![]() | Após um século com apenas um único avistamento, o raríssimo e belo lóris-de-testa-azul (Charmosynopsis toxopei) da Indonésia foi encontrado novamente. Antes desse novo avistamento, a ave havia sido vista pela última vez em 2014, e antes disso, não era vista desde a década de 1920. O esquivo psitacídeo foi avistado durante uma expedição de 14 dias em abril, nas remotas terras altas do Monte Kapalatmada, na Indonésia. A expedição foi liderada pelo grupo de montanhistas Kanal Buru e pelo líder Handoko, e contou com a participação de membros de várias organizações de conservação. |

Isso é um grande acontecimento no mundo das aves. O lóris havia praticamente desaparecido do registro científico, sendo as fotos de Craig Robson, de 2014, o único avistamento confirmado desde a década de 1920.
Em 2024, a BirdLife International, adicionou o papagaio à sua lista de espécies perdidas. Havia tão poucos dados disponíveis que a Lista Vermelha da IUCN não pôde classificar a ave como ameaçada de extinção.

No entanto, presumia-se que ela pudesse, de fato, estar criticamente em perigo, dado seu tamanho populacional muito pequeno, possivelmente em declínio, e sua distribuição geográfica limitada.
No entanto, havia uma crença entre os especialistas de que o lóris-de-testa-azul poderia estar se saindo bem, apenas em uma área extremamente pequena, no alto das montanhas praticamente inacessíveis de Buru.

M novembro de 2025, montanhistas locais mapearam uma nova rota até o pico mais alto da ilha e, em abril, o grupo de observadores de pássaros seguiu a trilha em busca do papagaio. Após seis dias de escalada, a equipe localizou a ave esquiva.
- "Quando vimos o lóris-de-testa-azul, não consegui conter as lágrimas", disse Sumaraja, guia e líder da excursão da Birdtour Asia. - "Todos os dias, eu quase chorava de alegria ao ver que essas aves ainda existem."

Durante esse primeiro avistamento, as aves partiram tão rapidamente que ninguém conseguiu tirar fotos. Felizmente, dois dias depois, o grupo avistou suas penas verde-brilhantes ao sol e conseguiu fotografá-las, o primeiro registro do lóris em mais de uma década.
- "Avistamos duas aves voando para uma árvore próxima, então peguei meus binóculos para ver qual era um deles", explicou a John C. Mittermeier , ornitólogo, conservacionista e diretor do programa Busca por Aves Perdidas. - "Fiquei extremamente animado quando percebi que era um lóris-de-testa-azul."

O principal desafio enfrentado pelo lóris-de-testa-azul é que ele está sujeito a ameaças que permanecem em grande parte desconhecidas. Essa ave habita áreas sob pressão contínua do desmatamento, com uma população estimada em ser extremamente pequena e vulnerável.

É necessária uma abordagem e ação coletiva de todas as partes interessadas para proteger o habitat remanescente desta ave incrível. Buru abriga muitas aves endêmicas, e as empresas madeireiras e de mineração que adquiriram grande parte da floresta da ilha representam uma grande ameaça à sua sobrevivência e à vida selvagem.
Em última análise, a maior proteção do lóris-de-testa-azul pode ser justamente a dificuldade de acesso ao seu habitat. Sua redescoberta também oferece algum otimismo de que outras aves supostamente extintas possam estar sobrevivendo, como o lóris-da-nova-caledônia e o periquito-de-garganta-vermelha, que atualmente são considerados quase extintos.
Araras, papagaios, tirivas, periquitos, tuins, jandaias, maracanãs e apuins fazem parte da família de psitacídeos, que se caracterizam-se pelo bico curvo e forte, pés com dois dedos virados para frente e dois para trás, e grande inteligência.
O Brasil tem a maior diversidade (riqueza de espécies) de psitacídeos do mundo. O país abriga cerca de 87 espécies nativas distribuídas em 27 gêneros.
No mundo todo, a ordem Psittaciformes compreende cerca de 398 espécies em diferentes famílias.
Aqui em Joinville existe uma espécie que simplesmente não deveria estar aqui: a ararajuba (Guaruba Guarouba), endêmica da Amazônia e ameaçada de extinção.
Supostamente um tratador de animais autorizado, que ninguém sabe o nome, soltou um casal na região em 1982 ou 1984, outros dizem que ele era o dono das araras que fugiram.
Em seu habitat natural o casal teria hoje ao menos 70 ancestrais, mas devido a consanguinidade não deve ter mais de 40.
Por isso, no fim de 2022, após um estudo de impacto sistêmico e biológico, introduziram mais dois casais na região que são monitorados o tempo todo.
A ideia era soltar 4, mas decidiram pela metade com o receio de que novas ararajubas com os costumes amazônicos poderiam desencadear um desastre ecológico como animal invasor.
Fotos: James Eaton / Birdtour Asia e John C. Mittermeier.
O MDig precisa de sua ajuda.
Por favor, apóie o MDig com o valor que você puder e isso leva apenas um minuto. Obrigado!
Meios de fazer a sua contribuição:
- Faça um doação pelo Paypal clicando no seguinte link: Apoiar o MDig.
- Seja nosso patrão no Patreon clicando no seguinte link: Patreon do MDig.
- Pix MDig: 461.396.566-72 ou luisaocs@gmail.com




Faça o seu comentário
Comentários