![]() | O mundo perdeu o ator neozelandês Sam Neill esta semana. Ele faleceu repentinamente aos 78 anos, em Sydney, após vencer um linfoma raro que lhe foi diagnosticado em 2023. Poderíamos listar seus filmes, mas preferimos falar sobre nove segundos de um deles. Você conhece a cena. Os doutores Alan Grant e Ellie Sattler, estão sacolejando em um Jeep, discutindo sobre financiamento, e Alan olha para cima. Sem dar crédito ao que vê, primeiro ele tira o chapéu, ato seguido tira o óculos de sol de forma atrapalhada, antes de direcionar a cabeça de Ellie para que também testemunhe. |

E Sam Neill, um homem que acabou de ver um braquiossauro, nos oferece a representação mais convincente de admiração já registrada no cinema. Então ele se senta na grama, porque suas pernas não o sustentam.
Tudo o que Spielberg investiu milhões para construir dependeu daquele olhar. Ele não está fingindo surpresa, o que seria fácil. Ele está agindo como um homem cuja obra de toda a vida acaba de ser reorganizada diante de seus olhos, emocionado, aterrorizado e um pouco triste, tudo ao mesmo tempo.
Há um lampejo nisso que se assemelha quase a uma desilusão amorosa. Aquilo a que ele se dedicou tanto a imaginar acabou por se tornar real, e agora ele nunca mais poderá imaginá-lo novamente.
É uma nota estranha, complexa e profundamente humana para se atingir enquanto, na verdade, como ele contou em uma entrevista, estava olhando para uma bola de tênis presa a um cabo.
Nascido na Irlanda do Norte, criado na Nova Zelândia; nunca realmente saiu de lá. Em 1993, ele realizou o ano com que todo ator sonha, interpretando o paleontólogo relutante em "Jurassic Park" e o marido colonial ciumento em "O Piano", de Jane Campion, um sucesso de bilheteria e um filme de arte com poucos meses de diferença, sendo totalmente convincente em ambos.
No restante do tempo, ele estava em Central Otago, cuidando de seu vinhedo, filmando seus porcos, conversando com seus patos e postando tudo com a alegre desfaçatez de um homem que havia descoberto para que servia a fama, de fato.
Sempre voltamos àquela expressão no Jeep. É a expressão que buscamos aqui todos os dias. Alguém vê algo impossível e suas pernas tremem. Sam Neill nos deu a versão definitiva, e seremos gratos por isso por muito tempo.
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