![]() | Em 2015, tão logo o Joinville Esporte Clube (JEC) subiu para a primeira divisão do Campeonato Brasileiro, após conquistar o título nacional da Série B, um amigo de infância mineiro, colecionador, pediu que eu comprasse uma camisa oficial do time na loja física da Arena, pois supostamente era mais barata. Barata? 399 reais por uma porcaria! Logo pensei: - "VTC, vai ficar sem camisa!" Um torcedor fanático pode até pagar uma fortuna por um uniforme, mas isso é uma das coisas mais insanas que alguém pode fazer por puro fanatismo. |

Mesmo com a introdução das marcas próprias dos clubes, que teoricamente deveriam reduzir os preços, a realidade não mudou tanto.
Isso ocorre porque os clubes que optaram por criar suas próprias marcas de material esportivo acabam enfrentando os mesmos desafios que as grandes marcas internacionais, como o custo de produção, logística, impostos e, lógico, o lucro
Por esse motivo, a redução no preço das camisas de futebol acaba sendo menor do que o esperado, já que os clubes precisam garantir seu lucro e cobrir todos os gastos operacionais.
As camisas oficiais das seleções da Copa do Mundo podem custar até R$ 900, enquanto versões falsificadas são vendidas por apenas R$ 20.
O preço de uma camisa oficial da Seleção Brasileira, por exemplo, varia conforme a versão. A versão de Jogador, a mesma utilizada pelos atletas, custa cerca de R$ 849. Já a versão Torcedor, ideal para o dia a dia, custa R$ 449.
Segundo as marcas, os uniformes são caros devido à alta carga tributária, que pode ultrapassar 30% do valor (normal no Brasil), a tecnologia de tecidos avançada, os custos logísticos e o lucro das marcas e seleções.
Ademais as marcas, seleções e times apelam para a "paixão" do torcedor achando que ele é um idiota, utilizando uma estratégia global de posicionamento premium e transformando as peças em itens de moda e desejo.
Marcas como Nike, Adidas e Puma pagam quantias exorbitantes às federações para patrocinar os times. Esse custo, lógico, é repassado ao consumidor.
O canal do Youtube Business Insider visitou fábricas em Bangladesh, um dos maiores polos de confecção de vestuário do mundo, para descobrir o que diferencia as camisas de futebol autênticas, as réplicas e as falsificações, e por que elas custam tanto.
Milhões de camisas de futebol da Copa do Mundo estão saindo das fábricas em Bangladesh. Para a maioria dos torcedores, todas parecem iguais, mas os detalhes contam uma história bem diferente.
Só para que se tenha uma ideia, mais de 66 mil camisas de futebol falsificadas foram apreendidas antes da Copa do Mundo. A ação fazia parte da Operação CLEANTRADE, realizada no âmbito da EMPACT (Plataforma Multidisciplinar Europeia contra as Ameaças Criminosas) e liderada pela Polícia Nacional Espanhola, com o apoio do EUIPO, da Europol, da Interpol e do Gabinete Europeu de Luta Antifraude.
A ação teve como foco a venda de produtos falsificados de futebol ligados às seleções nacionais participantes da Copa do Mundo da FIFA de 2026.
Investigações realizadas em toda a Espanha identificaram locais de armazenamento, distribuição e venda em diversas cidades, incluindo Madri, Barcelona, Málaga, Elche e Dénia. Mais de 15 locais foram alvo de buscas, incluindo armazéns, depósitos, bancas de mercado e instalações ligadas a serviços de distribuição de encomendas.
Como resultado, as autoridades apreenderam mais de 66 mil camisas e uniformes de futebol falsificados, pesando mais de 16 toneladas. Os produtos imitavam designs oficiais, escudos e elementos distintivos de seleções nacionais de futebol e seriam vendidos em mercados de rua ilegais, canais on-line não autorizados, plataformas de mídia social e outras redes de distribuição ilícitas.
O valor estimado dos produtos falsificados no mercado ilícito ultrapassou os R$ 12 milhões, enquanto os prejuízos econômicos causados aos detentores de direitos de propriedade intelectual são estimados em mais de R$ 40 milhões. A operação resultou também em numerosas detenções ligadas a suspeitas de crimes de propriedade intelectual.
A pergunta que não quer calar: - "Não seria mais fácil diminuir o preço das camisas das seleções da copa para que todo mundo comprasse a camisa oficial? Para que comprar um camisa cujo preço equivale a de um terno fino se posso comprar uma que custa 20 reais?"
À primeira vista, parece uma conta simples: vender muito mais por um preço menor geraria o mesmo lucro e ainda combateria a pirataria. No entanto, o mercado de artigos esportivos de elite não funciona pela lógica do volume de vendas em massa, mas sim pela lógica do mercado de luxo e posicionamento de marca e foda-se o consumidor.
Por que as marcas preferem vender caro para poucos? Para empresas como Nike e Adidas, a camisa de uma seleção da Copa é o seu produto de maior prestígio. Se ela custasse R$ 50, perderia o status de "item de desejo" e viraria uma mercadoria comum. O preço alto constrói uma percepção de exclusividade e qualidade.
O mercado sabe que existem dois públicos distintos. O torcedor que compra a camisa de R$ 20 muitas vezes não compraria a oficial mesmo se ela caísse para R$ 150.
As marcas focam o seu esforço no público de maior poder aquisitivo ou no torcedor fanático que economiza o ano todo para comprar apenas uma peça oficial.
Ademais existe o "paradoxo da pirataria": Reduzir o preço pela metade não elimina o mercado informal. Se a camisa oficial cair para R$ 150, as fábricas clandestinas passarão a vender as réplicas por R$ 10 ou R$ 15.
Mesmo a versão de torcedor continua pesada para o bolso do brasileiro (R$ 449), o que empurra milhões de pessoas para o mercado alternativo, transformando a camisa de R$ 20 em uma verdadeira instituição da cultura do futebol no país.
O mercado informal e as réplicas de camisas dividem opiniões no futebol, pois envolvem tanto uma questão de acessibilidade social quanto debates sobre a legalidade e a economia do esporte.
Para uma grande parcela da população, as réplicas baratas são a única forma de vestir as cores do país ou do time do coração. Isso democratiza o pertencimento à cultura do futebol.
No Brasil, a camisa amarela da seleção extrapolou os campos e virou um forte símbolo de manifestações políticas, especialmente associada ao movimento bolsonarista.
O comércio popular facilita o acesso a esse vestuário para quem deseja usá-lo como declaração de identidade política, independentemente da renda.
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