![]() | Para sobreviver neste mundo frenético e de alta pressão, a maioria de nós precisa se tornar muito hábil na autocrítica. Aprendemos a nos repreender por nossas falhas e por não trabalharmos com afinco ou inteligência suficientes. No entanto, somos tão bons nisso que, às vezes, corremos o risco de cair em uma forma excessiva de autocrítica, o que poderíamos chamar de autoflagelação, um estado bastante perigoso que apenas abre caminho para a depressão e o baixo desempenho, quando simplesmente perdemos até a vontade de sair da cama. |

Para esses momentos, precisamos de um contraponto. Precisamos reservar um tempo para um estado emocional do qual muitos de nós desconfiamos profundamente: a autocompaixão.
Desconfiamos porque isso soa terrivelmente parecido com autopiedade. Mas, como a depressão e o ódio por si mesmo são inimigos sérios de uma vida boa, precisamos reconhecer o papel do autocuidado em uma vida plena, ambiciosa e frutífera.
Para isso, podemos realizar o que chamamos de "exercício de autocompaixão": uma meditação estruturada, com cerca de 15 minutos de duração, seja deitado na cama ou talvez durante um banho, na qual você percorre uma sequência de pensamentos que interrompem e corrigem o fluxo de suas piores autocríticas.
Por algum tempo, adote uma perspectiva totalmente gentil em relação aos seus contratempos. O exercício de autocompaixão funciona assim: somos tão apaixonados pelo sucesso que não percebemos a dimensão dos desafios que rotineiramente impomos a nós mesmos.
Não há nada remotamente normal no que tentamos alcançar. Falhamos, mas, dada a montanha que tentávamos escalar, a conclusão não precisa ser a de que somos simplesmente falhos.
Temos histórias familiares complicadas: todos nós temos. Coisas aconteceram conosco, causadas por outras pessoas, que podem ajudar a explicar alguns de nossos problemas atuais.
Não somos totalmente sãos ou saudáveis, mas ninguém é. Não fomos preparados para dar conta de tudo; está tudo bem apenas respirar e deixar as coisas como estão no aqui e agora.
Pela mídia ou olhando perfis no Instagram, poderíamos pensar que todos são ricos, famosos e bem-sucedidos. Mas, na realidade, o fracasso silencioso e sem grandes dramas é, por uma larga margem, a norma estatística. É o que nos une por trás das telas.
Não deveríamos nos torturar por não conseguirmos vencer probabilidades que, na verdade, eram imensas. Pessoas exigentes e autocríticas não se dão ao luxo de acreditar na sorte. Elas assumem a responsabilidade por tudo. Acham que os vencedores constroem a própria sorte, mas, na maioria das vezes, não é bem assim.
A sorte é um aspecto real da existência. Privamo-nos de um acolhimento justo ao acreditar que temos total controle e que, portanto, somos os únicos culpados quando tudo desmorona.
Você não se resume às suas conquistas. O status e o sucesso material são apenas uma parte de quem você é. Mas existem outras partes; aqueles que o amaram na infância sabiam disso e, em seus melhores momentos, ajudaram você a sentir isso.
Evoque as vozes internalizadas de todas as pessoas que foram gentis com você. Mergulhe na lembrança de uma risada que nada tinha a ver com conquistas. Eu recorro ao Telão, o fantasma do meu pai que vive debaixo de minha cama. Basta lembrar da sua risada de trovão para eu rir sozinho por um momento.
Eu sei... todos sabemos como é estar do outro lado. Parece que a situação nunca vai acabar ou que estamos permanentemente travados no pior cenário, mas isso não é verdade; é apenas a sensação de ótica que uma crise provoca. Você precisa reduzir as expectativas a zero por algum tempo. Viva uma hora de cada vez e, sem querer soar banal, saiba que o que você mais precisa agora é de descanso.
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