
Mas o território teve uma história conturbada antes disso. A partir do século XIII, fez parte das terras da Ordem Teutônica. No século XVI, Königsberg era o centro do recém-formado Ducado da Prússia, um Estado vassalo da Comunidade Polaco-Lituana.
Não demorou muito para que a Prússia conquistasse sua independência, e Königsberg foi o local onde o primeiro rei da Prússia foi coroado.
Ao longo dos séculos, a região se expandiu e, no final do século XIX, era uma força dominante no recém-criado Império Alemão.
Como se pode imaginar, Königsberg, embora não fosse a capital, ocupava um lugar especial no Império Alemão como um de seus centros culturais e berço da dinastia governante.
O ponto principal é que, durante cerca de seis séculos antes desse período, Königsberg e seus arredores eram predominantemente alemães, embora valha notar a presença de minorias polonesas e lituanas significativas na região.
O status desse território não mudou substancialmente até a Segunda Guerra Mundial. No entanto, é importante lembrar que o Tratado de Versalhes de 1919, após a Primeira Guerra Mundial, fez com que a Alemanha perdesse esse território que estava sob o domínio da dinastia prussiana.
Como se pode notar, a Alemanha manteve a própria cidade de Königsberg, mas agora como um exclave conhecido como Prússia Oriental.
Também se deve notar que a Alemanha perdeu terras para a recém-formada Lituânia; durante o período da República de Weimar, a região foi um foco de apoio ao crescente movimento nacional-socialista, liderado por um tal Adolf Hitler, que recuperou essas terras da Lituânia, até a Segunda Guerra Mundial, que a Alemanha acabou perdendo.
Em 1945, as forças soviéticas avançaram sobre Königsberg, levando muitos de seus habitantes a fugir para o oeste, em direção ao interior da Alemanha. Após um cerco destrutivo, a cidade caiu nas mãos dos soviéticos e, com a rendição da Alemanha, suas fronteiras foram novamente redesenhadas pelas potências vencedoras.
Desta vez, a Alemanha perderia Königsberg e a área ao seu redor para a URSS de Stalin e seus novos estados fantoches no Leste Europeu.
A região da Prússia Oriental foi, assim, dividida em três partes. A parte sul ficou com a Polônia, e a parte norte foi para a URSS, mas como parte da República Soviética da Lituânia.
Já a região central, que incluía a própria cidade de Königsberg, foi incorporada à República Soviética Russa. Por que, então, não foi entregue à Lituânia, apesar da proximidade geográfica?
Bem, naquela altura, a Lituânia havia sido incorporada à URSS há pouco tempo -em grande parte contra a vontade de sua população-, e Stalin não confiava neles para administrar uma área de tamanha importância militar.
Além disso, a região passou por uma limpeza étnica generalizada, que resultou na deportação da maioria dos alemães restantes para a Alemanha Oriental e na sua substituição, em grande parte, por russos.
Dito isso, após a morte de Stalin, seu sucessor, Nikita Khrushchev, chegou a oferecer Kaliningrado à Lituânia, que recusou a oferta. O motivo? A população local não era lituana, e os líderes do país acreditavam que incorporar tantos russos ao seu território geraria "problemas" a longo prazo.
Assim, Kaliningrado permaneceu parte da República Soviética Russa durante toda a existência da URSS, até o seu colapso em 1991. Esse momento marcou uma oportunidade em que o status da área poderia ter mudado.
A Lituânia continuava sem interesse em Kaliningrado, pelas mesmas razões de antes, e a Polônia compartilhava dessa mesma visão. Ninguém queria assumir uma região cheia de russos, um sinônimo de "problemas".
Restava a Alemanha, que possuía uma reivindicação histórica de longa data sobre a região. Por que, então, ela não a obteve? Primeiramente, porque a Federação Russa herdou as terras da República Soviética Russa e também porque a Alemanha não a queria, pelo mesmo motivo: "problemas".
Durante o processo de reunificação, o chanceler da Alemanha Ocidental, Helmut Kohl, não pressionou pela recuperação do exclave. Sua prioridade absoluta era a reunificação entre o Leste e o Oeste, e ele acreditava que forçar a questão de Kaliningrado poderia desagradar às potências globais com as quais estava negociando.
A Grã-Bretanha e a França já viam com desconfiança uma Alemanha reunificada, e ceder-lhe mais território era motivo de ainda mais preocupação para elas. Por isso, a Alemanha nunca tentou recuperar Königsberg, que mal podia ser considerada alemã naquela altura.
Já para a Rússia, Kaliningrado era tão russa quanto qualquer outra parte do país. Então, por que cogitariam sequer abrir mão dela?
Naquele antanho, as autoridades lituanas, polonesas ou alemãs -aliás de toda a Europa- não se deram conta que a localização estratégica de Kaliningrado poderia converter-se em um "problemão", sobretudo quando um ex-agente secreto da KGB, o tenente-coronel Vladimir Vladimirovitch Putin, chegasse ao poder.
Hoje, Kaliningrado é vital para Vladimir Putin por ser um posto militar avançado na Europa, abrigar a Frota do Báltico e possuir um porto estratégico livre de gelo o ano todo.
Abriga mísseis com capacidade nuclear, como o sistema Iskander, capazes de atingir todas as capitais europeias rapidamente.
O porto de Baltiysk não congela no inverno, garantindo acesso marítimo contínuo para a marinha russa.
Permite a Moscou projetar poder militar direto sobre o Mar Báltico e desafiar a segurança da OTAN, como se dissesse: - "Estou aqui nom meio de vocês, otários!"
Em 29 de maio de 2026, o presidente russo declarou que a Rússia possui todos os meios necessários para destruir qualquer um que tente atacar o exclave russo de Kaliningrado. Segundo uma reportagem da Reuters, seus comentários foram uma resposta às declarações do ministro das Relações Exteriores da Lituânia, Kestutis Budrys, sobre a capacidade da OTAN de penetrar na região.
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