![]() | A ciência não consegue explicar completamente por que os ninhos de pássaros variam tanto porque a construção de ninhos já não é vista como um instinto puramente genético. Pesquisas recentes mostram que a construção de ninhos envolve aprendizagem social e tradições culturais, onde as aves transmitem estilos arquitetônicos e preferências de materiais através das gerações dentro de grupos familiares locais, independentemente do seu ambiente. Diversas espécies se destacam por sua engenharia peculiar e materiais não convencionais. |

Por muito tempo, acreditou-se que a forma de trançar e construir era puramente instintiva, mas hoje sabemos que a experiência individual e o aprendizado têm um papel fundamental, tornando os comportamentos de construção muito mais variáveis e difíceis de prever. Neste post listamos 13 espécies cujos ninhos são uma verdadeira loucura.
Tecelão-social (Philetairus socius)

Ele constrói enormes complexos habitacionais comunitários de várias toneladas no Deserto do Kalahari. Essa estrutura gigantesca pode parecer um fardo de feno, mas na verdade é um ninho enorme. O telhado de palha protege as aves nos desertos, bloqueando o calor durante o dia e isolando-as do frio à noite.
Centenas de aves vivem nesses complexos de montes de feno com telhados de palha que podem se estender por mais de três metros de diâmetro e permanecem ocupadas por gerações por mais de 100 anos. Isso se árvore não sucumbir com o peso antes.
Andorinhão-de-ninho-comestível (Aerodramus fuciphagus)

Nas profundezas das úmidas cavernas do Sudeste Asiático, os andorinhões constroem ninhos em forma de concha nas encostas dos penhascos, inteiramente com sua própria saliva, que adere à rocha e endurece, formando a estrutura que a ave usa para pôr seus ovos.
Os ninhos também são uma iguaria muito apreciada para a sopa de ninho de andorinha. Não têm sabor nem valor nutricional, mas isso não os impede de ser um dos alimentos mais caros do mundo. A procura é tanta que muitos países regulamentam a indústria de ninhos de andorinha para evitar a extinção da espécie.
João-de-barro (Furnarius rufus)

Encontrado em quase toda a América do Sul, o joão-de-barro molda meticulosamente lama úmida e palha em um ninho fechado em forma de cúpula que se assemelha a um forno de barro tradicional a lenha. Daí seu nome pássaro-forneiro em espanhol.
O joão-de-barro é um pássaro muito popular, tanto que foi escolhido como a ave nacional da Argentina. Faz parte do folclore de várias regiões, sendo personagem de lendas.
Uma delas diz que o macho pode encerrar uma fêmea infiel no ninho até que ela morra, o que nunca foi comprovado. Outra diz que ele constrói seu ninho com a abertura na direção oposta do vento e da chuva, mas pesquisas realizadas apresentaram resultados contraditórios.
Também é dito que ele é um pássaro religioso, pois suspende a construção do ninho aos domingos e dias santos. Isso tampouco tem comprovação científica.
Em algumas regiões interioranas seus ninhos vazios se tornam objetos de decoração doméstica.
Milhafre-preto (Milvus migrans))

Também conhecidos como milhanos-pretos, na Europa, estas aves de rapina adaptaram-se à presença humana decorando seus ninhos com tiras de sacolinhas de plástico.
Embora alguns cientistas acreditem que isso sirva para camuflar os ovos, novas pesquisas sugerem que o plástico está ali, na verdade, para impressionar outros milhafres.
Segundo essa teoria, os milhafres veem o lixo como uma demonstração de poder, assim como ter uma casa grande no alto de uma colina representa para os humanos. Aparentemente, essas aves se assemelham aos humanos em mais de um aspecto.
Oropêndola-de-montezuma (Psarocolius montezuma)

Essas aves da América Central tecem ninhos pendentes com cipós e fibras de bananeira. Os ninhos podem ter de 90 cm a 1,8 m de comprimento e parecem uma bola pendurada em uma meia.
Como as aves vivem em colônias, pode haver até 150 desses ninhos em uma única árvore, embora geralmente sejam cerca de 30.
A fêmea leva de 9 a 11 dias para construir seu ninho. O macho costuma observar o trabalho dela e, se não gostar do que vê, destrói o ninho e a obriga a começar de novo.
Enquanto as fêmeas nidificam, os machos lutam e se defendem uns aos outros, e a hierarquia entre eles é determinada pelo resultado de cada luta. O macho alfa eventualmente expulsa todos os outros machos até que seja o único restante.
Quando os machos alfa partem, os outros retornam e defendem as fêmeas até que ele volte. Esse tipo de sistema de acasalamento é semelhante ao de mamíferos poligâmicos, não ao de aves.
Os nomes em português e científico desta espécie homenageiam o imperador asteca Moctezuma II.
Gerifalte (Falco rusticolus),)

