um chá ou café no meio dos dez minutos abaixo, você terá perdido tanta coisa da história do universo nesse tempo que seria difícil recuperar tudo depois.
Pelo menos há uma linha do tempo na parte inferior da tela para que você possa ver o quanto perdeu. No entanto, vá preparar aquele café, chá ou outra bebida quente agora, sente-se e aproveite o time-lapse do universo que, em seu último nanossegundo, inclui fugazmente a história de você, de mim e de todos os outros que já nasceram na Terra.
Surpreendentemente, John D. Boswell não tem formação acadêmica em ciências exatas, astronomia ou cinema. Ele se formou em Economia pela Universidade Western Washington em 2008.
Seu interesse profundo pela ciência surgiu justamente na faculdade, ao cursar disciplinas eletivas obrigatórias de introdução às ciências e ao assistir à clássica série "Cosmos", de Carl Sagan, que você pode assistir na íntegra no Youtube.
Desenvolvimento técnico: Ele aprendeu teoria musical, edição de vídeo, animação e computação gráfica de forma totalmente autodidata, motivado pelo desejo de misturar música com o conhecimento científico.
Essa falta de um diploma científico tradicional nunca o barrou. Pelo contrário: seu talento chamou a atenção do mercado tradicional, levando John a produzir a série documental Origins para o canal National Geographic e a colaborar com marcas como Disney e PBS.
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