![]() | Todos os anos, o mundo consome mais de 120 bilhões de porções desse alimento. Isso é suficiente para alimentar cada habitante sa Terra com 15 porções. Ele está presente em dormitórios universitários no Brasil EUA, em barracas de rua na Índia e até mesmo na Estação Espacial Internacional. Nós o conhecemos como uma refeição rápida e barata. Mas a história do macarrão instantâneo não se resume apenas à conveniência. É uma história sobre um país devastado pela guerra, um homem que se recusou a desistir e um galpão simples onde uma invenção mágica mudou para sempre a forma como os humanos se alimentam. |

Como um simples bloco de massa seca conquistou o mundo? Para entender esse macarrão, precisamos voltar ao Japão do final da década de 1940. A Segunda Guerra Mundial havia acabado de terminar e o país enfrentava uma enorme escassez de alimentos.
Um empresário chamado Momofuku Ando caminhava pelas ruínas de Osaka quando viu uma longa fila de pessoas tremendo de frio. Elas não esperavam por remédios ou dinheiro; esperavam por uma única tigela de sopa de ramen fresco. Naquele dia, Momofuku percebeu algo profundo.
- "A paz chegará ao mundo quando as pessoas tiverem o que comer", disse para ele mesmo.
Ele queria criar um macarrão que pudesse ser armazenado por meses, cozido em minutos e que fosse acessível a todos. Mas ele não era chef de cozinha. Era apenas um homem com um galpão no quintal de casa.
Durante um ano inteiro, trabalhou sozinho, dormindo apenas quatro horas por noite. Nada dava certo. O macarrão ficava ou muito mole ou quebradiço demais.
Então, certa noite de 1958, ele observou sua esposa preparando tempurá. Notou que, quando a massa entrava em contato com o óleo quente, a água evaporava instantaneamente, deixando a massa crocante, porém cheia de pequenos orifícios.
Aquele foi o momento "Eureka!". Momofuku percebeu que, ao fritar o macarrão rapidamente, poderia expulsar a água e criar pequenos poros em seu interior.
Mais tarde, ao adicionar água quente, ela penetrava rapidamente nesses poros, fazendo com que o macarrão voltasse ao seu estado original.
Em 25 de agosto de 1958, nascia o ramen sabor frango. Ele ganhou o apelido de "lámen mágico" e foi um sucesso imediato.
Já na década de 1960, o macarrão instantâneo era um item básico no Japão. Mas ele tinha sonhos maiores. Queria alimentar o mundo e em 1966, viajou para os Estados Unidos para apresentar seu lámen mágico a supermercados americanos.
No entanto, deparou-se com uma barreira cultural. Os americanos não tinham tigelinhas para lámen e não usavam hashis.
No entanto, Momofuku observou, fascinado, enquanto compradores americanos pegavam os blocos de macarrão, quebravam-nos em pedaços, colocavam-nos em copos de papel para café e comiam com garfos.
Ele não se ofendeu; sentiu-se inspirado. Percebeu que, se quisesse ganhar o mundo, precisava mudar a embalagem. Precisava de um recipiente que servisse, ao mesmo tempo, como embalagem, panela e tigela.
Cinco anos depois, em 1971, o macarrão de copo foi lançado. Era uma maravilha tecnológica. O copo protegia o macarrão, e o design permitia que ele flutuasse no centro do recipiente, evitando que quebrasse durante o transporte.
Essa foi a chave para conquistar o planeta. Agora, não era mais preciso uma tigela; bastava água quente. Com o passar das décadas, o macarrão instantâneo tornou-se mais do que um simples lanche; tornou-se um recurso vital.
Por serem leves, calóricos e exigirem apenas água, esses produtos tornaram-se o alimento ideal para situações de desastre. De terremotos no Japão a inundações no Sudeste Asiático, o macarrão instantâneo costuma ser a primeira refeição quente que os sobreviventes consomem após uma crise.
A invenção de Momofuku chegou até a sair da atmosfera terrestre. Em 2005, aos 95 anos, Momofuku Ando realizou seu último sonho: o Space Ram ao desenvolver uma versão do macarrão instantâneo para o ônibus espacial Discovery.
O caldo era mais espesso para não flutuar em gravidade zero, e o macarrão podia ser cozido em água a uma temperatura mais baixa. De um galpão de madeira em Osaka até o vácuo do espaço: a jornada estava completa.
Hoje, o mundo adotou o macarrão instantâneo como seu. Na Índia, ele é temperado com masala. No México, é consumido com limão e molho de pimenta. Na Tailândia, tem o sabor da sopa tom yum. É um dos poucos alimentos que transcendem fronteiras. É uma comida reconfortante que fala todas as línguas.
MomoFuku Ando comia lámen de frango quase todos os dias até falecer, aos 96 anos, provando que seu macarrão mágico era, de fato, um alimento para a vida toda.
O macarrão instantâneo chegou ao Brasil em 1965. O nome "miojo" deriva da marca Myojo, que significa "estrela da manhã" em japonês), trazida por um imigrante taiwanês.
Após uma disputa judicial com uma empresa japonesa de mesmo nome, a marca foi adaptada para "Miojo", tornando-se sinônimo do produto no país.
O grande diferencial do consumo de macarrão instantâneo no Brasil é o seu status de líder absoluto na América Latina. Apesar do ranking mundial ser dominado por países asiáticos, o Brasil consome cerca de 2,5 bilhões de porções anualmente, ocupando o 10º lugar no ranking global.
Diferente de mercados onde ele é consumido como sopa completa, no Brasil, o produto é frequentemente consumido apenas como massa, com adição de molhos ou outros ingredientes. Tem gente que come até cru.
Então, da próxima vez que você abrir um pacotinho e esperar 3 minutos, lembre-se de que não está apenas preparando o almoço ou o lanche. Você está participando de uma história de inovação que começou em um humilde galpão de quintal de um senhor determinado e teimoso que queria alimentar o mundo.
O MDig precisa de sua ajuda.
Por favor, apóie o MDig com o valor que você puder e isso leva apenas um minuto. Obrigado!
Meios de fazer a sua contribuição:
- Faça um doação pelo Paypal clicando no seguinte link: Apoiar o MDig.
- Seja nosso patrão no Patreon clicando no seguinte link: Patreon do MDig.
- Pix MDig: 461.396.566-72 ou luisaocs@gmail.com




Faça o seu comentário
Comentários