Também conhecido apenas como tgyr, é um grande falcão branco que nidifica em penhascos no Ártico. Eles usam a mesma depressão ou reentrância na rocha geração após geração.
Em 2009, pesquisadores da Universidade de Oxford realizaram a datação por radiocarbono em um ninho de gerifalte e descobriram que ele tinha cerca de 2.500 anos. Outros três ninhos tinham mais de 1.000 anos, e fragmentos de penas de gyr tinham 600 anos. As aves vêm usando o ninho continuamente desde a época romana.
Na Idade Média, o falcão-gerifalte era considerado uma ave real devido à sua raridade e às dificuldades envolvidas em obtê-lo, assim como à pureza das suas cores.
Apenas muito raramente um homem de classe menor era visto portando tal animal. Os gerifaltes eram aprisionados na Islândia e na Groenlândia e oferecidos pelos monarcas do norte aos reis do sul da Europa.
Como exemplo do valor dos gerifaltes da Groenlândia, uma dúzia dessas aves foi suficiente para pagar o resgate do filho do duque de Borgonha em 1396, após este ter sido capturado pelos sarracenos.
Águia-americana ( (Haliaeetus leucocephalus)),)

Os pigargos constroem ninhos muito maiores do que suas necessidades indicariam. Quando acasalam pela primeira vez, as águias constroem ninhos menores, ou aerários, com 15 a 38 metros acima do solo, empilhando galhos e gravetos em um padrão triangular.
A cada ano, elas adicionam mais material ao ninho até que ele se torne grande o suficiente para um humano se sentar.
O maior ninho de ave já registrado foi um ninho de águia-careca encontrado em São Petersburgo, Flórida, em 1963. Ele tinha 3 metros de largura e 6 metros de profundidade.
Beija-flor-abelha (Mellisuga helenae)

Por outro lado, os ninhos de beija-flor são tão pequenos que é fácil confundi-los com nós nas árvores.
Na verdade, o menor ninho do mundo é o do beija-flor-abelha, ou zunzunzinho, que tem pouco mais de 2,5 centímetros de diâmetro. O beija-flor constrói seu ninho em forma de taça tecendo teias de aranha com penas e folhas para torná-lo forte e elástico, e depois cobre a parte externa com líquen.
A ave então põe dois ovos, cada um do tamanho de um grão de café, dentro do ninho. Que fofura!
Pássaros-tecelões (Proceus)

Há no total 63 espécies de pássaros-tecelões do gênero Ploceus. A grande característica do gênero é que são aves muito gregárias, que podem ser encontradas em bandos numerosos.
O mais conhecido é o tecelão-de-Baya (Ploceus philippinus), que pode ser encontrado em todo o subcontinente indiano e sudeste da Ásia.
Os grupos voam em formações cerradas, ao estilo "murmúrio", e são conhecidos por colher arroz e outros grãos em cultivos, ocasionalmente causando grandes estragos, portanto, às vezes são considerados pragas.
Uma crença popular difundida na Índia é que o Baya cola vaga-lumes com lama nas paredes do ninho para iluminar seu interior à noite. No entanto, sabe-se que a argila é utilizada nas câmaras dos ninhos para ajudar a estabilizá-los durante ventos fortes.
Os machos dos tecelões-malhados (Ploceus cucullatus), também conhecidos como tecelões-de-aldeia, são os que mais sofrem com fêmeas exigentes.
Eles também constroem ninhos suspensos para atrair fêmeas, mas aprender a tecer precisa de anos de prática.
Preferindo construções verdes e frescas às marrons e desgastadas pelo tempo, as fêmeas inspecionam cada ninho cuidadosamente.
Os machos cujos ninhos não passam na inspeção terão que desmontar o que construíram e começar tudo de novo... de novo.
Pássaro-alfaiate (Orthotomus sutorius)

O pássaro-alfaiate é um pequeno passarinho canoro autóctone da Ásia tropical, mas sua característica mais intrigante não é o canto -que é bem feinho-, senão sua habilidade para construir ninhos.
Com seu bico afiado como uma agulha, ele costura uma ou duas folhas sólidas para criar um berço que propicia um abrigo confortável e camuflado de predadores.
E quando digo "costura", é exatamente isso que quero dizer. A fêmea do alfaiate usa seu bico para furar primeiro as folhas, depois pega teias de aranha ou fibras de plantas e as guia pelos orifícios como um fio, até que a bolsa fique pronta e segura.
O ninho não se desenrola, em parte devido à aspereza do material da linha usada, mas também aos complexos padrões de costura. Um ninho pode ter entre 150 a 200 pontos.
Os pássaros-alfaiates também parecem capazes de lidar com acidentes, como rasgos nas folhas durante o processo de construção, adicionando cuidadosamente mais pontos ou até folhas extras nas áreas afetadas para garantir que a camuflagem seja perfeita.
Quando o ninho estiver pronto, elas o preencherão com penas e material vegetal para prepará-lo para a incubação dos ovos.
Alfaiate: Em vez de tecer materiais, esta ave usa seu bico afiado como uma agulha para costurar grandes folhas vivas, unindo-as com teia de aranha e fibra vegetal para criar um berço perfeitamente escondido para seus ovos.
Faisão-australiano (Leipoa ocellata))

Em vez de chocar seus ovos, essas aves australianas constroem enormes montes de composto com folhas, terra e galhos. À medida que a vegetação se decompõe, gera calor, funcionando como uma incubadora natural.
Também conhecido como galo-do-mato, ele passa meses criando um grande montículo (com até 3 metros de diâmetro) onde a fêmea põe seus ovos.
A serapilheira em decomposição gera calor para aquecer os ovos, enquanto o macho monitora e ajusta meticulosamente a temperatura para 33°C, sondando a areia com o bico.
Pinguim-imperador))

Os pinguins-imperadores são a única espécie de pinguim que incuba seus ovos inteiramente sobre os pés. Após a fêmea pôr um único ovo, o macho o equilibra cuidadosamente sobre os pés e o cobre com uma dobra de pele quente chamada bolsa incubadora para protegê-lo do frio extremo da Antártida.
Como se reproduzem no gelo marinho durante o inverno antártico, não há materiais para construir um ninho. A mãe passa o ovo para o pai numa manobra extremamente delicada para que ele nunca toque no gelo congelado.
O macho usa sua aba de pele densamente emplumada e vascularizada para manter o ovo aquecido a uma temperatura agradável de 38°C (cerca de 100°F), enquanto as temperaturas externas podem cair para -60°C.
O macho equilibra o ovo sobre os pés por aproximadamente 65 a 75 dias sem se alimentar, dependendo exclusivamente de suas reservas de gordura enquanto suporta ventos fortes.
Mesmo depois do pintinho fofo nascer, ele continua se equilibrando nos pés dos pais por várias semanas, até ficar grande o suficiente para regular a própria temperatura corporal.
É nesse momento que acontecem algumas trapalhadas. Alguns pais com fome fogem para fazer uma boquinha deixando o pintinho sozinho por um momento. Os pequenos não tem melhor ideia então do que agarrar o primeiro pé que veem na frente. Ta lá um pai coitado arrastando dois...e até três pequeninos.
Pinguins Adélia e Gentoo

Na falta de vegetação, os pinguns devem ser criativos e pegar o que encontram pela frente para melhorar seus ninhos. Ocorre que estas aves constroem seus ninhos com pequenas pedras para elevar e proteger seus ovos do escoamento das águas quando a neve derrete.
É nesse momento que percebemos que o Batman tinha razão quando alertou que pinguins são criminosos contumazes, especialmente as espécies Adélia e Gentoo, que são notórios por roubar pedras de ninhos vizinhos.
As pedras são um recurso escasso e muito valioso, usado para construir e reforçar ninhos elevados. Os machos com os melhores ninhos são mais propensos a atrair uma parceira. Então, em uma colônia de centenas de milhares de pinguins, as melhores pedras são altamente valorizadas.
Aves cara-de-pau costumam esperar que seus vizinhos saiam para então se aproximarem sorrateiramente e pegar uma pedra para melhorar o seu próprio ninho.
Os pinguins machos são famosos por usar pedrinhas lisas e atraentes como presentes para cortejar potenciais parceiras. Se uma fêmea aceitar a pedrinha, isso marca o início do vínculo entre eles.
Ninhos construídos com menos pedras são altamente vulneráveis, levando pinguins desesperados a roubar materiais de construção de territórios vizinhos.
Biólogos descobriram que os ladrões visam desproporcionalmente os ninhos nas extremidades da colônia. Os pinguins que nidificam em segurança no centro raramente precisam se preocupar com o roubo de suas rochas.
Os roubos não param nos vizinhos. Há muitos registros de um pinguim macho descarado roubando sorrateiramente uma pedra do lado do ninho de sua parceira, apenas para se virar orgulhosamente e "presenteá-la" como se fosse uma descoberta nova e especial.
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